AGRONEGÓCIO

Ministro Fávaro se reúne com Grupo de Trabalho para avançar em proposta de apoio financeiro a produtores do Rio Grande do Sul

Nesta terça-feira (15), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, conduziu uma reunião, na sede do Ministério, com o Grupo de Trabalho (GT) instituído para reunir informações e formular propostas de enfrentamento ao endividamento dos produtores rurais do Rio Grande do Sul, em decorrência dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos. Ainda hoje, foi publicada a Portaria nº 73, de 14 de julho de 2025, que formalizou a composição do GT, designando seus membros titulares e suplentes. 

Durante o encontro, os deputados federais Alceu Moreira e Afonso Hamm, representantes da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (CAPADR), apresentaram o esboço de um substitutivo ao Projeto de Lei nº 5.122/2023. A proposta busca autorizar a renegociação, liquidação, anistia e concessão de rebate de dívidas de crédito rural com recursos do Fundo Social, beneficiando produtores afetados por estiagens, enchentes, geadas e outras adversidades climáticas ocorridas entre 2020 e 2025. 

O texto apresentado pelos parlamentares prevê a criação de uma linha especial de crédito, com condições facilitadas, voltada à quitação de débitos como financiamentos rurais, Cédulas de Produto Rural (CPRs) e outros empréstimos relacionados à atividade agropecuária. A iniciativa contempla taxas de juros reduzidas, prazos estendidos e mecanismos de segurança para preservar o acesso dos produtores a novas operações de crédito. 

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Designado pela Portaria do GT como representante titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o ministro Fávaro destacou a relevância da Cédula de Produto Rural (CPR) como instrumento fundamental para a formalização de crédito no setor. “A CPR é um instrumento muito importante hoje na formação do crédito aos produtores. Ela representa o ponto de equilíbrio e a base de legitimidade dessa proposta,” afirmou o ministro. 

O secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, suplente do ministro no GT, reforçou a importância do encontro. “A reunião foi muito significativa, pois tratamos das dívidas do Rio Grande do Sul e de outras regiões do país, especialmente daquelas decorrentes de fenômenos climáticos. Ela ocorreu no mesmo dia da publicação da portaria, com a presença de representantes do Governo do Estado, do Congresso Nacional, da Casa Civil, do Mapa, do Banco do Brasil e de diversas entidades que estão realmente comprometidas com a busca por soluções,” destacou Campos.  

Também participaram da reunião, representando o Mapa, o secretário adjunto de Política Agrícola, Wilson Vaz de Araújo; o diretor do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, Thiago Dahdah; e o coordenador-geral de Crédito Rural, João da Silva Souza.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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