TECNOLOGIA
Com investimento de R$ 35 milhões, MCTI impulsiona soberania digital e inovação em IA no Piauí
O Brasil está em uma jornada decisiva para garantir sua soberania digital e se tornar um líder global em inteligência artificial (IA). Nesse processo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem desempenhado um papel central, articulando e financiando diversas iniciativas e parcerias que visam fortalecer a infraestrutura tecnológica nacional, a pesquisa científica e o desenvolvimento de soluções que atendam às necessidades e enfrentem os principais desafios do País.
Na terça-feira (4), a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou um investimento voltado para o fortalecimento do programa SoberanIA, projeto que visa o desenvolvimento de um Modelo de Linguagem Grande com bases nacionais. O MCTI destinará R$ 35 milhões para essa iniciativa, criada por meio de uma parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e o governo estadual.
O objetivo do investimento é impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico no Piauí (PI), com foco em inteligência artificial soberana, ciência de dados e inovação. Além disso, serão criados centros de excelência em matemática aplicada, abrangendo áreas como computação, IA, física e robótica, com um foco especial na formação de novos talentos na região Nordeste.
“Estamos construindo uma nova ferramenta, com tecnologia nacional, com ética e segurança, e respeitando a nossa linguagem e a nossa cultura. Essa iniciativa é mais do que tecnologia, é soberania nacional, e nos coloca no rumo de superar nossa dependência tecnológica”, explicou a ministra.
Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do MCTI, Hugo Valadares, o projeto é importante para diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras e garantir eficiência das ferramentas. “O desenvolvimento de uma IA nacional é fundamental para garantir que o Brasil possa produzir soluções e ferramentas que conversem diretamente com a realidade do nosso País, considerando a especificidade dos nossos desafios”, avaliou.
A soberania digital é o princípio que norteia as políticas do MCTI relacionadas à IA. Esse conceito envolve o desenvolvimento de tecnologias digitais que não dependam de soluções estrangeiras, garantindo que o Brasil tenha controle sobre suas inovações tecnológicas.
O MCTI tem liderado esforços para criar um ecossistema de inteligência artificial que reflita as especificidades e os desafios do Brasil, enquanto promove a segurança e a ética no uso de dados e sistemas inteligentes.
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 (Pbia), lançado pelo MCTI, orienta as ações do governo no setor. O objetivo é desenvolver tecnologias e modelos de IA que se alinhem às necessidades da sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que buscam garantir a autonomia do País no campo da tecnologia.
O Pbia representa um marco histórico para o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Com um investimento previsto de R$ 23 bilhões em quatro anos, o plano visa transformar o País em referência mundial em inovação e eficiência no uso da inteligência artificial, especialmente no setor público.
Para alcançar esses objetivos, o plano prevê a criação de um supercomputador de alta performance, essencial para o processamento de grandes volumes de dados e o desenvolvimento de algoritmos avançados de IA.
O Pbia tem como objetivos:
– Transformar a vida dos brasileiros por meio de inovações sustentáveis e inclusivas baseadas em IA
– Equipar o Brasil de infraestrutura tecnológica avançada com alta capacidade de processamento, incluindo um dos cinco supercomputadores mais potentes do mundo, alimentada por energias renováveis
– Desenvolver modelos avançados de linguagem em português, com dados nacionais que abarcam nossa diversidade cultural, social e linguística, para fortalecer a soberania em IA
– Formar, capacitar e requalificar pessoas em IA em grande escala para valorizar o trabalhador e suprir a alta demanda por profissionais qualificados
– Promover o protagonismo global do Brasil em IA por meio do desenvolvimento tecnológico nacional e ações estratégicas de colaboração internacional
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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