TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Neurologista explica funcionamento do cérebro autista e reforça direitos em palestra
A manhã da 6ª edição do projeto “TJMT Inclusivo: Capacitação e Conscientização em Autismo”, nesta sexta-feira (5), em Cuiabá, foi marcada por um convite à reflexão. O neurologista infantil Dr. Thiago Barbosa Gusmão abriu as atividades com a palestra “Atualidades sobre o TEA – Mitos e Verdades”, oferecendo ao público uma visão aprofundada, acessível e sensível sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e os caminhos necessários para uma inclusão que ultrapasse discursos e se torne prática cotidiana.
Com uma fala clara e empática, o especialista reforçou que “inclusão não é gentileza, é justiça; acolhimento não é favor, é direito”. Ele destacou que compreender o autismo é entender que não se trata de doença, mas sim de um transtorno neurobiológico que altera a forma como a pessoa processa sentimentos, atenção e foco, acompanhando o indivíduo ao longo da vida.
Desmistificar para incluir
Ao longo da palestra, Dr. Thiago desconstruiu mitos que ainda permeiam o tema. Segundo ele, o primeiro passo é romper preconceitos que limitam o desenvolvimento das crianças.
“Desmistificar é quebrar o preconceito. Não é porque a criança não fala ou não interage que ela é autista e, ao mesmo tempo, não é a ausência de fala que define suas capacidades”, contextualizou.
O médico explicou que a comunicação é apenas uma das muitas áreas que podem trazer desafios. Outro mito enfrentado pelas crianças autistas, discutido durante a fala do especialista, é sobre não sentirem empatia.
“O primeiro mito a ser quebrado é esse. A empatia existe, mas o processamento emocional acontece de forma diferente. Às vezes a criança não responde como esperamos, mas isso não significa falta de afeto”, disse, de forma contundente.
Entendendo o cérebro no TEA
Dr. Thiago Barbosa Gusmão apresentou aspectos científicos que ajudam a compreender o funcionamento neurológico das pessoas autistas. Ele destacou temas como maturação neural, função executiva, organização sensorial e a necessidade de respostas ambientais estruturadas.
Explicou ainda que a aversividade a estímulos está associada a disfunções no sistema límbico, e que dar previsibilidade, ajustar rotinas e adaptar metodologias são estratégias fundamentais para reduzir crises e ampliar a autonomia.
“Às vezes, o que vemos como birra é, na verdade, sofrimento. Nenhum ser humano se machuca para chamar atenção. Quando isso acontece, é porque a criança está desorganizada, sobrecarregada ou sem ferramentas para se comunicar”, destacou.
Diagnóstico: cuidado e responsabilidade
O neurologista chamou atenção para os riscos de diagnósticos equivocados e simplistas. De acordo com o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma a cada grupo de 38 crianças entre 5 e 9 anos estão no TEA. O médico alerta que isso exige preparo técnico, e não precipitação.
Ele ressaltou ainda que, só em Cuiabá, as estimativas apontam para 20 mil a 30 mil pessoas autistas, número que demanda políticas públicas, profissionais capacitados e apoio às famílias, especialmente diante dos custos do tratamento.
O papel da família e da sociedade
Para Dr. Thiago, famílias informadas são pilares da inclusão real. “Não se deve limitar o filho. É a sociedade que precisa respeitar, se adaptar e potencializar as capacidades dessa criança”, disse o neurologista, reforçando que “gerir o que é funcional em casa para você e para seu filho é essencial”.
Para ele, intervenções individualizadas, alinhadas a metodologias adaptadas, fazem diferença direta na aprendizagem e qualidade de vida.
Transformando olhares
O encontro integra a programação do evento promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que reúne magistrados, servidores, profissionais da educação e saúde, estudantes, famílias e sociedade para ampliar o diálogo sobre inclusão e direitos.
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Autor: Vitória Maria Sena
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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Inscrições abertas: CNJ promove seminário internacional sobre direitos sociais e trabalho
Magistrados e magistradas do Poder Judiciário de Mato Grosso têm uma oportunidade de aprofundar o debate sobre direitos sociais e trabalho em perspectiva internacional. Estão abertas as inscrições para o Seminário Internacional Constitucionalismo Social e Direito Internacional do Trabalho, que será realizado no dia 4 de maio, a partir das 10h, em Brasília, com transmissão online.
Promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), o evento tem como foco a qualificação da magistratura e de profissionais que atuam com direitos humanos e direito do trabalho.
A proposta é promover uma reflexão qualificada sobre os desafios contemporâneos da proteção ao trabalho e reforçar a centralidade dos direitos sociais nas democracias constitucionais. O seminário também dialoga com iniciativas do Judiciário voltadas à valorização do trabalho decente, ampliando a integração entre a atuação jurisdicional e parâmetros internacionais, especialmente no âmbito do sistema interamericano.
Inscrições e participação
As inscrições já estão abertas e devem ser realizadas por meio de formulário eletrônico. Estão disponíveis 50 vagas para participação presencial. Quem não estiver em Brasília poderá acompanhar o seminário ao vivo pelo canal do CNJ no YouTube.
Além da magistratura, a atividade também contempla membros do Ministério Público, defensoras e defensores públicos, servidoras e servidores do Sistema de Justiça, além de especialistas e pesquisadores das áreas envolvidas.
Programação do seminário
A abertura contará com autoridades do sistema de Justiça, incluindo os presidentes do CNJ e do STF, ministro Edson Fachin, e do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, além do diretor da Enamat Augusto César Leite de Carvalho. Na sequência, será realizada a conferência de abertura, que abordará a proteção ao trabalho no sistema interamericano de direitos humanos, com participação internacional.
No período da tarde, a programação segue a partir das 14h com painéis temáticos que tratam de pontos estratégicos para a atuação jurisdicional, como o monitoramento de decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos relacionadas ao direito do trabalho no Brasil, a transversalidade das normas internacionais trabalhistas e as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho para a promoção do trabalho decente.
Autor: Vitória Maria Sena
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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