AGRONEGÓCIO
CNA discute desafios para produção de fertilizantes no Brasil
Brasília (27/04/2022) – O diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, afirmou em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, na quarta (27), que o grande desafio brasileiro é criar um ambiente de negócios para a indústria de fertilizantes crescer no País sem impor tributação aos importados.
A audiência reuniu representantes do setor agropecuário, indústria química e mineração para discutir a redução da dependência de fertilizantes pelo Brasil, os principais desafios, restrições da produção doméstica e importação de insumos.
“Nossa produção é extremamente tímida e não conhecemos praticamente nada do nosso subsolo e do potencial que podemos ter”, disse.
Segundo ele, o Brasil é muito dependente da importação de fertilizantes. Apenas em 2021, o País comprou 42 milhões de toneladas. Rússia, China e Canadá responderam por quase 50% do total.
Minaré argumentou ainda que essa dependência, associada às turbulências internacionais, tem causado aumento nos preços dos fertilizantes e consequentemente no custo da produção agropecuária. “O grande aumento em 2021 aconteceu devido ao desajuste das cadeias de suprimentos ocorrido com a retomada no pós-pandemia.”

“A safra que foi concluída no início do ano foi a mais cara desse século e seguramente a próxima será igual ou ainda mais cara. Isso reflete no preço dos alimentos para o mundo todo e não só para a população brasileira”, afirmou.
Reginaldo Minaré disse ainda que no final do ano passado e início desse, houve uma indicação de queda no preço dos fertilizantes, mas devido à guerra entre Rússia e Ucrânia houve uma retomada na escalada dos preços.
“Os três principais produtos importados, nitrogênio, fosfato e potássio, de março de 2020 a março de 2022, tiveram aumento acima de 200%”.
Mesmo com a ampliação da produção doméstica, a dependência de importação continuará relevante, ressaltou Minaré. “Esse ponto da importação continuará na nossa agenda por um bom tempo, mesmo se fizermos um dever de casa razoável até 2050”.
Ele mostrou alguns exemplos de ações que podem ser feitas para subsidiar a produção interna de fertilizantes, como melhorar a previsibilidade do calendário do licenciamento ambiental, direcionar a parcela da Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) que cabe à União para fortalecer o orçamento do Serviço Geológico do Brasil por pelo menos uns 10 anos e construir uma modelagem normativa que permita ao Serviço Geológico firmar parcerias com a iniciativa privada para realizar os estudos.
“Com relação à questão tributária, onerar a importação de fertilizantes para viabilizar a indústria doméstica de fertilizantes não é uma saída. Precisamos trazer a tributação dessa indústria para um patamar de neutralidade para que ela floresça e seja competitiva, porque aí teremos o importado e a produção doméstica com preço razoável para não elevar o custo dos alimentos”, ressaltou.
Para ele, o governo não arrecada tributos com a indústria de fertilizantes, porque ela praticamente inexiste.
“Para os governos federal e estadual mesmo com carga tributária zero, o florescimento da indústria de fertilizantes traria um enorme ganho, consolidaria investimentos, geraria empregos e renda, fortaleceria a inovação tecnológica e grande parte do dinheiro que o agricultor envia anualmente para o exterior para comprar fertilizantes ficaria no território nacional. Precisamos de abordagem disjuntiva neste campo.”
Assessoria de Comunicação CNA
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AGRONEGÓCIO
SIAL Canadá registra participação recorde de empresas brasileiras em missão do Mapa no país
Entre os dias 27 e 29 de abril, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, realizou missão oficial ao Canadá com foco na ampliação do acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado canadense, no avanço do diálogo sanitário e na promoção comercial do agro nacional.
A comitiva contou com a participação do chefe de gabinete da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Paulo Márcio Araújo, ex-adido agrícola no Canadá, e do recém-empossado adido agrícola brasileiro no país, Alessandro Fidelis Cruvinel. A programação incluiu reuniões em Ottawa com autoridades canadenses e representantes do setor privado, além da participação brasileira na SIAL Canadá 2026, em Montreal.
Na capital canadense, a delegação reuniu-se com a vice-ministra adjunta de Relações Internacionais do Agriculture and Agri-Food Canada (AAFC), Chris Moran, e com representantes da Canadian Food Inspection Agency (CFIA), responsável pelo serviço sanitário do país. O encontro tratou da pauta agropecuária bilateral e de temas prioritários para os dois países.
Entre os principais pontos discutidos, autoridades canadenses indicaram a realização, em breve, de missão técnica ao Brasil voltada à regionalização de enfermidades, como influenza aviária e doença de Newcastle. Também foi abordada a avaliação para inclusão de novos estados brasileiros reconhecidos como livres de febre aftosa sem vacinação, medida que pode ampliar o acesso da carne brasileira ao mercado canadense.
Para o secretário Luís Rua, a agenda reforça a relevância do diálogo institucional para a obtenção de resultados concretos. “Para abrir mercado, não basta apenas vontade. É preciso negociação, confiança e presença constante. A missão ao Canadá teve exatamente esse objetivo: avançar em temas sanitários, ouvir o setor privado e criar novas oportunidades para quem produz no Brasil”, afirmou.
Considerando a importância do Canadá como fornecedor de potássio ao Brasil, a delegação também realizou visita institucional à Fertilizer Canadá, entidade que representa o setor de fertilizantes no país. A agenda tratou da previsibilidade no comércio de insumos agrícolas e da cooperação com fornecedores em um cenário internacional marcado por incertezas nas cadeias globais de suprimento.
Comércio bilateral
A missão incluiu ainda encontro com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá, realizado na Embaixada do Brasil em Ottawa. A reunião abordou o ambiente de negócios entre os dois países, oportunidades para empresas brasileiras e a retomada das negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá.
No comércio bilateral, o Brasil encerrou 2025 com exportações de US$ 7,25 bilhões para o Canadá, alta de 15% em relação ao ano anterior. As importações brasileiras de produtos canadenses somaram US$ 3,14 bilhões, resultando em superávit de US$ 4,11 bilhões. A corrente de comércio cresceu 14% no período, com destaque para produtos do agro, como açúcar e café.
SIAL Canadá
Em Montreal, última etapa da missão, a delegação participou da SIAL Canadá 2026, realizada de 29 de abril a 1º de maio. A edição registrou a maior participação brasileira já observada no evento, com cerca de 50 empresas e cooperativas presentes.
A ação resultou de esforço conjunto entre o Mapa, a ApexBrasil, a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o Sebrae e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A presença brasileira incluiu rodadas de negócios e exposição de produtos, com o objetivo de ampliar a inserção do agronegócio nacional no mercado canadense.
A participação na feira também permitiu ao secretário Luís Rua dialogar diretamente com representantes do setor privado, especialmente exportadores interessados em ampliar ou iniciar operações no Canadá.
A missão reforça o compromisso do Mapa com a ampliação, diversificação e consolidação do acesso a mercados internacionais, promovendo o reconhecimento da qualidade e da segurança dos produtos agropecuários brasileiros.
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