TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
18º Fonamec encerra com avanços na política dos métodos consensuais de solução de conflitos
O 18º Fórum Nacional de Mediação e Conciliação – Fonamec, encerrou na manhã desta sexta-feira (28) com saldo positivo de reflexões, aprendizados, trocas de experiências, premiações e propostas para o aprimoramento da política judiciária nacional de tratamento adequado de solução de conflitos. O Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), sediou o evento em Chapada dos Guimarães, onde recebeu cerca de 200 representantes de praticamente todos os tribunais de justiça do Brasil.“Foi excelente! Nível maravilhoso, evento muito prestigiado, com dois conselheiros do CNJ, palestras excepcionais e a troca de experiências e interação, que são sempre muito importantes. Realmente, saio com o coração repleto de felicidade”, declarou o presidente do Fonamec, desembargador do TJ de Pernambuco Erik de Souza Dantas Simões.
O presidente do Nupemec/TJMT, desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, agradeceu ao presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, por todo apoio destinado à realização do evento. “Ele esteve presente desde a concepção de trazer o Fonamec, sempre contribuiu e ele entende a importância que tem o Fórum Nacional de Mediação e Conciliação. E essa visão dele é compartilhada em todo o Brasil. Basta ver que praticamente todos os estados estavam aqui representados, todas as palestras estavam lotadas”, disse.
Kono destacou ainda que o evento contribuiu para fortalecer a visão de futuro desejada para o Poder Judiciário brasileiro. “É a nova forma que tem que ser vista a Justiça, de decisões compartilhadas, democráticas, com a participação da própria parte no destino final de cada litígio. E esse evento veio confirmar, reforçar e pensar no futuro, no crescimento dessa utilização dos métodos mais adequados de solução de conflitos”, avaliou.
A juíza coordenadora do evento e do Nupemec/TJMT, Cristiane Padim da Silva, afirmou que toda equipe está muito satisfeita e feliz em receber representantes dos Nupemecs e Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscs) de todo o país. “Nesses dias, que foram muito intensos, foram discutidas situações, contextos relacionados à consensualidade num clima de paz, afinal, nós estamos buscando construir, cada vez mais, dias repletos de pacificação social porque esse também é um dos escopos do Poder Judiciário”.
Reunião administrativa do Fonamec – Neste último dia do Fórum Nacional de Mediação e Conciliação, coordenadores de todos os Nupemecs se reuniram para debater o fortalecimento dos trabalhos, criando novas comissões temáticas, a exemplo das comissões de casos complexos e de indicadores estatísticos. “O Fonamec já tem várias comissões, são aproximadamente doze. E com o surgimento de novas demandas, criamos novas comissões, já compostas por seus integrantes. Então, isso é extremamente importante para a evolução do sistema autocompositivo”, avalia o presidente do Fonamec, Erik Simões.
Grupos focais e oficinas – Em uma manhã intensa e produtiva, os participantes do Fonamec se envolveram em oficinas e grupos focais para pensar nos desafios da política da consensualidade e apresentar sugestões para o seu aperfeiçoamento.
Uma das oficinas, conduzida pelo coordenador da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, João Gualberto Nogueira Neto, teve como objetivo específico construir indicadores dentro da esfera da autocomposição que permitam que a atuação do tribunal seja sempre com maior valor para a população.
“Saímos da oficina com quatro sugestões de indicadores que, se implementados, acreditamos que podem melhorar substancialmente a atividade de autocomposição do Poder Judiciário, tanto estadual, quanto nacional”. Segundo Neto, esses indicadores são relacionados à satisfação do usuário interno e externo, oficina de parentalidade e tempo de duração da audiência de mediação.
O Fonamec também foi a oportunidade que uma equipe de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) teve para apresentar os resultados preliminares de uma pesquisa sobre o trabalho desenvolvido pelos tribunais de justiça, no âmbito da conciliação e mediação, o que ocorreu na quinta-feira (27). E nesta sexta-feira (27), o grupo realizou uma fase qualitativa da pesquisa, com a realização de grupos focais com coordenadores e gestores de Centros Judiciários de Solução Conflitos (Cejuscs), bem como mediadores e conciliadores.
“Nós queríamos alinhar o nosso olhar de interpretação dos dados já coletados. E foi ótimo. Conseguimos várias visões diferentes dos desafios e também dos sucessos que a política já teve, pensando na sua institucionalização. Então foi bem bacana para coletar essa visão de quem atua”, relata a pesquisadora da FGV, Beatriz Carvalho Nogueira.
Próximo encontro – Também foi anunciado que o 19º Fonamec será em abril de 2026, em Curitiba (PR). “É a continuação, evolução da mediação e da conciliação porque esse é o futuro da Justiça. A Justiça não pode se restringir a julgar. O juiz tem que se ater aos processos mais complexos, em que não há conciliação, mas quando há possibilidade das partes chegarem num acordo, tem que ser dessa forma, que é a melhor solução. Isso pacifica a sociedade. Esse é o grande objetivo”, disse Erik Simões.
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Autor: Celly Silva
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Projeto de Barra do Garças que previne violência doméstica é selecionado para o Prêmio Innovare 2026
O projeto Homens que Cuidam, desenvolvido pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças em parceria com a Prefeitura Municipal, foi selecionado para concorrer à 23ª edição do Prêmio Innovare. A iniciativa se destaca por colocar os homens no centro das ações de prevenção à violência doméstica, por meio de atividades educativas que estimulam a reflexão sobre masculinidade, saúde emocional, autocuidado e relações familiares.
Lançado no final de 2025 e executado desde março deste ano, o projeto reúne o Poder Judiciário, a Prefeitura de Barra do Garças, forças de segurança, escolas, lideranças religiosas e outros atores sociais para desenvolver ações educativas voltadas ao público masculino. As atividades incluem palestras, encontros educativos e a integração com o Grupo Reflexivo para Homens (GRH), ampliando as estratégias de prevenção. A proposta é atuar antes que a violência aconteça, levando ações de conscientização a diferentes espaços da comunidade e incentivando mudanças de comportamento desde a infância até a vida adulta.
Idealizador da iniciativa, o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, que atua na Segunda Vara Criminal da Comarca, com competência em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, explica que o projeto nasceu da constatação de que o machismo produz consequências não apenas para as mulheres, mas também para os próprios homens.
“O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, contextualiza.
Segundo o magistrado, campanhas tradicionais costumam estimular a mudança de comportamento em benefício da mulher ou da família. Na avaliação dele, esse modelo nem sempre é suficiente para provocar transformações efetivas. Por isso, o projeto busca mostrar aos homens os benefícios pessoais de abandonar padrões machistas, como a melhoria da saúde física e emocional, dos relacionamentos familiares e da qualidade de vida.
As atividades abordam temas como masculinidade, construção social dos papéis de gênero, influência da chamada “machosfera”, radicalização em ambientes digitais, manejo da raiva, reconhecimento e regulação das emoções, saúde do homem, autocuidado, parentalidade e os impactos do consumo abusivo de álcool.
A iniciativa estreou com uma palestra em uma escola da rede municipal de ensino. Em seguida, foi realizada uma reunião de alinhamento com representantes das instituições parceiras para definir as estratégias de atuação conjunta. A partir dessa articulação, o projeto passou a ser implementado em diferentes espaços da comunidade. Uma das ações ocorreu no destacamento do Cindacta, reunindo militares da Aeronáutica em uma palestra sobre masculinidade e prevenção da violência doméstica. Outra foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, onde cerca de 100 estudantes, entre homens e mulheres, participaram de um debate sobre igualdade de gênero, relações saudáveis e prevenção da violência. O projeto também deu início a um ciclo de três palestras voltadas aos servidores do sexo masculino da Prefeitura de Barra do Garças.
Outra frente do projeto é a integração com GRHs, conduzidos pela Segunda Vara Criminal. Além dos participantes encaminhados judicialmente, os encontros passaram a admitir a participação voluntária de homens interessados em refletir sobre seus comportamentos e prevenir situações de violência.
“O fato de homens procurarem espontaneamente o Grupo Reflexivo mostra que estamos conseguindo ampliar o alcance da prevenção. Nossa intenção é chegar antes da violência, oferecendo um espaço de reflexão e mudança de comportamento”, avalia o juiz.
Prêmio Innovare – Criado em 2004, o prêmio reconhece e dissemina práticas que contribuem para o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro, independentemente de alterações legislativas. Ao longo de sua trajetória, a premiação já analisou mais de 10 mil práticas desenvolvidas em todos os estados do país, consolidando-se como uma das principais vitrines de iniciativas inovadoras da Justiça brasileira.
Autor: Alcione dos Anjos
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]
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