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Com apoio do TJ, SemiEdu e Encontro de Escolas Quilombolas ampliam diálogo sobre educação decolonial

O Seminário de Educação (SemiEdu) chega à 33ª edição em 2025 e acontece paralelo ao VII Encontro de Educação Escolar Quilombola. As iniciativas promovem a formação de saberes, pesquisa e diálogo entre os educadores de Mato Grosso, com encontros que acontecem entre os dias 26 e 28 de novembro.

O evento conta com apoio institucional do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que se junta à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para fortalecer debates sobre educação quilombola, indígena, campesina e decolonial.

A juíza Renata Parreira, coordenadora do Comitê de Promoção da Equidade Racial do TJMT, enfatiza a importância dessa aproximação do Judiciário com as demandas das comunidades que vivem em locais de difícil acesso.

“As questões discutidas aqui deságuam no Judiciário, especialmente quando tratam da educação em comunidades quilombolas, indígenas e campesinas, que muitas vezes vivem em locais de difícil acesso. É essencial estarmos presentes para que possamos julgar com clareza, justiça e equidade”, destacou.

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A professora da UFMT Suely Dulce de Castilho, coordenadora-geral do evento, reforçou a pluralidade dos conhecimentos presentes no encontro, destacando a importância do Judiciário nesse círculo de debates.

“Estamos no movimento de encontro de saberes, rompendo com a colonialidade do saber e trazendo outras vozes para dentro da universidade. Expandimos os muros para ouvir outros coletivos que também são produtores de saberes”, ressaltou.

Saberes tradicionais e plurais

Nos três dias de programação o evento reunirá quilombolas, indígenas, campesinos, pesquisadores, gestores e futuros educadores em conferências, mesas temáticas, oficinas e apresentações culturais.

Mais do que atividades acadêmicas, é um encontro que valoriza a territorialidade e a ancestralidade como base para modelos educacionais mais plurais e justos.

Entre os participantes, o professor Uziel Karajá, que atua há 21 anos na educação indígena no município de Confresa, reforça a importância de acompanhar as transformações e garantir o protagonismo dos povos originários.

“A educação indígena avança, e o sistema educacional também. Precisamos acompanhar esse movimento para fortalecer nosso trabalho”, defendeu.

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No Quilombo Mata Cavalo, a educadora Elizabeth Maria Miguel vê a participação do TJMT como ponte entre mundos que historicamente caminharam separados.

“Os estudantes passam a enxergar novas possibilidades, novos espaços que podem ocupar no futuro. Isso fortalece a identidade e amplia horizontes”, disse.

Para Julice Martins de Campos, diretora de uma escola campesina em Poconé, eventos como esses ajudam a legitimar lutas que há décadas acontecem nos territórios.

“Atendemos comunidades quilombolas e indígenas. Este evento dá visibilidade, valoriza e reforça a construção da identidade desses estudantes”, pontuou.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

No Dia Nacional da Adoção, casal realiza sonho da paternidade

Dois homens sorridentes abraçam um menino de regata vermelha no centro, que faz bico para a foto. Eles estão em uma cozinha, posicionados em frente a uma geladeira cinza com fotos grudadas.O sorriso largo e espontâneo de uma criança de pouco mais de 1 aninho foi o sinal que faltava para o casal Magnus Costa e Gustavo da Silva Carvalho entender que a vida deles nunca mais seria a mesma. O menino, que agora tem quase 3 anos, correu ao encontro dos dois, abriu os braços e sorriu como se já os conhecesse havia muito tempo. Pouco depois, veio a palavra que transformaria para sempre aquela família: “papai”.

A história do casal ganhou um novo capítulo no dia 25 de maio, durante audiência de ratificação realizada pela Vara da Infância e Juventude da Comarca de Rondonópolis. A data, que coincidentemente é o Dia Nacional da Adoção, marcou oficialmente a consolidação jurídica da família e garantiu ao menino o direito de carregar, também na certidão, o nome de seus pais.

“Foi um dia de vitória. Cada dia que passava era um dia a mais sem o nosso filho estar oficialmente no nosso nome. Apesar da guarda provisória, existia ansiedade e receio de algo dar errado. Quando chegou a audiência, sentimos um alívio imenso”, contou Magnus.

Menino sorrindo em primeiro plano segura um bastão de bolha de sabão. Há uma bolha transparente inflada na ponta do arco. O fundo mostra árvores e uma rua residencial desfocadas.O sonho da paternidade começou antes mesmo da adoção entrar oficialmente nos planos. Magnus sempre teve o desejo de ser pai, já Gustavo passou a enxergar essa possibilidade após ouvir de amigos da família uma pergunta simples, mas transformadora: “Por que vocês não adotam?”. A partir dali o casal buscou informações, participou do curso preparatório promovido pelo Grupo de Apoio à Adoção de Rondonópolis (GAAR) e decidiu entrar para o Sistema Nacional de Adoção.

A espera, segundo eles, foi acompanhada de ansiedade, medo e esperança. Quando veio a ligação informando sobre a possibilidade de acolher a criança, a emoção tomou conta. “A notícia chega sem avisar. É uma decisão para o resto da vida. Tivemos medo, apreensão, mas também uma felicidade que palavras não conseguem explicar. Foi amor transbordando”, relembrou Magnus.

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O momento mais marcante da trajetória aconteceu logo nos primeiros dias de convivência. “Ele ainda falava pouco. Um dia, entrando na garagem de casa, ele olhou para nós e disse ‘papai’. Nós nos olhamos e começamos a chorar. Foi ali que sentimos, de verdade, que éramos os pais dele”, recordam.

A chegada do menino transformou completamente a rotina da casa, que foi tomada por brincadeiras, cuidados e tempo de qualidade em família. O casal decidiu criar o filho longe das telas e com foco em valores como respeito, amor, gratidão e educação.

Dois homens e um menino sentados em pedras escuras na natureza. À esquerda, homem de camiseta azul e boné; à direita, homem de camiseta vermelha; à frente, o menino sorridente sem camisa.“Tudo hoje é pensando nele. Queremos ensinar valores cristãos, éticos e humanos. Que ele aprenda a respeitar as pessoas, ajudar o próximo e entender que o amor é a base de tudo”, afirmaram.

Apesar do receio inicial sobre possíveis preconceitos relacionados à adoção por um casal homoafetivo, Magnus e Gustavo dizem ter encontrado acolhimento e carinho por onde passaram. “Nós treinávamos na cabeça como reagiríamos caso enfrentássemos algum julgamento. Mas fomos surpreendidos positivamente. Recebemos respeito, admiração e muito amor das pessoas”, disseram.

Além da construção da nova família, Magnus e Gustavo também fizeram questão de preservar um vínculo importante na vida do filho. O irmão biológico do menino também foi adotado por outra família em Rondonópolis, e o contato entre eles continua sendo incentivado pelos pais. As duas famílias se aproximaram ao longo do processo e mantêm uma relação de amizade, com visitas frequentes para que os irmãos possam conviver, brincar e fortalecer os laços afetivos.

“Nós fazemos questão de manter esse vínculo entre eles. Viramos amigos dos pais e estamos sempre juntos para que os meninos cresçam sabendo da história e da conexão que têm”, relatou o casal.

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O afeto venceu a burocracia

Para o juiz substituto da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, Antonio Bertalia Neto, histórias como essa ajudam a romper preconceitos e reforçam que o mais importante para uma criança é viver em um ambiente seguro e afetivo.

“O mais importante é a existência de um ambiente seguro, afetivo e estruturado. A felicidade e a segurança de uma criança não dependem do formato familiar, mas da qualidade do vínculo de amor, respeito e proteção oferecido no cotidiano”, destacou o magistrado.

Segundo ele, a legislação brasileira não faz qualquer distinção em relação à orientação sexual dos adotantes. “O Estatuto da Criança e do Adolescente não estabelece diferenciação entre famílias homoafetivas e heteroafetivas. O foco da Justiça é encontrar a família certa para atender às necessidades daquela criança”, explicou.

Antonio Bertalia também ressaltou o simbolismo da audiência realizada justamente no Dia Nacional da Adoção. “Ratificar uma adoção nesta data simbólica é a consolidação jurídica de que o afeto venceu a burocracia. Para a equipe do Tribunal, é a prestação jurisdicional em sua forma mais pura: transformar processos em famílias e garantir um recomeço seguro e definitivo para essas crianças”, afirmou.

Hoje, Magnus e Gustavo fazem questão de compartilhar a própria experiência para incentivar outras famílias a acreditarem na adoção.

“Tem muitas crianças esperando por amor e por um lar. Não desistam. Entrem na fila, façam o curso, confiem no processo. Nós somos prova de que dá certo”, disseram.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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