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Mediação por videoconferência: irmãos buscam Judiciário e firmam acordo de cuidados com mãe idosa

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Sessão de mediação realizada por videoconferência pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), de São Félix do Araguaia (1.200 km a nordeste de Cuiabá) reuniu nove irmãos residentes em municípios diferentes para tratarem da divisão de responsabilidades nos cuidados de saúde da matriarca, de 74 anos, diagnostica recentemente com Alzheimer, doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes.
 
A audiência foi solicitada por Samara Araújo, uma das filhas. Ela mora em São Félix do Araguaia, mesmo município que a mãe, mas está de mudança para Bom Jesus do Araguaia. Preocupada como ficará a integridade física e emocional da matriarca com a mudança Samara procurou os irmãos para uma solução, mas sem sucesso. “Todos querem colaborar, mas não conseguíamos resolver a situação. A discussão foi tão grande que tem gente que já saiu do grupo de whatsApp”, lembra.
 
A filha recebeu orientações e buscou o Cejusc. A audiência foi conduzida pela mediadora Cristiane Ribeiro de Moraes, que estava em Cuiabá, e após quase quatro horas de diálogo entre as partes, que participaram da videoconferência de São Félix do Araguaia, Água Boa, Luciara e um em Franca (SP), resultou exitosa. O acordo construído pelos próprios irmãos foi orientado pela magistrada da Comarca, Janaina Cristina de Almeida e acompanhado pela gestora do Cejusc de São Félix do Araguaia, Carla Souza Campos. “A audiência foi muito emocionante. Todos muito educados e respeitosos, conseguiram dar a opinião deles e se disponibilizaram pelo bem da mãe”, elogiou.
 
O acordo estabelece o planejamento do cuidado e responsabilidade dos filhos com a mãe. A maioria acordou que cada filho deverá se responsabilizar pelo acompanhamento médico e medicamentos manuseados pela mãe durante um mês, escolhido pelos próprios irmãos. Eles já haviam se comprometido a dividir as despesas para contratar com uma cuidadora da idosa manterão a profissional.
 
Uma segunda filha da idosa, Jailma Martins, agradeceu o empenho do Cejusc para unir todos os irmãos. “Saio satisfeita dessa audiência. O Cejusc contribuiu demais para resolver uma questão familiar que nos preocupava muito, mas nunca conseguíamos chegar em um consenso”, destacou. “Criei um grupo novo de WhasApp com todos os irmãos para sabermos da saúde da mãe. Pode-se discutir o que for, mas a regra é que ninguém mais sai”, completou Samara.
 
O defensor público Daniel Oliveira enalteceu a autocomposição. “O resultado desta audiência é mais uma prova de que quando as partes participam da construção do acordo há maior eficiência, qualidade e o sentimento de maior satisfação dos envolvidos”.
 
A gestora lembrou ainda que a adesão do Poder Judiciário às audiências por videoconferência auxiliou o trabalho de promoção de paz social. “O acesso a Justiça ficou mais fácil. Mesmo com o retorno do atendimento presencial a demanda por audiência por vídeo cresceu. De abril a outubro a região regista muitas chuvas, os municípios ficam a cerca de 100 km da comarca e as estradas ficam intransitáveis”, citou. “Nesta audiência tínhamos partes em quatro municípios distintos, sendo um em outro Estado. Além disso, a mediadora estava Cuiabá”, exemplificou.
 
Campanha – O Poder Judiciário de Mato Grosso realiza uma campanha que incentiva as pessoas a optarem pela solução de conflitos de forma rápida, fácil e on-line. Os resultados são animadores. “Comparando de janeiro a março de 2021 com o mesmo período deste ano, tivemos um aumento de 140% de acordos realizados. Um número bem significativo, que demostra que a população está disposta a conversar, dialogar e de uma forma mais rápida, mais acessível e on line, a construir a própria solução”, afirma a juíza coordenadora do Nupemec do Tribunal, Cristiane Padim.
 
Algumas situações que podem ser resolvidas por meio de acordo, sem precisar sair de casa: pensão alimentícia; guarda dos filhos; divórcio; partilha de bens; acidentes de trânsito; dívidas em bancos; danos materiais e morais; questões que envolvam comércio, relação de consumo, vizinhança e outras que dizem respeito aos interesses disponíveis ou indisponíveis transacionáveis.
 
Caso haja interesse em buscar a conciliação basta acessar o portal do Nupemec e abrir uma solicitação.
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. ParaTodosVerem – Descrição das imagens: Print da tela de computador que mostra a videoconferência. Imagem colorida no formato retangular, com nove quadrantes, cada um sendo ocupado por um participante.
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 

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TJ mantém prisão domiciliar de policial penal acusada de tentar matar entregador em Cuiabá

Desembargador negou recurso da defesa e manteve prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; vítima foi atingida por três disparos

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O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso e manteve a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, da policial penal afastada Jorcenilma França Viegas, acusada de tentar matar o entregador Carlos Filipe, de 34 anos, no bairro CPA 4, em Cuiabá. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).

O crime ocorreu no dia 22 de julho. Segundo as investigações, Carlos foi baleado quando foi até a residência da policial para devolver um celular que havia sido perdido pela filha dela. A devolução do aparelho havia sido previamente combinada, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa.

Carlos foi atingido por três disparos, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde chegou a permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A policial penal foi presa no dia 5 de agosto e posteriormente afastada do cargo. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado.

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A defesa alegou excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo os advogados, o inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em 20 de agosto, mas a denúncia ainda não havia sido formalizada.

Os advogados também informaram que ingressaram, em 3 de setembro, com um pedido de relaxamento da prisão na 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A solicitação, entretanto, ainda não havia sido analisada pelo magistrado de primeira instância.

Ao analisar o recurso, Rui Ramos afirmou que decidir sobre a questão antes de uma manifestação da 12ª Vara Criminal configuraria “supressão de instância”. O desembargador também destacou que a defesa não apresentou documentos capazes de demonstrar quais diligências eventualmente teriam sido solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito.

Diante disso, o magistrado entendeu que não era possível reconhecer, naquele momento, eventual demora injustificada do Estado e negou os pedidos apresentados pela defesa.

Rui Ramos determinou ainda que a 12ª Vara Criminal de Cuiabá seja oficiada para prestar informações sobre o andamento do processo e sobre a análise do pedido de relaxamento da prisão.

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A decisão mantém, portanto, a prisão domiciliar da policial penal, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto o processo segue em tramitação.

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