TECNOLOGIA
MCTI lança livro sobre biogás e apresenta soluções para transição energética e resiliência climática na Mercopar 2025
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentou os resultados do Projeto GEF Biogás Brasil e lançou o livro Cenário Foresight: Projeto GEF Biogás Brasil na Cadeia de Valor da Agroindústria, durante a 34ª Mercopar, maior feira de inovação industrial da América Latina. A iniciativa tem impulsionado o uso sustentável do biogás e biometano no País enquanto promove a transformação de lixo e resíduos orgânicos — como restos da agroindústria e de fazendas — em energia limpa.
Com ações voltadas à inovação tecnológica, capacitação de profissionais e fortalecimento da cadeia produtiva, o projeto busca consolidar o Brasil como referência regional em energia renovável e economia circular. Ele é coordenado pelo MCTI em parceria com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
O MCTI participou do painel Cenários Tecnológicos do Setor de Biogás e foi representado pelo secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec), Daniel Gomes de Almeida Filho. “O Projeto GEF Biogás Brasil mostra, na prática, o papel transformador da ciência, da tecnologia e da inovação quando são colocadas a serviço do desenvolvimento do País. Essa publicação é mais do que um resultado, é um legado. Ela reúne boas práticas, aprendizados e visões de futuro que ajudarão a orientar novas políticas públicas e novos investimentos para o setor de biogás e biometano no Brasil”, afirmou Almeida.
Almeida destacou o papel da ciência e da inovação na transição energética brasileira. “O MCTI tem um papel estratégico nesse processo, atuando como articulador de políticas públicas, promotor de pesquisa e inovação e indutor de parcerias entre governo, academia e setor produtivo”, afirmou. Segundo ele, o GEF Biogás Brasil é um exemplo concreto de como o País transforma conhecimento científico em soluções tecnológicas sustentáveis. “Com o biogás e o biometano, conseguimos transformar passivos ambientais em ativos energéticos e novos produtos, como os biofertilizantes, fortalecendo a economia circular”, completou.
O secretário ressaltou que o ministério tem ampliado investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para tornar o biogás cada vez mais competitivo. “Estamos focados em elevar a eficiência dos processos, reduzir custos e digitalizar as plantas, além de desenvolver novos bioprodutos integrados à bioeconomia nacional”, destacou.
Almeida enfatizou ainda que o MCTI trabalha para expandir o uso do biogás nas regiões Norte e Nordeste, replicando os resultados positivos obtidos pelo GEF Biogás Brasil. Ele também lembrou que essas iniciativas estão alinhadas a programas estratégicos do Governo do Brasil, como o Combustível do Futuro, o Plano de Transformação Ecológica e a Nova Indústria Brasil, todos com forte participação do MCTI na coordenação de ações de ciência, tecnologia e inovação.
Resiliência climática
Além da participação no painel, Almeida esteve no lançamento do Projeto de Resiliência Climática para Indústrias do Rio Grande do Sul. A iniciativa surgiu como resposta às enchentes que atingiram o estado em 2024, fruto de uma parceria do MCTI com a Unido, o governo do Japão, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae-RS) e o Sistema da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
O projeto faz o mapeamento tridimensional das áreas atingidas pelas enchentes com uso de um sistema japonês de mapeamento via satélite, começando pela zona norte de Porto Alegre — região que abrange o 4º distrito, o aeroporto e importantes conexões viárias do estado. O modelo foi apresentado pela primeira vez durante a Mercopar e permite simular cenários de novas inundações, demonstrando de forma prática a elevação do nível da água e seus possíveis impactos.
“A ideia foi usar tecnologia de imageamento por satélite e inteligência artificial para simular enchentes e pensar em formas de auxiliar o Rio Grande do Sul com resiliência a eventos extremos, que tendem a ser mais frequente devido às mudanças climáticas. Isso demonstra comprometimento do MCTI. O projeto nasceu da ideia de utilizar melhor a ciência e tecnologia em cooperação multilateral”, disse Almeida.
A tecnologia será posteriormente disponibilizada a órgãos de planejamento, como o governo do estado e universidades, fortalecendo a capacidade local de prevenção e resposta a desastres climáticos.
Mercopar 2025
O Mercopar é um dos eventos mais importantes do setor produtivo brasileiro e reúne empresas, instituições de pesquisa, startups e órgãos públicos para discutirem tecnologia e sustentabilidade. Ele foi organizado pelo Sebrae e pela Fiergs, de 14 a 17 de outubro, e serviu como uma vitrine para soluções inovadoras que impulsionam a competitividade da indústria nacional. De acordo com a organização, 521 expositores e 60 startups participaram, além de 40 mil visitantes.
TECNOLOGIA
AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
O sistema AdaptaBrasil lançou nesta quinta-feira (2) uma ferramenta com o objetivo de facilitar a consulta às informações sobre risco climático para cada um dos 5.570 municípios brasileiros. O Painel Cidades reúne informações sobre 12 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com a visão centrada em âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. O objetivo é consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível. O Painel Cidades representa mais um importante avanço do AdaptaBrasil, consolidando anos de colaboração entre as instituições e no aprimoramento de plataformas que disponibilizam evidências, fortalecendo a transparência climática e apoiando a tomada de decisão.
“Essa nova funcionalidade avança na democratização de acesso ao conhecimento à medida que permite entregar aos usuários informações sobre risco climático mais acessíveis e de modo mais rápido. Esse esforço visa apoiar o planejamento de adaptação à mudança do clima em áreas estratégicas. O painel foi pensado para que os gestores e suas equipes técnicas tenham à disposição dados essenciais para a ação climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio Rojas.
Os dados do Painel Cidades são os mesmos já disponíveis na plataforma, cuja consulta é feita por meio dos setores estratégicos e representação cartográfica nacional dos resultados. O novo formato de busca e visualização a partir do município é uma inovação tecnológica de apresentação mais amigável dos indicadores e índices de ameaça, exposição e vulnerabilidade, dimensões que compõem a metodologia da “flor de risco”, em conformidade com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês).
“Mais do que uma nova funcionalidade do AdaptaBrasil, o Painel Cidades inaugura uma forma inovadora de visualizar os riscos climáticos de cada município brasileiro, tornando informações complexas mais acessíveis para gestores, pesquisadores e sociedade”, explica o gerente de soluções responsável pelo projeto na RNP, Christian Miziara. “Ao apresentar os dados de maneira integrada e orientada ao território, o painel fortalece a capacidade de planejamento e adaptação às mudanças do clima. Nesse processo, a RNP contribui com sua infraestrutura e expertise em tecnologias digitais para transformar evidências geradas pela pesquisa brasileira em informações confiáveis, acessíveis e capazes de apoiar decisões estratégicas para um futuro mais resiliente e sustentável”, complementa.
O AdaptaBrasil tem se consolidado como a principal ferramenta pública para identificação, análise e priorização de riscos climáticos no País. Os dados são gratuitos e abertos. A metodologia empregada considera as melhores práticas recomendadas no âmbito científico global. A ferramenta reúne informações sobre ameaça climática, exposição e vulnerabilidade traduzidas em índices e indicadores para os setores: recursos hídricos, segurança energética e alimentar, saúde, infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária, biodiversidade e desastres geohidrológicos. Além de informações sobre a atualidade, a plataforma projeta ameaças climáticas nos horizontes temporais de 2030 e 2050, considerando os cenários aquecimento global.
“As medidas de adaptação estão se mostrando cada vez mais urgentes, a exemplo das ondas de calor que estão ocorrendo na Europa neste momento”, alerta o pesquisador sênior do Inpe e coordenador científico do AdaptaBrasil, Jean Ometto. Ele explica que as medidas de adaptação precisam de planejamento, no qual as questões climáticas são centrais. E para fazer planejamento são necessários estudos e informações sobre o quanto as cidades e a sociedade estão vulneráveis aos eventos climáticos extremos. “Com isso, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor podem trabalhar para minimizar os impactos. Incorporar na gestão pública as métricas e o fato de que a mudança do clima veio para ficar são muito importantes para o planejamento”, afirma.
Informação qualificada para a tomada de decisão
Além de ter apoiado a construção do Plano Clima Adaptação, os dados do AdaptaBrasil têm sido utilizados para apoiar as atividades de planejamento e capacitação do AdaptaCidades, iniciativa no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes que apoia diretamente 581 municípios selecionados para subsidiar políticas de adaptação. As ações devem aumentar a resiliência diante da mudança do clima.
“Estamos trabalhando para atingir a meta número um do Plano Clima Adaptação, que é ter todos os estados e ao menos 35% dos municípios com estratégias locais de adaptação”, afirmou diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Inamara Mélo. “Já tínhamos o AdaptaBrasil como orientador do trabalho. Agora, com o painel, damos mais um passo relevante, tornando as informações mais acessíveis junto aos governos subnacionais”, complementou.
Para o diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Giusti, o Painel Cidades do AdaptaBrasil é um instrumento qualificador da política de desenvolvimento urbano do País. “Esse painel traz o elemento científico para introjetar nas políticas”, explicou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Silva, destacou o esforço interministerial nas iniciativas de enfrentamento da mudança do clima. “É mais um instrumento poderoso que vai consolidando o conhecimento coletivo e ajuda quem está na ponta a resolver o problema nos territórios”, disse.
Passo a passo para consulta do Painel Cidades
A consulta às informações sobre risco climático por município é feita de modo simples e rápido. No menu principal, basta acessara aba Painel Cidades. Na sequência, selecione o estado e o município. Automaticamente, o sistema localiza o município no mapa, apresenta dados sobre bioma, área territorial e população. Abaixo do mapa, a plataforma apresenta tabela completa de classificação de risco para os 12 setores e subsetores estratégicos com o grau de risco. Na mesma página, ainda é possível visualizar os índices de riscos setoriais e os indicadores influenciadores.
Próximos desenvolvimentos do AdaptaBrasil
O plano de melhorias da plataforma contempla a incorporação de novos cenários com projeções climáticas atualizadas para o Brasil, de acordo com as trajetórias de aquecimento global, e de novos setores estratégicos, como zonas costeiras e calor.
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