AGRONEGÓCIO

Abiove: capacidade de processamento de oleaginosas no Brasil cresceu 4,1% no biênio 20/22

De acordo com os dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a capacidade total de processamento de oleaginosas no Brasil, principalmente soja, cresceu 4,1% em 2022 em comparação com o ano de 2020. Esse é o maior aumento desde a pesquisa bienal divulgada em 2016. 

No diesel, a capacidade instalada foi expandida para 66,7 milhões de toneladas ao ano. Segundo a Abiove, o crescimento da capacidade ainda superou a média de 2,5% vista a cada biênio na última década no país. A associação ainda citou um aumento de 88% para 88,7% do total das plantas com capacidade ativa no biênio. 

Neste ano, a Abiove estima o processamento de soja em 48,6 milhões de toneladas, atingindo um recorde anual, com um aumento de aproximadamente 1 milhão de toneladas em comparação com o ano passado, devido ao impulso da firme demanda de farelo de soja e óleo, que compensou  a redução na mistura de biodiesel para o nível de 10% em 2022. 

 Conforme a Abiove, a pesquisa ainda aponta um incremento na capacidade das unidades de grande porte, passando de 5,5 milhões de t/ano em 2020 para 8,7 milhões em 2022. Além disso, o levantamento ainda indicou um aumento da capacidade ativa de processamento em todas as regiões do Brasil. 

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No segmento de refino, a capacidade instalada no Brasil apresentou um crescimento de 3,2%, somando 8 milhões de toneladas/ano. Já a atividade de envase cresceu 5,4%.

Fonte: AgroPlus

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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