TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Aldeia indígena Piaraçú recebe as ações da Expedição Araguaia-Xingu

 
Mais de 800 indígenas, entre adultos e crianças da Aldeia Piaraçú, receberam a visita especial da Expedição Araguaia-Xingu. A equipe da expedição foi recebida com apresentações culturais dos povos originários, em um grande círculo no centro da aldeia.
 
Além dos serviços levados à comunidade da etnia Kayapó, foram entregues 600 filtros, 500 cobertores, centenas de brinquedos e a distribuição de 1.000 cachorros-quentes. Segundo o coordenador da Expedição Araguaia-Xingu, juiz José Antônio Bezerra Filho, é de extrema importância da integração da Justiça Comunitária com os povos indígenas.
 
“Primeiramente, quero agradecer a presidência do Tribunal de Justiça, a desembargadora Clarice Claudino, por todo apoio e confiança. É fundamental ressaltar a parceria que estamos referendando agora a Justiça Federal que também veio conosco nessa ação aqui na aldeia. O sistema de Justiça está presente para conhecer e vivenciar a realidade indígena. O TJMT tem sido vanguarda a chegar nos rincões do Xingu, e estamos sendo exemplo para outros tribunais”, ressaltou o magistrado.
 
O cacique maior da Aldeia Piaraçú, Bedjai Txucarramãe, de 98 anos, destacou que os esclarecimentos trazidos pelas equipes que compõem a Expedição Araguaia-Xingu, são de grande relevância para a comunidade indígena, principalmente para os mais jovens que não têm acesso a esses conhecimentos.
 
“É muito bom para nós a vinda de todos vocês aqui na nossa aldeia. Além de trazer as doações que precisamos, vocês também vêm explicar para nós como que funciona a justiça, principalmente para os jovens que não sabem muito ainda. Então tudo isso é muito importante para nós”, disse o cacique.
 
Entre as ações realizadas na aldeia no último domingo (1º), estão palestras e rodas de conversa que trouxeram esclarecimento à população indígena. Estiveram presentes as equipes da Justiça Restaurativa (Circulo de Paz), Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no Âmbito do Poder Judiciário (CEMULHER), Juízo da Vara Especializada do Meio Ambiente (Juvam), Justiça Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Batalhão da Polícia Ambiental, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Cadastro de Pretendentes à Adoção (Ceja-MT), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
 
As atividades educativas e interativas direcionadas ao público infantil e juvenil foram realizadas pelas equipes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) e Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), que realizaram várias brincadeiras e a oficina de produção do Disco de Newton. O prefeito e a primeira-dama de São José do Xingu, juntamente com equipe da Superintendência de Assuntos indígenas de Mato Grosso, também acompanharam a ação na aldeia.
 
Nesta terça-feira (03.12), a segunda etapa da Expedição Araguaia-Xingu finaliza a sua 6ª edição com atendimentos, ações interativas e doações de roupas e alimentos no município de Santa Cruz do Xingu (1.060 km de Cuiabá).
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem. Foto 1: Registro na apresentação cultural dos homens indígenas na aldeia. Na foto estão seis homens indígenas, todos estão com o corpo pintado e seguram um cajado de madeira na mão esquerda. Em volta deles, estão os voluntários da expedição uniformizados. Foto 2: Na imagem há um homem indígena conversando com as autoridades que acompanharam a expedição, num total de cinco homens. Eles estão no meio da oca principal da aldeia onde ocorrem as reuniões da aldeia. Foto 3: Registro do grande círculo de voluntários da expedição no centro da aldeia onde ocorreram as apresentações de boas-vindas. Na foto há aproximadamente 50 pessoas, todas de pé e uniformizadas. Foto 4: A imagem mostra a entrega de brinquedos aos pequenos indígenas que estão em fila próximos aos carros que estão carregados com os presentes. A entrega é realizada pelos voluntários da expedição que aparecem na imagem.
 
Luana Daubian/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Democracia radical e soberania: Márcia Tiburi é a convidada do programa Magistratura e Sociedade

Cartaz digital do 35º episódio de

A necessidade de repensar os espaços de poder sob as lentes de gênero, raça e classe é o fio condutor da 35ª edição do programa Magistratura e Sociedade. O episódio traz uma entrevista aprofundada com a escritora e filósofa Márcia Tiburi, que debate o tema “A mulher na vida pública e na sociedade globalizada”.

Conduzido pelo juiz e professor de Filosofia Gonçalo de Antunes de Barros Neto — responsável pelo eixo Deontologia da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) —, o encontro promove uma reflexão sobre as estruturas que ainda moldam as instituições e o pensamento ocidental.

Questionada sobre o rótulo de “feminista radical”, Márcia Tiburi prefere se autodefinir como uma feminista dialógica e defende a urgência de uma democracia radical, onde a participação política seja efetivada por todos. Para ela, a sub-representação feminina nos Três Poderes ainda é uma realidade crítica. “Nós temos uma representação pífia das mulheres nos espaços parlamentares, enfim, no campo das decisões políticas, no Legislativo, no Executivo, e também, como você sabe, no Judiciário”, pontua.

A escritora analisa que o verdadeiro cerne da emancipação feminina e o maior embate contra o patriarcado residem na capacidade de autodeterminação. “O grande medo do patriarcado é que as mulheres se tornem sujeitos, ou seja, que elas se tornem autônomas, que elas se tornem iguais, que elas se tornem sujeitos de direitos, mas, sobretudo, que elas se tornem soberanas na decisão política. O que é soberania? É a decisão sobre a própria vida”, destaca a entrevistada.

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Durante o programa, a conversa avançou ainda para a urgência de uma releitura dos clássicos da filosofia, historicamente contada e protagonizada por homens brancos. Ao analisar a resistência da academia em pautar debates contemporâneos, a filósofa foi enfática. “Quem hoje em dia não usa perspectiva de gênero e raça para fazer suas análises, está falando em abstrato”.

Para ela, a reação exacerbada às pautas de igualdade reflete a crise de um modelo social que resiste em ceder espaço. “É de uma nova história que se constrói diante da extinção, mesmo de uma forma social, que se tornou ultrapassada, que está nos seus estertores, mas que reage, e que, justamente por isso, reage de uma maneira feroz à chegada desses outros corpos, dessas outras presenças, no espaço que, anteriormente, esse grupo, essa figura tinha construído para si.”

Apesar do cenário de enfrentamento e da persistência da violência de gênero, que Tiburi classifica como “geometricamente variável”, ela vislumbra um horizonte coletivo. “A gente precisa construir essa sociedade numa linha, num vetor feminista, e certamente isso vai ser bom, não apenas para as mulheres, […] mas certamente vai ser bom também para todos os homens”.

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Márcia Tiburi é graduada em Filosofia e em Artes Plásticas, com pós-doutorado pela Universidade de Campinas. Atualmente, é professora convidada da Universidade Paris 8, na França, colunista nas revistas Cult e Liberta, e autora de obras como Ninfa Morta e Uma História do Ódio às Mulheres.

O programa Magistratura e Sociedade, produzido pela Esmagis-MT com apoio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), busca fortalecer a formação humanística da magistratura, promovendo uma reflexão crítica sobre o papel social da Justiça e uma atuação judicial mais ética, equilibrada e humanizada.

Clique aqui para assistir o episódio completo.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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