TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Fórum de Cuiabá promove diálogo sobre o câncer de mama no Outubro Rosa
O Fórum de Cuiabá recebeu, nesta quinta-feira (16 de outubro), uma roda de conversa sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, em alusão à campanha “Outubro Rosa – Se Ame, Se Toque, Se Cuide!”. O encontro, realizado pela Coordenadoria de Gestão de Pessoas (CGP), por meio do Departamento de Saúde do TJMT, promoveu um momento de diálogo, acolhimento e conscientização.
A diretora do Fórum de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, destacou a importância de manter o tema sempre em pauta e de oferecer espaços de apoio dentro do Poder Judiciário.
“É sempre uma honra receber pessoas para falar com nossas servidoras sobre algo tão importante como o combate ao câncer de mama, que ainda é uma das maiores causas de morte entre mulheres. Nunca é demais reforçar essa mensagem. Institucionalmente, o Fórum busca apoiar magistradas, servidoras e colaboradoras que enfrentam o câncer, mostrando que não estão sozinhas. A campanha é também uma forma de dizer que o Poder Judiciário está de portas abertas para acolher, orientar e caminhar junto”, afirmou.
A roda de conversa faz parte da programação do Outubro Rosa no Fórum de Cuiabá, que inclui outras ações de conscientização, como a Pink Box, um espaço de acolhimento e homenagem às servidoras que venceram o câncer, e a Caminhada “Corra Rosa, Viva Forte”, marcada para o dia 24 de outubro, com saída do Fórum e destino à Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM).
“Temos aqui outras ações, como a Pink Box, que permanece até o fim do mês como um lembrete diário da importância da prevenção e como um espaço simbólico de acolhimento. Na próxima semana, teremos a caminhada do Fórum até a Amam, em homenagem à campanha. É uma forma de mostrar que nos importamos e que estamos juntos nessa luta”, acrescentou a magistrada.
Conscientização e diagnóstico precoce
Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde apontam que o Brasil deve registrar mais de 73 mil novos casos de câncer de mama em 2025. O órgão também atualizou o protocolo nacional, reduzindo a idade recomendada para a realização da mamografia de 50 para 40 anos, a fim de ampliar o diagnóstico precoce.
O médico mastologista Luciano Florisbelo alertou para os índices de diagnóstico tardio, especialmente em Mato Grosso. “Ainda é o tumor que mais mata mulheres, tanto no Brasil quanto fora. Só neste ano e no próximo, o país deve registrar 73 mil novos casos. Em Mato Grosso, 53% dos diagnósticos acontecem em estágios avançados, o que dificulta o tratamento. Por isso é tão importante estimular o autoexame, a mamografia e o acompanhamento médico regular. O diagnóstico precoce salva vidas”, explicou.
O oncologista André Henrique Crepaldi também destacou o impacto das informações corretas na prevenção e no tratamento. “Quando o diagnóstico é precoce, as chances de cura ultrapassam 95%. Além disso, não é mais uma doença apenas de mulheres idosas, pois até 30% dos casos ocorrem antes dos 50 anos. O cuidado físico, mental e espiritual deve fazer parte da rotina”, pontuou.
A roda de conversa também foi marcada por um momento de emoção, com o depoimento de Tatiane Ribeiro, tricologista e ex-servidora do TJMT, que compartilhou sua história de superação. “Hoje finalizei minha última quimioterapia e digo que é possível estar no caos de um tratamento e viver o extraordinário. Descobri o nódulo em maio do ano passado e comecei o tratamento em agosto. Existe medo, sim, mas só tem chance de lutar pela vida quem descobre a tempo. O câncer não é o fim, mas pode ser o início de uma virada na vida. No meu caso, foi libertador e estou vivendo minha melhor fase”, contou.
A servidora Marina Oliveira da Costa, de 67 anos, participou do evento e reforçou a importância do autocuidado. “Muitas mulheres nunca ouviram falar ou não sabem fazer o autoexame. Por isso, é importante que a gente continue falando. Eu sempre faço meus exames preventivos, e as mulheres precisam se cuidar não só em outubro, mas o ano todo”, afirmou.
As iniciativas reforçam o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) com a promoção do diálogo, do autocuidado e da prevenção como formas de combater e prevenir o câncer de mama.
Autor: Emily Magalhães
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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