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Pauta Concentrada busca fim das chamadas audiências de conciliação pro forma


Judiciário de Mato Grosso quer por fim às audiências de conciliação pro forma (por pura formalidade), nas quais as partes comparecem, mas não apresentam nenhuma proposta de acordo. O cenário já começou a mudar nos juizados especiais de Várzea Grande, Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Cáceres, com a implantação do projeto Pauta Concentrada.
 
Os Juizados Especiais de Cuiabá e Várzea Grande foram os primeiros a experimentarem a estratégia em meados de maio do ano passado. Com resultados satisfatórios, o projeto foi expandido para as três comarcas do interior no mês de outubro, totalizando 4.197 audiências de conciliação realizadas nas cinco comarcas.
 
A juíza Viviane Brito Rebello Isemhagen, do Juizado Especial do Jardim Glória da Comarca de Várzea Grande e coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania dos Juizados Especiais de Cuiabá (Cejusc), idealizadora do projeto, explica que a Pauta Concentrada consiste em agendar a audiência de conciliação dos processos distribuídos em determinado mês para a última semana do mês seguinte, concentrando a pauta e dando um tempo adequado para que os representantes das empresas estudem o caso e levem uma proposta para a mesa de negociação.
 
Por enquanto, o projeto alcança casos que tenham as empresas Vivo/Telefônica e Energisa como parte do processo. Outra alteração garantida pelo projeto foi a obrigatoriedade da reclamada apresentar uma proposta de acordo, além de ampliar o tempo de audiência para 20 minutos.
 
A nova dinâmica garantiu que em todas as audiências realizadas houvesse a apresentação de pelo menos uma proposta de negociação. Com isso, registrou-se um aumento de menos de 5% para cerca de 20% de processos com acordos homologados no período. “As empresas perceberam que a composição entre as partes é a melhor forma de se resolver a demanda. Queremos uma audiência de conciliação feita com mais técnica, com procedimentos avançados que possam ser incorporados na rotina de cada vara”, afirma a magistrada.
 
O advogado Filinto Corrêa da Costa Júnior, do Escritório Corrêa da Costa Advogados e Associados, que atua há 17 anos em Mato Grosso, representou uma das empresas durante as audiências de conciliação nas cinco comarcas que implantaram a “Pauta Concentrada”. Para ele, a nova estratégia trouxe benefícios para todos. “Mas em minha opinião o maior benefício é a contribuição para descongestionar o Judiciário, e com isso dar maior celeridade na resolução dos conflitos”, avalia.
 
Para o advogado, com o projeto as partes têm a oportunidade de conversarem e esclarecerem todos os pontos. “Na grande parte das vezes acabam se entendendo e compondo, e ao mesmo tempo expondo aquele profissional que agiu sem a devida ética. Portanto, a Pauta Concentrada além de contribuir para desafogar o Judiciário, pondo fim ao litígio logo no seu início, também ajuda a tirar do mercado esses advogados que agem de má fé. Infelizmente Mato Grosso possui hoje uma péssima fama de estar exportando ações temerárias produzidas por ‘captadores’, profissionais que cometem graves faltas éticas, que pior, enganam seus clientes, deixando a maioria deles com multa por litigância de má-fé”, comenta.
 
Capacitação – Neste mês de março, o Judiciário irá oferecer um treinamento sobre “Pauta Concentrada” aos advogados e advogadas que atuam nos Juizados Especiais com objetivo de incutir na advocacia a Cultura da Paz, afim de promover audiências de conciliação e mediação eficazes, nas quais o diálogo entre as partes seja a base para a construção de acordos. E a proposta foi bem avaliada por Filinto Corrêa da Costa Júnior. “É uma excelente iniciativa, pois a composição amigável, sempre é benéfica às partes. O advogado na, sua essência, tem que ser um negociador da paz social”, completa.
 
O projeto Pauta Concentrada integra ações do Projeto Juizado por Excelência desenvolvido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e conta com a parceria do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
 
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 Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

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Inscrições abertas: webinário discute julgamento com perspectiva de gênero e direitos das mulheres

O webinário “Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero: Direitos das Mulheres são Direitos Humanos” está com as inscrições abertas. A atividade será realizada de forma virtual, em 13 de maio, das 8h às 11h (horário de Cuiabá) e das 9h às 12h (horário de Brasília), pela plataforma Microsoft Teams. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 12 de maio (Inscreva-se aqui).

Voltada à formação continuada de magistrados, assessores, servidores do Poder Judiciário e operadores do Direito, a capacitação tem carga horária de três horas-aula, com certificação aos participantes.

O evento tem como objetivo fomentar o debate qualificado sobre o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, instituído pela Resolução CNJ nº 492/2023, destacando a importância da incorporação dessa abordagem na atividade jurisdicional como instrumento de promoção da igualdade material e de proteção dos direitos humanos das mulheres.

Ele será conduzido em formato expositivo-dialogado, com apresentação dos fundamentos normativos, teóricos e práticos que orientam o julgamento com perspectiva de gênero, além de espaço para perguntas e debates. A iniciativa busca contribuir para decisões judiciais mais sensíveis às desigualdades estruturais e comprometidas com a dignidade da pessoa humana e o acesso efetivo à Justiça.

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O evento é realizado pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso em parceria com o Comitê de Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres.

Palestrante

A palestra será ministrada pela desembargadora Adriana Ramos de Mello, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, e contará com abertura da desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente do Comitê de Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres do Poder Judiciário de Mato Grosso no biênio 2025/2026.

A desembargadora Adriana Ramos de Mello é doutora em Direito Público e Filosofia Jurídico-Política pela Universidade Autônoma de Barcelona. Atua como presidente do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero da EMERJ, coordena a pós-graduação lato sensu em Gênero e Direito da mesma instituição e lidera o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero, Direitos Humanos e Acesso à Justiça da ENFAM. Também é coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJRJ.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

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Autor: Keila Maressa

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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