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Judiciário capacita mais de 480 servidores magistrados em treinamento do JusBrasil

O Poder Judiciário de Mato Grosso (TJMT), por meio da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, realizou treinamento on-line sobre a plataforma JusBrasil. O evento reuniu mais de 480 participantes, entre magistrados, assessores e servidores do Judiciário estadual.
A capacitação ocorreu na tarde de sexta-feira (27) após a renovação do contrato com a empresa, garantindo que todos os magistrados e servidores do Judiciário mato-grossense continuem tendo acesso à ferramenta, considerada essencial para o desenvolvimento das atividades judiciais.
A apresentação foi conduzida pela representante da empresa, Letícia Ferreira, que realizou demonstração direta na plataforma e detalhou todas as funcionalidades disponíveis. Durante o treinamento, os participantes puderam acompanhar, em tempo real, exemplos práticos de consulta processual, incluindo a visualização de processos utilizados naquele momento.
O coordenador da Corregedoria, João Gualberto Nogueira Neto, destacou que o Judiciário estadual já utiliza o sistema há algum tempo e que a renovação contratual é fundamental para assegurar a continuidade de um serviço que contribui significativamente para a produtividade e a qualidade do trabalho desenvolvido.
“A renovação garante que possamos continuar utilizando uma ferramenta que otimiza o tempo e qualifica as pesquisas”, ressaltou.
Embora o acesso esteja disponível a todos os servidores, a plataforma é mais utilizada por magistrados e servidores lotados em gabinetes, que atuam diretamente na elaboração de decisões judiciais.
Entre as funcionalidades apresentadas, destaca-se a ferramenta de jurisprudência, uma das mais tradicionais e utilizadas. Por meio dela, é possível acessar, de forma otimizada, jurisprudência atualizada de tribunais de todo o país, evitando consultas individualizadas em cada site e proporcionando maior agilidade na pesquisa de entendimentos sobre temas específicos.
Outro recurso demonstrado foi a consulta processual, que realiza a coleta de processos diretamente nos sites dos tribunais brasileiros, além do acesso aos Diários Oficiais de todos os tribunais do país.
Como novidade desta renovação contratual, foi apresentada a possibilidade de disponibilização do JusI.A, ferramenta de inteligência artificial da plataforma, que poderá otimizar ainda mais o trabalho dos assessores. Segundo o coordenador, a empresa disponibilizará a funcionalidade por 30 dias para teste. Caso haja aprovação e boa aceitação por parte dos servidores, poderá ser firmado aditivo contratual para inclusão definitiva do serviço.
Durante o treinamento, também foram repassadas orientações práticas aos usuários, como a solicitação de convite apenas em caso de efetiva utilização do sistema e a necessidade de realizar logout após o uso, a fim de liberar acessos para outros usuários.

Autor: Assessoria de Comunicação

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Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Do silêncio à representatividade: trajetória de educadora sensibiliza no TJMT Inclusivo

Dona de uma sinceridade cativante e de um bom humor genuíno, a professora Thaís Augusta de Paula promoveu, ao longo de quase duas horas, uma profunda e necessária reflexão sobre a deficiência. Sem dar voltas ou usar eufemismos, Thaís contou sua história e a perspectiva de falecer em poucos anos de vida. Hoje, aos quase 50 anos, utiliza uma scooter para se locomover e usa cabelos curtos porque sua condição, decorrente de sequelas da paralisia infantil (poliomielite), já não lhe permite a coordenação e a força motora necessárias para pentear os cabelos. Sua participação integrou a programação do projeto “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) nos dias 15 (Fórum de Cuiabá) e 16 (na Igreja Lagoinha).

Com o tema “Além do Olhar: Compreendendo a Pluralidade das Deficiências”, Taís, que é superintendente de Promoção e Articulação de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), conduziu uma fala direta, sensível e profundamente conectada com a realidade vivida por milhares de famílias.

“Transformo dor em força e voz ativa”, afirmou, ao sintetizar a trajetória que a levou da exclusão à liderança na formulação de políticas públicas.

Primeira mulher com deficiência a ocupar a função no Estado, ela destacou o simbolismo de estar diante de um público expressivo, formado majoritariamente por profissionais da educação. Em tom emocionado, dirigiu-se à vice-presidente do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho: “Essa mulher que fala com a senhora hoje, quando criança sonhava em falar para milhões de pessoas”, disse, ao agradecer a oportunidade de dialogar com cerca de 2,1 mil participantes no segundo dia do evento.

Ao resgatar memórias da infância, Taís evidenciou a exclusão vivida no ambiente escolar e o impacto dessas experiências em sua formação. “Lá, excluída na sala de aula, no cantinho, eu ficava olhando pela janela e pensava: ‘Um dia eu vou falar para milhares de pessoas’”, relembrou. “E hoje estou aqui, falando para tantas pessoas reunidas, especialmente para quem atua na educação, área que também é a minha base. Estou muito feliz, muito emocionada”, completou.

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A professora destacou que sua trajetória foi marcada por dificuldades sociais e econômicas, mas também pela força da educação como instrumento de transformação. “Eu sou filha de mãe solo, cresci em bairro periférico, estudei sempre em escola pública, mas a minha mãe me fez acreditar que, por meio da educação, eu poderia transformar a minha vida”, afirmou.

Ao abordar sua condição de saúde, Taís também compartilhou, com transparência, os desafios atuais e futuros. “Segurar o microfone para mim é como segurar um saco de arroz, de tão pesado. E o meu diagnóstico é que, com 50 anos, posso perder ainda mais movimentos. Mas, enquanto eu viver, eu vou servir. Enquanto a minha mente funcionar, o meu corpo pode até me abandonar, mas eu vou continuar lutando para que as pessoas com deficiência sejam de fato incluídas em uma sociedade que ainda insiste em fingir que nós não existimos”.

Durante a palestra, Taís também abordou os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no acesso a recursos e serviços. “Tudo para a pessoa com deficiência é mais caro, mais difícil. Essa cadeira (scooter) que hoje é como minhas pernas é inacessível para a maioria. Isso também é inclusão: garantir acesso”, destacou.

Ao compartilhar sua vivência como educadora, ela relembrou episódios de exclusão dentro do próprio ambiente profissional. “Na minha época, o aluno com deficiência era visto como um fardo. E, quando me tornei professora, muitas vezes fui excluída pelos próprios colegas. Mas nunca pelos meus alunos”, afirmou, ao evidenciar o contraste entre preconceito estrutural e relações humanas mais sensíveis no cotidiano escolar.

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Mesmo diante das adversidades, Taís ressaltou que a inclusão exige não apenas estrutura, mas também atitude e compromisso. “A sociedade tem o poder de transformar, mas também de excluir. E a educação está no centro disso. Se a gente não avançar na inclusão dentro da escola, não teremos adultos com deficiência vivendo com dignidade”, pontuou.

É preciso agir

Ao final, fez questão de reconhecer a importância de iniciativas institucionais como a promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. “O que estamos vivendo aqui é um marco para Mato Grosso e para Cuiabá. É isso que nós precisamos: falar, refletir e agir sobre inclusão”, afirmou.

Ao promover um ambiente de escuta, formação e sensibilização, o “TJMT Inclusivo” reafirma o compromisso do TJMT com a construção de uma sociedade mais justa, acessível e verdadeiramente inclusiva, consolidando-se como referência na articulação entre o Judiciário e a sociedade pela dignidade da pessoa humana.

O evento

Ao longo dos dois dias, o evento reuniu magistrados, assessores, educadores e cuidadores de crianças com deficiência em um amplo espaço de diálogo e construção coletiva, reafirmando o papel institucional do Judiciário na promoção de políticas públicas mais inclusivas e efetivas.

O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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