POLÍTICA NACIONAL

Exame anual de proficiência em Libras está na pauta da CAS

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) tem reunião marcada para quarta-feira (9), às 9h, com 13 itens na pauta. Um deles é o projeto de lei que trata da promoção anual de exames de certificação de proficiência no uso e no ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras. De autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO), a matéria (PL 4.312/2019) também propõe o exame de proficiência na tradução e na interpretação da Libras.

Segundo Kajuru, a iniciativa vai auxiliar a suprir a demanda de professores e intérpretes da língua. O projeto prevê que essa regra entrará em vigor após 180 dias da publicação da futura lei.

O exame nacional de proficiência já chegou a ser previsto no país, no decreto que regulamentou a Lei de Libras (Lei 10.436, de 2002). No entanto, o prazo inicial de 10 anos já se esgotou. A retomada do exame, segundo Kajuru, pode ajudar “a viabilizar um meio de expressão crucial para a comunidade de pessoas com deficiência auditiva”.

A relatora da matéria, senadora Teresa Leitão (PT-PE), é favorável à sua aprovação. Em seu relatório, ela aponta que somente a certificação poderá garantir que “pessoas realmente habilitadas exerçam essas importantes funções para a inclusão dos usuários de Libras”. A senadora argumenta que, com o exame, os profissionais formados em cursos específicos de graduação ou pós-graduação “certamente obterão a certificação, enquanto os voluntários sem curso formal de Libras, mas que tenham aprendido fluentemente essa língua no curso de suas vidas, poderão, com o certificado, suprir de modo seguro a falta de profissionais habilitados”.

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A matéria tramita na CAS em caráter terminativo. Ou seja, se for aprovada na comissão e não for apresentado recurso para sua votação no Plenário do Senado, o projeto seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados.

Nutrição e datas

Na mesma reunião de quarta-feira, a comissão também pode votar o projeto de lei que trata da terapia nutricional a ser aplicada à pessoa com transtorno do espectro autista (PL 4.262/2020).

Ainda constam da pauta da CAS a criação do Maio Roxo, como forma de conscientização sobre doenças inflamatórias intestinais (PL 1.088/2024), e a instituição Dia Nacional de Conscientização sobre as Doenças Reumáticas, a ser celebrado em 15 de setembro (PL 3.775/2023).

Audiências

Também consta da pauta da CAS uma série de pedidos para a promoção de audiências públicas. A senadora Leila Barros (PDT-DF), por exemplo, quer uma audiência para obter informações sobre as estratégias de combate à dengue para o período de 2024/2025 (REQ 87/2024).

Já a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) quer uma audiência para debater a hipertensão intracraniana idiopática (REQ 81/2024). Também conhecida como pseudotumor cerebral, essa condição é um distúrbio hidrodinâmico comum, principalmente, em mulheres obesas em idade fértil. Trata-se, segundo o requerimento da senadora, de uma doença neurológica com incidência de 1 a cada 100 mil indivíduos.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Projeto que mantém benefícios tributários para o Terceiro Setor vai à Câmara

A manutenção de benefícios tributários federais para todas as entidades filantrópicas (pessoas jurídicas sem fins lucrativos), independentemente de sua classificação (PLP 11/2026), foi aprovada pelo Plenário do Senado nesta terça-feira (26) sem votos contrários (69 votos favoráveis). O projeto também trata, a pedido do governo federal, da recomposição orçamentária do Ministério da Defesa e, agora, segue para análise da Câmara dos Deputados.

De acordo com o autor, senador Flávio Arns (PSB-PR), o projeto busca corrigir um “grave erro jurídico-tributário” na Lei Complementar 224, que determinou um corte linear de 10% em todos os benefícios fiscais federais. Ele disse que o PLP mantém o alcance das isenções para todo o chamado Terceiro Setor e evita que essas entidades passem a pagar impostos como se fossem empresas comuns, mesmo não tendo finalidade lucrativa. Isso poderia reduzir recursos destinados a atividades sociais, culturais, científicas, desportivas, recreativas e educacionais, esclareceu Arns.

— As entidades filantrópicas do terceiro setor, santas casas, creches, de idosos, de doenças raras, entidades sem fins lucrativos, passariam a pagar Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, quando não existe lucro na atividade. Eventual resultado financeiro positivo tem que ser reinvestido na instituição — afirmou o autor no Plenário.

Segundo ele, a Receita Federal reconheceu o equívoco que o PLP busca corrigir. A LC 224  estaria dando brecha jurídica para aumento da carga tributária dessas entidades sem fins lucrativos, estimada entre 2,7% e 4,0% sobre as bases tributáveis, conforme a sua atividade, segundo Arns.

O texto aprovado reverte a exigência que essas entidades sejam formalmente reconhecidas como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), OS (Organização Social) e Cebas (Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social) para manterem isenções.

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Esportes, cultura e PcDs 

O voto da relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), foi favorável, com acolhimento de emendas da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), Leila Barros (PDT-DF) e Carlos Portinho (PL-RJ). A emenda de Leila busca evitar cortes nos incentivos da Lei Geral do Esporte; já a de Portinho, no setor cultural. Para Dorinha, o projeto propõe ampliar a proteção tributária para abranger todas as pessoas jurídicas sem fins lucrativos.

“Muitas dessas entidades fazem a gestão de recursos integralmente públicos. Desse modo, tributar esses repasses significa que o Estado está retirando recursos dele próprio, gerando custos burocráticos e diminuindo a eficiência das políticas sociais”, afirma a relatora em seu parecer.

A partir de emenda de Damares, a relatora incluiu trecho para impedir a incidência da LC 224 nas isenções relativas à aquisição de automóveis por pessoas com deficiência.

“A cobrança de tributos como IRPJ e CSLL sobre entidades que, por natureza, não possuem lucro gera uma tributação fictícia, o que deve ser evitado. Exigir tributos sobre o eventual resultado positivo (que deve ser obrigatoriamente reinvestido) é tecnicamente incoerente com a natureza dessas instituições”, justifica.

Dorinha acrescenta que “o projeto restaura a justiça fiscal e corrige o tratamento desigual entre as entidades ao tratar a ausência de lucro de forma igualitária”. Para ela, a aprovação do projeto evitará perdas para diversos tipos de fundos: da criança e adolescente e da pessoa idosa, cultural, audiovisual, reciclagem, esporte e PcD.

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Damares agradeceu Dorinha pelo acolhimento de sua emenda, “que devolve as isenções tributárias para a aquisição de automóveis por pessoas com deficiência”.

— As pessoas com deficiência têm o direito de passear, mas esses carros são para trabalho. Esses carros são para a mãe levar a criança para o médico todos os dias, tem criança que tem terapia todos os dias. Esses carros são, inclusive, para aquela pessoa com deficiência ir trabalhar, se locomover, e gerar renda para este país. As pessoas com deficiência também estão gerando renda — disse Damares.

Rogério Carvalho (PT-SE) e Leila Barros também elogiaram a proposta e a relatoria.

— A justiça está sendo feita. Eu sou uma entusiasta do Terceiro Setor, a gente sabe o poder do Terceiro Setor, ele está muitas vezes onde o estado não tem braço para chegar (…) seja no esporte, na cultura, idosos, qualificação, geração de renda para mulheres, pessoas com deficiência — disse Leila.

Defesa 

A relatora também incluiu no projeto a recomposição do orçamento do Ministério da Defesa em 2026, para que não fique abaixo do de 2025. A inclusão foi pedida pelo Poder Executivo.

“Aproveitamos essa oportunidade para alterar também a LC 221. Para o exercício de 2026, será flexibilizado o limite de gastos referentes a projetos estratégicos em defesa nacional”, resume a relatora.

Com informações da Agência Câmara

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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