TECNOLOGIA
MCTI e Finep lançam na COP30 três editais para pesquisas em sustentabilidade
O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada à pasta, lançaram, nesta terça-feira (11), três editais de investimento para empresas e instituições de pesquisas em sustentabilidade. O anúncio ocorreu durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém (PA), até 21 de novembro.
Para a ministra do MCTI, Luciana Santos, o investimento mostra o compromisso do Governo do Brasil com o desenvolvimento sustentável, com a preservação da diversidade e a memória brasileira e com a agenda climática. “Todas essas iniciativas mostram que a ciência brasileira está pronta para liderar soluções na agenda climática, que o Brasil é parte da resposta global aos desafios do nosso tempo e que o desenvolvimento que queremos passa por respeitar e valorizar a cultura, a diversidade, os povos, os nossos saberes e a nossa soberania”, disse.
No total, serão investidos R$ 460 milhões. Um dos editais é o Pró-Amazônia 2025, voltado para regiões da Amazônia Legal. Serão R$ 150 milhões para equipamentos; serviços e bolsas de pesquisa nas áreas de biotecnologia e valorização da biodiversidade; energias renováveis; gestão de recursos hídrico; desenvolvimento urbano sustentável; saúde pública e tecnologia da informação e comunicação (TICs); inteligência artificial; e conectividade.
O segundo edital é o de Recuperação e Preservação de Acervos 2025, que receberá um investimento de R$ 250 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Neste, serão selecionadas propostas para a concessão de apoio financeiro a projetos de recuperação, preservação, digitalização e difusão de acervos de arquivos, bibliotecas, centros de memória, herbários, institutos e museus.
Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, as iniciativas visam a expansão e o fortalecimento da ciência e tecnologia e a preservação da memória científica e cultural nacional. “Sobretudo, o lançamento dos editais durante a COP30 demonstra o compromisso estratégico da Finep com a inovação sustentável, valorizando a biodiversidade e promovendo impacto direto para a população”, destacou.
O terceiro edital anunciado é o de Fundos de Investimento em Bioeconomia e Sustentabilidade, que receberá R$ 60 milhões do FNDCT. Para este, é previsto o repasse para até dois fundos de investimento (FIPs) que tenham participações acionárias em empresas que atuem em projetos de bioeconomia e sustentabilidade.
Pró-Amazônia
Com um investimento maior que o anterior, neste ano, o edital do Pró-Amazônia visa institutos de ciência, tecnologia e inovação (ICTs) na Amazônia Legal, de maneira individual ou em Rede de Pesquisa. Cada rede poderá se reunir com uma ICT executora principal e até duas ICTs coexecutoras, sendo permitida a participação de uma instituição coexecutora de fora da Amazônia Legal.
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Acervos
A publicação dos acervos ainda traz outra novidade: o aumento do valor mínimo por proposta. Agora, o menor repasse é de R$ 1 milhão, e o maior, de R$ 10 milhões, com prazo de execução de 36 meses.
“Nós já havíamos investido no edital anterior de acervos, R$ 500 milhões, sendo 46% desses recursos destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E, agora, estamos, mais uma vez, reforçando o papel estratégico da ciência e da cultura na construção de um país melhor”, completou a ministra.
Os recursos serão aplicados em duas categorias: acervos científicos e acervos históricos e culturais. Cada um receberá até R$ 125 milhões de investimento. Outra atualização é o apoio às propostas que favorecem o acesso físico e digital de pessoas com deficiência.
Bioeconomia e sustentabilidade
O processo de seleção das FIPs tem quatro etapas: habilitação de documentos; análise do mérito; avaliação por banca especializada; e due diligence (processo de investigação detalhada) técnica e jurídica. Para participar, os interessados devem mandar suas propostas até 15 de dezembro. O resultado está previsto para abril de 2026.
Além de critérios como política de investimento e histórico de gestor e governança, o edital valoriza fundos que tenham a certificação de investimento sustentável da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), embora essa não seja obrigatória. Ainda há a apreciação da diversidade da Equipe Chave da Gestora do Fundo.
Após o edital, o FNDCT passará a ser cotista dos FIPs selecionados e com aporte financeiro. A expectativa é que os fundos de investimento apoiem empresas, que devem, obrigatoriamente, ter sede no Brasil e estar alinhada à Lei da Inovação.
O público-alvo final do investimento são empresas inovadoras que desenvolvem projetos que fortalecem as cadeias produtivas baseadas na economia circular e no uso sustentável e inovador da biodiversidade.
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TECNOLOGIA
AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
O sistema AdaptaBrasil lançou nesta quinta-feira (2) uma ferramenta com o objetivo de facilitar a consulta às informações sobre risco climático para cada um dos 5.570 municípios brasileiros. O Painel Cidades reúne informações sobre 12 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com a visão centrada em âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. O objetivo é consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível. O Painel Cidades representa mais um importante avanço do AdaptaBrasil, consolidando anos de colaboração entre as instituições e no aprimoramento de plataformas que disponibilizam evidências, fortalecendo a transparência climática e apoiando a tomada de decisão.
“Essa nova funcionalidade avança na democratização de acesso ao conhecimento à medida que permite entregar aos usuários informações sobre risco climático mais acessíveis e de modo mais rápido. Esse esforço visa apoiar o planejamento de adaptação à mudança do clima em áreas estratégicas. O painel foi pensado para que os gestores e suas equipes técnicas tenham à disposição dados essenciais para a ação climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio Rojas.
Os dados do Painel Cidades são os mesmos já disponíveis na plataforma, cuja consulta é feita por meio dos setores estratégicos e representação cartográfica nacional dos resultados. O novo formato de busca e visualização a partir do município é uma inovação tecnológica de apresentação mais amigável dos indicadores e índices de ameaça, exposição e vulnerabilidade, dimensões que compõem a metodologia da “flor de risco”, em conformidade com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês).
“Mais do que uma nova funcionalidade do AdaptaBrasil, o Painel Cidades inaugura uma forma inovadora de visualizar os riscos climáticos de cada município brasileiro, tornando informações complexas mais acessíveis para gestores, pesquisadores e sociedade”, explica o gerente de soluções responsável pelo projeto na RNP, Christian Miziara. “Ao apresentar os dados de maneira integrada e orientada ao território, o painel fortalece a capacidade de planejamento e adaptação às mudanças do clima. Nesse processo, a RNP contribui com sua infraestrutura e expertise em tecnologias digitais para transformar evidências geradas pela pesquisa brasileira em informações confiáveis, acessíveis e capazes de apoiar decisões estratégicas para um futuro mais resiliente e sustentável”, complementa.
O AdaptaBrasil tem se consolidado como a principal ferramenta pública para identificação, análise e priorização de riscos climáticos no País. Os dados são gratuitos e abertos. A metodologia empregada considera as melhores práticas recomendadas no âmbito científico global. A ferramenta reúne informações sobre ameaça climática, exposição e vulnerabilidade traduzidas em índices e indicadores para os setores: recursos hídricos, segurança energética e alimentar, saúde, infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária, biodiversidade e desastres geohidrológicos. Além de informações sobre a atualidade, a plataforma projeta ameaças climáticas nos horizontes temporais de 2030 e 2050, considerando os cenários aquecimento global.
“As medidas de adaptação estão se mostrando cada vez mais urgentes, a exemplo das ondas de calor que estão ocorrendo na Europa neste momento”, alerta o pesquisador sênior do Inpe e coordenador científico do AdaptaBrasil, Jean Ometto. Ele explica que as medidas de adaptação precisam de planejamento, no qual as questões climáticas são centrais. E para fazer planejamento são necessários estudos e informações sobre o quanto as cidades e a sociedade estão vulneráveis aos eventos climáticos extremos. “Com isso, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor podem trabalhar para minimizar os impactos. Incorporar na gestão pública as métricas e o fato de que a mudança do clima veio para ficar são muito importantes para o planejamento”, afirma.
Informação qualificada para a tomada de decisão
Além de ter apoiado a construção do Plano Clima Adaptação, os dados do AdaptaBrasil têm sido utilizados para apoiar as atividades de planejamento e capacitação do AdaptaCidades, iniciativa no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes que apoia diretamente 581 municípios selecionados para subsidiar políticas de adaptação. As ações devem aumentar a resiliência diante da mudança do clima.
“Estamos trabalhando para atingir a meta número um do Plano Clima Adaptação, que é ter todos os estados e ao menos 35% dos municípios com estratégias locais de adaptação”, afirmou diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Inamara Mélo. “Já tínhamos o AdaptaBrasil como orientador do trabalho. Agora, com o painel, damos mais um passo relevante, tornando as informações mais acessíveis junto aos governos subnacionais”, complementou.
Para o diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Giusti, o Painel Cidades do AdaptaBrasil é um instrumento qualificador da política de desenvolvimento urbano do País. “Esse painel traz o elemento científico para introjetar nas políticas”, explicou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Silva, destacou o esforço interministerial nas iniciativas de enfrentamento da mudança do clima. “É mais um instrumento poderoso que vai consolidando o conhecimento coletivo e ajuda quem está na ponta a resolver o problema nos territórios”, disse.
Passo a passo para consulta do Painel Cidades
A consulta às informações sobre risco climático por município é feita de modo simples e rápido. No menu principal, basta acessara aba Painel Cidades. Na sequência, selecione o estado e o município. Automaticamente, o sistema localiza o município no mapa, apresenta dados sobre bioma, área territorial e população. Abaixo do mapa, a plataforma apresenta tabela completa de classificação de risco para os 12 setores e subsetores estratégicos com o grau de risco. Na mesma página, ainda é possível visualizar os índices de riscos setoriais e os indicadores influenciadores.
Próximos desenvolvimentos do AdaptaBrasil
O plano de melhorias da plataforma contempla a incorporação de novos cenários com projeções climáticas atualizadas para o Brasil, de acordo com as trajetórias de aquecimento global, e de novos setores estratégicos, como zonas costeiras e calor.
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