VÁRZEA GRANDE MT
Festa de São Pedro ganha novo formato e une católicos e evangélicos na celebração da fé e da tradição várzea-grandense
A inovação marca um novo capítulo na história do evento, reforçando a união entre diferentes denominações cristãs sob a premissa de que “a palavra de Deus é uma só e une”
A tradicional Festa de São Pedro, realizada há 44 anos no Distrito de Bonsucesso, em Várzea Grande, deu um passo inédito em 2025 ao ampliar suas celebrações e incluir, pela primeira vez, um dia dedicado à comunidade evangélica.
A abertura oficial ocorreu na noite deste sábado, 28 de junho, com músicas, louvores e a pregação da palavra de Deus. A inovação marca um novo capítulo na história do evento, reforçando a união entre diferentes denominações cristãs sob a premissa de que “a palavra de Deus é uma só e une”.
Católica em sua origem, a Festa de São Pedro homenageia o apóstolo pescador, um dos discípulos mais próximos de Jesus Cristo e considerado o primeiro Papa pela Igreja Católica. Pedro é símbolo de fé, liderança e transformação. Agora, a celebração que leva seu nome também se transforma, sem perder suas raízes.
Representando a prefeita Flávia Moretti (PL), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, Mário Quidá, participou da abertura e destacou a importância da festa para o fortalecimento da cultura local e da economia. “Bonsucesso virou um polo de turismo gastronômico. A Festa de São Pedro é uma tradição que movimenta a comunidade e atrai visitantes. É um evento que valoriza a fé, a cultura e aquece a economia local, gerando renda para quem vive aqui”, afirmou o gestor.
Quidá também pontuou que ao incluir diferentes manifestações da fé cristã, “Bonsucesso mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas, em nome da fé e da coletividade”.
A abertura festiva foi conduzida pelo pastor Jesse, com alunos da Acamis, seguida por apresentações culturais da AMFMT de cururu e siriri que já são marca registrada do evento. A integração entre as expressões religiosas foi bem recebida pela população e pelos organizadores, como destacou a festeira GiKa de Magalhães. “É uma alegria ver os moradores realizando a festa com as próprias mãos e ainda tendo a oportunidade de lucrar com ela. Por muitos anos, quem ganhava com a festa vinha de fora. Agora, a renda fica aqui, com o nosso povo”, celebrou.
O vereador Samir Katumata (PL) também participou da celebração e ressaltou o papel da união entre fé, cultura e política pública. “Essa é uma festa do povo, feita para o povo. E quando a administração pública valoriza esse tipo de evento, ela está valorizando a identidade de Várzea Grande”, disse.
Para o superintendente de Cultura de Várzea Grande, Leandro Manduca, a novidade representa um avanço na forma de pensar as tradições. “Modernizar é incluir. Ampliamos as festividades católicas sem perder o foco na tradição de São Pedro, trazendo novas linguagens religiosas e mais possibilidades culturais para a comunidade”, pontuou.
A festa prossegue neste domingo, dia 29, Dia de São Pedro, com a programação religiosa católica, missa, procissão, apresentações culturais e quatro toneladas de peixe para almoço gratuito.
VÁRZEA GRANDE MT
Agentes comunitários de Várzea Grande reforçam atuação no combate à hanseníase
Os agentes comunitários de saúde de Várzea Grande estão no centro de uma estratégia que busca transformar a realidade de uma das doenças mais antigas ainda presentes no Brasil: a hanseníase. Mais de 80 profissionais participaram, nesta semana, de dois dias de capacitação realizados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, dentro de um projeto piloto idealizado pela Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase.
A iniciativa, presidida pelo deputado estadual Dr. João (MDB), marca o início de uma mobilização que pretende alcançar os 142 municípios de Mato Grosso. Durante o encontro, os participantes receberam treinamento para fortalecer a identificação precoce da doença, ampliar a busca ativa de casos e contribuir para a redução da transmissão.
Segundo o parlamentar, a proposta é estruturar uma rede de profissionais preparados para atuar diretamente nos territórios. “Este é o pontapé inicial para colocarmos em prática a capacitação de todos os profissionais de saúde. Vamos percorrer os municípios, qualificar as equipes, intensificar a busca ativa, realizar diagnósticos e garantir o tratamento, com o objetivo de tirar Mato Grosso dessa triste liderança em casos de hanseníase”, afirmou.
Para quem atua diretamente nas comunidades, o conhecimento adquirido representa mais segurança no atendimento. A agente comunitária Mariazinha da Silva, da unidade do bairro Vila Arthur, destacou a importância da qualificação. “A capacitação é essencial para quem está na ponta, em contato direto com a população. Ela amplia o conhecimento, melhora a identificação precoce dos casos, qualifica a orientação aos pacientes e ajuda a reduzir o preconceito que ainda existe sobre a doença”, relatou.
De acordo com ela, momentos como esse também fortalecem o trabalho em equipe e ampliam a capacidade de acolhimento e acompanhamento dos pacientes.
A enfermeira responsável técnica pela linha de cuidado em hanseníase no município, Adriana Matos, reforçou o papel estratégico dos agentes comunitários. “Essa capacitação é um divisor de águas. O agente está dentro das casas, conhece o território e a rotina das famílias. Ao identificar uma mancha suspeita ou perda de sensibilidade, ganhamos tempo precioso. O diagnóstico precoce não é apenas sobre curar, mas sobre evitar sequelas irreversíveis e interromper a cadeia de transmissão”, destacou.
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Janaína Pauli, ressaltou que o enfrentamento da doença depende da atuação integrada entre instituições e do vínculo com a população. “Mato Grosso é considerado endêmico porque realiza busca ativa dos casos. Além do estigma, um dos grandes desafios é o abandono do tratamento. Por isso, é fundamental que os agentes de saúde sejam essa ponte, sensibilizando pacientes que muitas vezes permanecem em casa por vergonha de procurar atendimento”, explicou.
TRATAMENTO PELO SUS – A hanseníase tem tratamento gratuito e cura, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A qualificação dos agentes comunitários reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado, fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.
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