SAÚDE
Saúde promove oficina sobre gordofobia e estigma do peso para profissionais do Mais Médicos
Na quinta-feira (13), aproximadamente 400 profissionais do Programa Mais Médicos participaram da oficina Estigma da Obesidade e Gordofobia no Ambiente de Cuidados à Saúde. A iniciativa fez parte da programação do Módulo de Acolhimento e Avaliação (MAAv), treinamento que está acontecendo em Brasília (DF) para médicos que vão integrar as equipes da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O excesso de peso é um problema de saúde pública no nosso país e no mundo, e a gente tem um desafio imenso de ofertar cuidado com acolhimento, sem promover gordofobia. Por muito tempo, a obesidade foi tratada como um simples desbalanço entre o que se come e o que se gasta de energia. E a gente sabe hoje, a partir das evidências científicas, que ela é uma doença que tem causas multifatoriais, não é uma questão de falta de vontade”, explicou a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Alves.
A consultora técnica da Coordenação-Geral de Prevenção às Doenças Crônicas Joana Thiesen pontuou que “a obesidade envolve diferentes dimensões, como a biológica, a social, a cultural, a comportamental e a ambiental” e que tudo isso deve ser levado em conta no cotidiano de trabalho no SUS.
Ao criar um espaço de reflexão e sensibilização sobre práticas de cuidados com a saúde que não reproduzam preconceito e discriminação, o objetivo da pasta é qualificar médicos que promovam o cuidado integral e humanizado às pessoas com obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). No início da atividade, foi exibido o documentário “Gordofobia e estigma do peso: reconstruindo práticas de cuidado em saúde”, produzido neste ano pelo Ministério da Saúde em parceria com as universidades federais de Ouro Preo (UFOP) e da Bahia (UFBA).
Confira o vídeo do Ministério da Saúde sobre o conteúdo
Escuta, linguagem e presença
Em seguida, a nutricionista e doutora em ciências da nutrição Vanille Pessoa reforçou que a forma como os médicos abordam corpos gordos nos serviços de saúde interfere na adesão ao tratamento das pessoas que convivem com a obesidade. “Tratar a obesidade não é sinônimo de buscar emagrecimento, é tratar um indivíduo que está dentro de um contexto, precisa de cuidado e te procurou para conseguir ajuda”, ressaltou a especialista, que é professora da Universidade Federal de Campina Grande. “O que a gente mais precisa para traçar um bom diagnóstico e fazer um tratamento efetivo é ouvir”, complementou.
O médico paranaense Valdir Silva, que vai trabalhar em Rio Bonito (RJ) pelo programa, concorda e disse que, após a oficina, se sente preparado para oferecer um atendimento mais humanizado aos cidadãos. “A receptividade e a atenção com quem estamos atendendo já faz parte do processo de cura. Isso vai fazer diferença na vida da pessoa para seguir ou não as nossas diretrizes desde a primeira visita”, pontuou.
Vanille ainda comentou sobre a importância da linguagem: “A pessoa não é obesa, porque isso não a define como um todo. Ela tem obesidade”. A especialista ainda recomendou aos médicos evitar fazer suposições – uma pessoa gorda não está fisicamente inativa necessariamente, por exemplo – e trabalhar com o controle da obesidade para que a pessoa tenha saúde hoje, e não apenas no futuro.
Método Clínico Centrado na Pessoa
O médico de família e comunidade Carlos Vieira, que iniciou a carreira no Mais Médicos, apresentou ferramentas práticas de manejo da pessoa com obesidade, como o Método Clínico Centrado na Pessoa, que tem como premissa deixar o paciente trazer o que é importante para ele ao invés de uma abordagem impositiva. “É uma junção do nosso conhecimento técnico-científico com o conhecimento da pessoa, que é a especialista em si mesma, para que sejam feitas as melhores escolhas dentro da realidade dela”, explicou.
Taís Andrade de Almeida, médica carioca que vai trabalhar em Niterói (RJ) pelo programa, entende que o método faz a diferença na melhoria da saúde da pessoa. “O paciente vai além do sobrepeso e da obesidade. Ao olhar só para o peso, a gente esquece todas as outras questões, inclusive doenças graves, que podem estar acontecendo e que vão além do que a gente vê. Temos que olhar para ele como um todo”, comentou.
A entrevista motivacional está incluída nesse contexto, com perguntas abertas, validação dos sentimentos e dificuldades que a pessoa relata e compartilhamento de conselhos e informações quando necessário, para apoiar a autonomia da pessoa. Além disso, compartilhar o cuidado com a equipe multiprofissional da Unidade Básica de Saúde (UBS), fazer visitas domiciliares e encaminhamentos para a atenção especializada quando for preciso fazem parte da estratégia. “Não é preciso resolver tudo em uma só consulta. O cuidado é longitudinal e o vínculo é a nossa estratégia mais poderosa”, disse.
Além dos cuidados nos atendimentos individuais, ele também lembrou da importância de preencher corretamente os dados de cada pessoa com obesidade no prontuário eletrônico do e-SUS APS. “Com dados, a gente faz ciência, a gente faz políticas públicas e a gente consegue avançar no tratamento e no cuidado. E tendo os dados da sua população no e-SUS, você consegue puxar relatórios, entender como é o perfil da população atendida no território e, a partir disso, promover ações, como atividades em grupo”, defendeu.
A oficina Estigma da Obesidade e Gordofobia no Ambiente de Cuidados à Saúde foi uma iniciativa das secretarias de Atenção Primária à Saúde (Saps) e de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), e disponibilizou este link com as principais publicações do Ministério da Saúde a respeito do cuidado com a obesidade.
Laísa Queiroz
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde fortalece cultura de monitoramento e avaliação para qualificar decisões no SUS
O Ministério da Saúde deu mais um passo para avançar na qualificação da gestão e governança de programas e da cooperação técnica em saúde. Agora, a pasta passa a contar com um modelo de Monitoramento e Avaliação M&A para apoiar a tomada de decisão e o fortalecimento dessas parcerias no SUS. O modelo foi apresentado durante conferência realizada nos dias 23 e 24 de abril, em Brasília (DF).
O evento teve como objetivo fortalecer as capacidades institucionais relacionadas ao planejamento e M&A das cooperações técnicas nacionais e internacionais em saúde, além do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e dos programas nacionais de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) e de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD).
Para a diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde (Decoop), Aline Costa, a proposta da pasta é qualificar a gestão por meio de processos mais consolidados de M&A, que buscam transformar dados em inteligência estratégica, orientar a alocação de recursos, a priorização de ações e a melhoria dos resultados para a população.
“Mais do que produzir informação, a estratégia objetiva consolidar uma cultura de monitoramento e avaliação como prática de governo. Isso envolve padronizar processos, qualificar bases de dados e assegurar que as informações estejam disponíveis de forma acessível”, defendeu Aline Costa.
Para tirar o projeto do papel, o Ministério da Saúde firmou parceria com a Universidade de Brasília (Unb), de modo a desenvolver metodologias que ampliem a capacidade analítica da pasta para os programas Proadi-SUS, Pronon e Pronas/PCD, bem como a seus instrumentos de cooperação. Entre as principais entregas apresentadas estão:
- Proposição de modelo de monitoramento e avaliação para programas e cooperações técnicas nacional e internacional;
- Catálogo de indicadores e fichas técnicas: guia técnico padronizado para favorecer que os gestores interpretem e meçam os dados da mesma forma;
- Proposição de Modelo lógico: conecta os recursos disponíveis às ações realizadas e aos impactos esperados a partir dos programas e cooperações.
M&A para fortalecer o SUS
Segundo Paulo Sellera, diretor do Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (Demas) da pasta, com a nova cultura de M&A proposta, projetos e programas não serão apenas executados, mas constantemente testados e ajustados conforme os resultados apresentados, de forma a fortalecer o SUS.
“A mudança marca a passagem do desenvolvimento teórico para a aplicação prática, visando um sistema de saúde mais equitativo e eficiente”, pontou Sellera.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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