TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Palestra aborda crimes virtuais contra crianças e adolescentes e táticas de proteção
Em sua palestra, a delegada Jannira Laranjeira explicou como funciona a tática do grooming, utilizada pelos criminosos para aliciar sexualmente crianças e adolescentes por meio de um contato constante de forma on-line, que se desenvolve inicialmente com elogios e oferta de presentes para obter a confiança da vítima e, posteriormente, passa para situações de chantagem e consumação do crime.
Vulnerabilidades na internet e como proteger as crianças e adolescentes – Em sua palestra, o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Ruy Guilherme Peral da Silva, deu ênfase aos pontos de vulnerabilidade das crianças e adolescentes com acesso à internet, que representam 95% do total dessa faixa etária, atualmente. No entanto, ele também deu sugestões de como os pais podem proteger seus filhos dos crimes cibernéticos, principalmente os sexuais.
Conforme a juíza Melissa de Lima Araújo, os crimes sexuais contra crianças e adolescentes representam uma triste realidade pois a maioria deles são cometidos dentro da própria casa e por pessoas próximas. “Ás vezes, esses crimes perduram por um tempo até que a criança ou adolescente consegue relatar pra alguém, consegue denunciar o que está ocorrendo. Então isso causa uma desestrutura. Muitas vezes, a mãe não acredita no que a criança está relatando, então é preciso retirar a criança do lar porque, às vezes, não tem um familiar pra acolher essa criança, que vai pra uma instituição. As mazelas são infinitas. Além dela estar sofrendo uma violência, dela ter um trauma natural pelo próprio ato sexual que envolveu o abuso, ela também vai ter uma perda emocional”, comentou a magistrada. Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Curso de formação aborda judicialização da saúde e reforça atuação prática de magistrados
A formação dos novos juízes e juízas de Mato Grosso ganhou um reforço prático nesta quarta-feira (06) com uma aula voltada para a judicialização da saúde. Conduzido pelo secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, o encontro do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi) de magistrados destacou a importância de decisões equilibradas, que considerem tanto o direito à vida quanto a realidade do sistema público de saúde.
Durante a aula, os juízes foram orientados a alinhar teoria e prática, levando em conta fatores como orçamento público, evidências científicas e a estrutura disponível na rede de saúde. “A ideia do Cofi sempre foi oportunizar aos novos magistrados o contato com colegas mais experientes, para compartilhar situações do dia a dia, aliando teoria e prática. Trouxemos elementos que possam ser utilizados no cotidiano, principalmente em ações que envolvem a saúde pública”, explicou o juiz Agamenon.
Formação prática
O conteúdo também abordou a evolução das estruturas de apoio no Estado, como o NAT-Jus, o Cejusc da Saúde e o Núcleo 4.0, criados para qualificar decisões e dar mais agilidade às demandas. A proposta é incentivar o diálogo institucional entre Judiciário e gestores públicos, evitando medidas ineficazes, como bloqueios de recursos sem planejamento.
“A saúde pública está entre as áreas com maior volume de demandas no Judiciário. É fundamental que o magistrado compreenda como funciona o sistema, conheça a realidade local e saiba avaliar quando uma liminar é cabível”, reforçou o secretário-geral.
Para a juíza Ana Flávia Martins François, da Primeira Vara de Juína, o aprendizado tem impacto direto na atuação. “Está sendo de grande valia, principalmente para quem está iniciando na carreira. Conhecer ferramentas como o Núcleo Digital 4.0 da Saúde e o Cejusc contribui para dar mais efetividade às decisões judiciais”, destacou.
Desafios reais
A magistrada Ana Flávia também relatou que já vivencia situações semelhantes na rotina forense, especialmente em plantões judiciais. “Frequentemente surgem pedidos por leitos de UTI. Muitas vezes, o Estado não consegue atender todas as demandas, o que exige soluções mais rápidas e eficientes, como o encaminhamento para núcleos especializados”, afirmou.
O juiz Felipe Barthón Lopez, da comarca de Vila Rica, ressaltou o caráter prático da aula. “Foi muito importante porque trouxe dicas aplicáveis ao dia a dia. Os novos magistrados vão enfrentar diversos desafios, e esse tipo de orientação ajuda a preparar para situações reais”, pontuou.
Embora ainda atue na área criminal, ele reconhece a relevância do tema. “É importante estar preparado, porque futuramente esses desafios certamente farão parte da atuação”, completou.
O Curso Oficial de Formação Inicial de Juízes Substitutos (Cofi), iniciado em janeiro pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), é etapa obrigatória para o exercício da jurisdição. Com carga horária de 496 horas, a formação combina teoria e prática supervisionada, preparando os novos magistrados para uma atuação técnica, humanizada e alinhada às demandas da sociedade.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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