VÁRZEA GRANDE MT
Várzea Grande realiza sua primeira cirurgia bariátrica do Fila Zero
“Não esperava ser chamado, foi uma surpresa. Tenho certeza que agora vou ter mais disposição no trabalho, mais saúde e qualidade de vida”
Como parte das ações de celebração aos 158 anos de fundação de Várzea Grande, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, dá mais um passo inédito e histórico na área da saúde pública: a realização da primeira cirurgia bariátrica. O procedimento, que simboliza um novo momento para a rede municipal, foi viabilizado dentro do programa Fila Zero, que tem como objetivo reduzir a espera por procedimentos eletivos e garantir mais qualidade de vida à população.
O paciente que vai estrear essa nova fase da saúde de Várzea Grande, Everton Rodrigues da Silva, tem 33 anos, é secretário escolar, e está na fila desde de 2024 aguardando pela cirurgia, mas, na fila de regulação do Estado. Com 215 quilos, Everton viu no procedimento a chance de uma vida mais saudável e com mais autoestima. “Não esperava ser chamado, foi uma surpresa. Tenho certeza que agora vou ter mais disposição no trabalho, mais saúde e qualidade de vida”, relatou.
A cirurgia será realizada no dia do aniversário de Várzea Grande, 15 de maio, no Hospital Santa Rita, pelo cirurgião doutor Emanuel Almeida, profissional renomado e especializado em procedimentos bariátricos. Segundo doutor Emanuel, o paciente Everton vem se preparando para a cirurgia há três meses, para cumprir as etapas exigidas pelo protocolo médico, incluindo consultas, exames laboratoriais, avaliações digestivas e cardíacas, além do acompanhamento com equipe multidisciplinar.
Conforme o doutor Emanuel, a escolha da técnica da cirurgia deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde, considerando os benefícios, riscos e as particularidades de cada paciente. No caso de Everton, a indicada foi a By-pass Gástrico, que é a técnica mais realizada no Brasil. Ela consiste em reduzir o tamanho do estômago criando um pequeno reservatório e fazendo uma ligação do intestino delgado a esse reservatório. Ele tem o objetivo de reduzir a ingestão e absorção de calorias. O procedimento cirúrgico será por laparoscopia.
Segundo a subsecretária da Atenção Terciária, Érica Auxiliadora Carvalho, a realização da cirurgia bariátrica em Várzea Grande é um marco histórico. “A rede municipal de saúde não tinha suporte para esse tipo de procedimento. Agora, com a parceria com o Hospital Santa Rita, mostra o quanto estamos avançando e contribuindo para a descentralização dos serviços de alta e média complexidade no município”, destacou.
Para a secretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Deisi Bocalon, que também, já passou por uma cirurgia bariátrica, conhece bem a transformação que o procedimento promove na vida de uma pessoa. “Poder proporcionar a população várzea-grandense uma cirurgia bariátrica pelo SUS não é apenas uma conquista da gestão municipal, mas um reflexo do compromisso com uma saúde pública mais humanizada, acessível e eficiente”, comemora.
Segundo a superintendente de Regulação, do município, Mariely Patrícia Monteiro, há cerca de 341 pacientes de Várzea Grande regulados em Cuiabá, aguardando a cirurgia bariátrica, mas que ainda não deram continuidade aos protocolos exigidos. “Com a estrutura disponível em Várzea Grande, a expectativa é que esses pacientes possam ser beneficiados, desde que cumpram os protocolos obrigatórias para a realização da cirurgia”, enfatiza Mariely.
Além da cirurgia bariátrica, outros procedimentos também estão sendo realizados como parte do programa Fila Zero, incluindo histerectomias e retirada de vesícula. Já exames de imagem, como tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias, acontecerão nos dias 15 e 16 de maio no Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, por meio de parceria com a empresa Diagnóstico e Imagem Santa Rosa.
VÁRZEA GRANDE MT
Agentes comunitários de Várzea Grande reforçam atuação no combate à hanseníase
Os agentes comunitários de saúde de Várzea Grande estão no centro de uma estratégia que busca transformar a realidade de uma das doenças mais antigas ainda presentes no Brasil: a hanseníase. Mais de 80 profissionais participaram, nesta semana, de dois dias de capacitação realizados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, dentro de um projeto piloto idealizado pela Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase.
A iniciativa, presidida pelo deputado estadual Dr. João (MDB), marca o início de uma mobilização que pretende alcançar os 142 municípios de Mato Grosso. Durante o encontro, os participantes receberam treinamento para fortalecer a identificação precoce da doença, ampliar a busca ativa de casos e contribuir para a redução da transmissão.
Segundo o parlamentar, a proposta é estruturar uma rede de profissionais preparados para atuar diretamente nos territórios. “Este é o pontapé inicial para colocarmos em prática a capacitação de todos os profissionais de saúde. Vamos percorrer os municípios, qualificar as equipes, intensificar a busca ativa, realizar diagnósticos e garantir o tratamento, com o objetivo de tirar Mato Grosso dessa triste liderança em casos de hanseníase”, afirmou.
Para quem atua diretamente nas comunidades, o conhecimento adquirido representa mais segurança no atendimento. A agente comunitária Mariazinha da Silva, da unidade do bairro Vila Arthur, destacou a importância da qualificação. “A capacitação é essencial para quem está na ponta, em contato direto com a população. Ela amplia o conhecimento, melhora a identificação precoce dos casos, qualifica a orientação aos pacientes e ajuda a reduzir o preconceito que ainda existe sobre a doença”, relatou.
De acordo com ela, momentos como esse também fortalecem o trabalho em equipe e ampliam a capacidade de acolhimento e acompanhamento dos pacientes.
A enfermeira responsável técnica pela linha de cuidado em hanseníase no município, Adriana Matos, reforçou o papel estratégico dos agentes comunitários. “Essa capacitação é um divisor de águas. O agente está dentro das casas, conhece o território e a rotina das famílias. Ao identificar uma mancha suspeita ou perda de sensibilidade, ganhamos tempo precioso. O diagnóstico precoce não é apenas sobre curar, mas sobre evitar sequelas irreversíveis e interromper a cadeia de transmissão”, destacou.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Janaína Pauli, ressaltou que o enfrentamento da doença depende da atuação integrada entre instituições e do vínculo com a população. “Mato Grosso é considerado endêmico porque realiza busca ativa dos casos. Além do estigma, um dos grandes desafios é o abandono do tratamento. Por isso, é fundamental que os agentes de saúde sejam essa ponte, sensibilizando pacientes que muitas vezes permanecem em casa por vergonha de procurar atendimento”, explicou.
TRATAMENTO PELO SUS – A hanseníase tem tratamento gratuito e cura, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A qualificação dos agentes comunitários reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado, fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.
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