TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Integração de sistemas do Judiciário e da Policia Civil garante celeridade processual
A tramitação processual na 1ª Vara Criminal da Capital apresentou uma redução de cerca de 60%. De acordo com o juiz titular da unidade, Lídio Modesto, entre os vários fatores que colaboraram para a melhoria desse indicador está a integração do sistema Cartorium, do conjunto de módulos do Geia da Polícia Civil, com o Processo Judicial Eletrônico (PJe) do Tribunal de Justiça. “O tempo que o processo ficava parado nas prateleiras foi extirpado. Isso é muito enriquecedor”, comemorou o magistrado.
O delegado-geral da PJC-MT, Mário Dermeval Aravechia Resende, reforça que a expectativa é que essa integração gere economia anual de R$ 2 milhões, somente com a eliminação de impressões. “Muita economicidade já foi aferida, tanto direta quanto indireta. E sistemas derivados estão vindo tal como uma central virtual de serviços digitais, que visa incorporar inclusive intimações, que serão feitas pelo próprio sistema”, planeja.
Os sistemas têm linguagens de programação diferentes, impedindo o barramento (uma forma de pareamento que permite a indexação integral e funcional do Inquérito Policial Eletrônico ao PJE). “O que trouxe tanto sucesso foi à criação do Centro Tecnológico da PJC, onde se reúne todas as especialidades da tecnologia para melhorar os sistemas já existentes e usados pela PJC, e isso só foi possível com investimento na área”, aponta o coordenador de Tecnologia da Informação da PJC/MT, Fabio Arruda Góes Ferreira.
“Quando veio o aceleramento tecnológico em decorrência da Covid-19, mais especificamente no ano de 2020, acabamos nos sentindo pressionados: agora temos de fato que fazer valer aquele trabalho que já vínhamos desenvolvendo ao longo desses 10 anos na construção do Sistema Geia”, lembra o gerente de sistemas PJC, Ricardo Barcelar.
O trabalho foi árduo, mas em pouco tempo a solução se mostrou viável e hoje a Polícia Civil de Mato Grosso é referencia no assunto. “Como isso foi desenvolvido por investigadores, escrivães de polícia e delegados, ocorreu com uma celeridade que nós não encontraríamos de outra forma. Acho que esse é o grande diferencial. Nós, inclusive, somos procurados por policias de outros estados”, destaca a diretora executiva investigativa da PJC-MT, Daniela Silveira Maidel.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
TJ mantém prisão domiciliar de policial penal acusada de tentar matar entregador em Cuiabá
Desembargador negou recurso da defesa e manteve prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; vítima foi atingida por três disparos
O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso e manteve a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, da policial penal afastada Jorcenilma França Viegas, acusada de tentar matar o entregador Carlos Filipe, de 34 anos, no bairro CPA 4, em Cuiabá. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).
O crime ocorreu no dia 22 de julho. Segundo as investigações, Carlos foi baleado quando foi até a residência da policial para devolver um celular que havia sido perdido pela filha dela. A devolução do aparelho havia sido previamente combinada, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa.
Carlos foi atingido por três disparos, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde chegou a permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A policial penal foi presa no dia 5 de agosto e posteriormente afastada do cargo. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado.
A defesa alegou excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo os advogados, o inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em 20 de agosto, mas a denúncia ainda não havia sido formalizada.
Os advogados também informaram que ingressaram, em 3 de setembro, com um pedido de relaxamento da prisão na 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A solicitação, entretanto, ainda não havia sido analisada pelo magistrado de primeira instância.
Ao analisar o recurso, Rui Ramos afirmou que decidir sobre a questão antes de uma manifestação da 12ª Vara Criminal configuraria “supressão de instância”. O desembargador também destacou que a defesa não apresentou documentos capazes de demonstrar quais diligências eventualmente teriam sido solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito.
Diante disso, o magistrado entendeu que não era possível reconhecer, naquele momento, eventual demora injustificada do Estado e negou os pedidos apresentados pela defesa.
Rui Ramos determinou ainda que a 12ª Vara Criminal de Cuiabá seja oficiada para prestar informações sobre o andamento do processo e sobre a análise do pedido de relaxamento da prisão.
A decisão mantém, portanto, a prisão domiciliar da policial penal, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto o processo segue em tramitação.
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