AGRONEGÓCIO
Vigiagro participa de ação para resgatar 60 aves ornamentais na fronteira entre Brasil e Argentina
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), atuou, no dia 29 de julho, em uma operação de resgate de 60 aves ornamentais exóticas na Área de Controle Integrado (ACI) localizada na aduana entre Uruguaiana (RS) e Paso de los Libres, na Argentina.
Durante fiscalização de rotina na ACI – espaço binacional onde operam em conjunto os órgãos aduaneiros de Brasil e Argentina – agentes do Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) da Argentina interceptaram um motorhome de placa argentina, que transitava no sentido Brasil – Argentina, transportando aves vivas sem a documentação sanitária exigida para ingresso no país.
Diante da irregularidade, o Senasa comunicou imediatamente o Vigiagro, responsável pelas ações de vigilância agropecuária do lado brasileiro, que atuou prontamente na coordenação das medidas cabíveis, acionando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama, que acionou o Centro de Manejo de Animais Silvestres do Rio Grande do Sul (Cemas/RS) para suporte técnico.
Entre os animais estavam exemplares de ganso de guará (Chenonetta jubata), patos-ferrugem (Tadorna ferruginea), grou-coroado (Balearica pavonina), faisão-orelhudo-branco(Crossoptilon crossoptilon), ganso-marisco (Branta leucopsis), pato-almiscarado (Cairina moschata), marreca-arrebio(Anas acuta), entre outras espécies. As aves têm como origem vários países, dentre eles África do Sul, Canadá, China e diversos países europeus. Algumas delas possuem hábitos migratórios e são utilizadas como aves ornamentais e de exposição. A carga foi avaliada em mais de 130mil reais.
As aves permaneceram temporariamente na aduana, sob cuidados orientados pelo Vigiagro e Senasa. A operação garantiu o bem-estar dos espécimes até sua entrega às autoridades ambientais competentes (Ibama e Sema), que ficaram responsáveis pelos procedimentos legais de destinação e coordenaram a logística para transporte seguro dos animais para o local de atendimento e quarentena.
A atuação do Vigiagro foi essencial para prevenir riscos sanitários e coibir a entrada irregular de animais no país, alinhada às diretrizes da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Mapa para o controle de fronteiras e a proteção do patrimônio agropecuário nacional.
Informações à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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