POLÍTICA MT
Audiência pública valida Carta do Pantanal à COP 30 e reforça compromisso global com a preservação do bioma
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta terça-feira (11), na sede da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura (Sicmatur), em Cáceres, a 7ª edição da audiência pública “Dia Estadual do Rio Paraguai”, com o tema “Vozes do Pantanal: Rio Paraguai/Pantanal Vivo”.
De autoria do deputado Lúdio Cabral (PT), o encontro integrou a programação da COP 2025 Pantanal e validou oficialmente a Carta do Pantanal à COP 30, documento que será apresentado na conferência mundial sobre mudanças climáticas, que está acontecendo em Belém (PA).
A audiência reuniu entidades representativas, pesquisadores, especialistas e comunidades tradicionais para debater ações voltadas à preservação do Pantanal e do rio Paraguai, bioma reconhecido por sua importância ambiental e vulnerabilidade diante das mudanças climáticas.
“Desde 2019 realizamos esta audiência para celebrar o Dia Estadual do Rio Paraguai e o Dia Nacional do Pantanal, mas também para alertar sobre as ameaças que esse bioma enfrenta e reafirmar sua importância para o planeta. Este ano, o encontro é ainda mais especial porque consolida uma pauta que será levada à COP 30”, destacou o deputado Lúdio Cabral.
Segundo o parlamentar, a Carta do Pantanal representa um pacto coletivo pela regeneração e pela justiça climática, elaborado a partir da escuta de vozes de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pesquisadores e gestores públicos.
O documento propõe a criação de um Fundo Internacional de Restauração e Governança das Águas do Pantanal, o fortalecimento da bioeconomia pantaneira e políticas de transição ecológica justa, com base na união entre ciência e saberes tradicionais.
Foto: Helder Faria
“O Pantanal é um bioma sensível, que reflete tudo o que acontece nos outros — no Cerrado e na Amazônia. A seca extrema e os incêndios dos últimos anos são resultado do desequilíbrio ecológico. Precisamos levar propostas concretas para proteger o Pantanal e garantir o futuro das comunidades que vivem dele”, afirmou.
O deputado ressaltou ainda os avanços conquistados ao longo das sete edições da audiência, como a formação de 13 comitês populares de rios e o fortalecimento da mobilização comunitária no enfrentamento às queimadas e no desenvolvimento de uma economia sustentável.
“O grande avanço é a organização popular. As comunidades pantaneiras estão se unindo para desenvolver atividades econômicas que respeitem o meio ambiente, com produção artesanal e alimentos saudáveis. Esse é o caminho para garantir renda, preservar a natureza e reduzir desigualdades”, completou.
O professor e ambientalista Ernandes Sobreira, coordenador da COP Pantanal junto com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), destacou que a Carta do Pantanal simboliza a união de diferentes vozes em defesa da vida e da água.
“Esta carta é um grito coletivo do Pantanal. Ela traz o sentimento e o conhecimento de quem vive, estuda e protege este território. Estamos levando à COP 30 um documento construído por mãos pantaneiras, que fala da urgência de cuidar da nossa casa comum”, afirmou Sobreira.
O professor explicou que a carta será entregue oficialmente à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante a COP 30, entre os dias 14 e 15 de novembro, em Belém (PA). Ele informou que a comitiva mato-grossense, participará de duas mesas de debates sobre bioeconomia e sustentabilidade antes da entrega.
“A entrega da carta será um ato simbólico e de resistência. Queremos que a ministra e o mundo ouçam a voz do Pantanal. Essa carta é fruto da escuta popular e mostra que o pantaneiro continua vivo, resiliente e comprometido com a defesa das águas e da vida”, completou.
Segundo ele, o documento também será compartilhado com outros ministérios, como o da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento Social e da Saúde, reforçando o caráter intersetorial da iniciativa.
“O Pantanal é dependente das águas do Cerrado, da Amazônia e das próprias nascentes que abriga. Precisamos de políticas integradas para enfrentar os extremos climáticos que já nos afetam. A carta leva essa mensagem e propõe caminhos reais para um futuro sustentável”, ressaltou.
A engenheira florestal Suely Menegon Bertoldi, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, reforçou que Mato Grosso é referência mundial em produção associada à conservação ambiental.
“Cerca de 60% do território mato-grossense está preservado, especialmente em áreas privadas, unidades de conservação e terras indígenas. Somos um exemplo de que é possível produzir e conservar ao mesmo tempo”, afirmou.
Ela defendeu a ampliação do pagamento por serviços ambientais para alcançar pequenos produtores e comunidades tradicionais, como forma de reconhecer quem mantém o bioma vivo.
“Quem preserva as nascentes e a reserva legal deveria ser remunerado por isso. Sem nascente, não há rio, e sem rio, não há vida. A COP é o momento ideal para buscar recursos internacionais e fortalecer essa política”, completou.
Carta do Pantanal – A Carta do Pantanal à COP 30, validada durante a audiência pública, propõe ações concretas para regenerar o território, como a restauração de nascentes e matas ciliares, o manejo sustentável do fogo e o apoio a negócios de impacto social e ambiental. O documento encerra com um chamado à ação: “Regenerar o Pantanal é regenerar a nós mesmos. Enquanto houver Pantanal, haverá futuro.”
A audiência também contou com as apresentações do grupo de dança Bacuri e dos povos originários Balatipones.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
“Max Russi seria governador se dependesse de mim”, diz Janaína Riva em palanque
Candidata ao Senado declara apoio à reeleição de Max Russi e afirma que deputado estadual deveria disputar o Governo de Mato Grosso
A candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) declarou, nesta quarta-feira (9), apoio à reeleição de Max Russi à Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e defendeu que o deputado estadual deveria ocupar o cargo de governador do Estado.
A declaração ocorreu durante o lançamento da campanha pela reeleição de Max Russi ao comando do Legislativo estadual, em evento que reuniu lideranças políticas e apoiadores em Cuiabá.
“Se fosse na minha vontade, este ano Max Russi seria o governador de Mato Grosso”, afirmou Janaína durante o discurso. A fala ganhou repercussão nos bastidores políticos por ocorrer em um momento de articulações para as eleições de 2026.
Apesar da defesa, Janaína ressaltou que seu partido mantém o compromisso firmado com o nome de Max Russi para a Presidência da Assembleia Legislativa. Caso a legenda consiga eleger uma bancada suficiente, a intenção é garantir a permanência do parlamentar no comando da Casa na próxima legislatura.
Relação com Pivetta
Nos bastidores, Janaína Riva chegou a ser cotada para integrar uma eventual chapa majoritária como candidata a vice-governadora ao lado de Otaviano Pivetta (PL).
Posteriormente, seu nome também passou a ser associado a uma possível composição encabeçada pelo próprio Max Russi em uma disputa pelo Governo do Estado. A possibilidade, contudo, acabou sendo descartada naquele momento, quando Russi optou por concentrar esforços na reeleição para a Assembleia Legislativa.
O parlamentar, entretanto, não teria fechado completamente as portas para uma eventual candidatura ao Palácio Paiaguás em 2030.
Cenário eleitoral
A manifestação de Janaína adiciona um novo elemento às articulações políticas para 2026, especialmente pela proximidade entre os nomes envolvidos nas negociações para a sucessão estadual.
Enquanto Janaína disputa uma vaga no Senado, seu sogro, Wellington Fagundes (PL), também é candidato ao Senado e busca consolidar apoio junto ao eleitorado conservador.
A declaração pública reforça a movimentação de lideranças em torno da formação das chapas e alianças que devem disputar os principais cargos de Mato Grosso nas eleições do próximo ano.
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