POLÍTICA NACIONAL

Vai a Plenário nome de Daniella Cesar para embaixadora do Brasil no Senegal

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (13) o nome da diplomata Daniella Xavier Cesar para a embaixada brasileira no Senegal e, cumulativamente, Gâmbia. A indicação, feita pelo presidente da República, ainda precisa ser votada em Plenário.

A mensagem presidencial (MSF 33/2024) foi relatada pelo senador Chico Rodrigues (PSB-RR). O relatório aponta que o idioma português é estudado por cerca de 47 mil pessoas em Senegal, que é um Estado observador associado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Segundo Daniella Cesar, há confluência história entre os dois países desde a escravidão no Brasil-Colônia. Ela afirmou que cerca de 40% do número estimado de 6 milhões de senegaleses e gambianos levados cativos pode ter vindo ao Brasil. 

Ela observou que o trajeto pelo Oceano Atlântico entre os países atualmente enfrenta desafios com novos tipos de violências: o tráfico de drogas e armas. Ela afirmou que acordos de paz assinados em 1986 entre países sul-americanos e africanos banhados pelo Atlântico foram revistos para combater o problema.

— Existem novos desafios de segurança regional, como o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos, a pirataria e a pesca ilegal não declarada e não regulamentada. Esse último aspecto é de grande interesse de Senegal, visto que a pesca é um importante setor da economia e representa a segurança alimentar para aquele país — declarou.

A sabatina que antecedeu a votação foi presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

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Agronegócio e energia

Daniella Cesar apontou que os países de Senegal e Gâmbia importam uma quantidade relevante de alimentos, o que representa uma oportunidade para o Brasil manter a venda de produtos alimentícios, que já caracterizam suas principais exportações. Em 2023, a participação na venda de cereais, como arroz, foi de 44%, e de açúcar, 34%. O total foi de U$ 292 milhões nas exportações brasileiras.

A diplomata disse esperar, ainda, que os senegaleses e os gambianos aumentem suas compras de tecnologias do agronegócio produzidas no Brasil. Além disso, a produção de petróleo e gás por Senegal esperada para os próximos anos pode refletir na venda de serviços e produtos brasileiros.

— [As explorações] abrirão um espaço para as nossas empresas brasileiras, sobretudo pela capacitação, fornecimento de material e serviços de engenharia. Senegal iniciou exportações nos campos de petróleo offshore que poderá gerar um impacto significativo ao país.

Já as importações brasileiras, segundo Daniella, são poucas (apenas U$ 4,4 milhões) e se concentram em minérios de ferro. No entanto, há perspectiva na venda de fertilizantes por Senegal.

Senegal

Localizado no Norte da África, o país é, desde maio de 2019, uma república presidencialista, com o francês como língua oficial e população de cerca de 18 milhões de pessoas, 97,7% delas islâmicas. O Senegal se notabiliza por sua estabilidade política em região afetada por muitos conflitos armados. No entanto, a diplomata afirmou que houve acirramento político nas eleições ocorridas neste ano.

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As relações diplomáticas entre Brasil e Senegal datam de pouco depois da independência senegalesa, ocorrida em 1960. Atualmente, o Itamaraty estima que o número de brasileiros no país seja de 285 pessoas.

Gâmbia

A República presidencialista tem cerca de 2 milhões de habitantes, dos quais mais de 90% são islâmicos. O país alcançou a independência em 1965, quando se iniciaram as relações bilaterais com o Brasil. 

É um dos menores países da África, e suas importações de produtos brasileiros em 2022 não chegou a U$ 30 mil. Já as exportações do Brasil foram de U$ 113,8 mil no mesmo ano. Em 2023, os exportadores brasileiros venderam para o país africano principalmente açúcar (45%), arroz (32%) e carnes (13%).

Biografia

A diplomata Daniella Xavier Cesar já atuou por seis anos na África, entre 2016 e 2022, quando passou pelas embaixadas do Brasil em Pretória, na África do Sul, e em Dar es Salam, na Tanzânia. Também trabalhou como conselheira na embaixada brasileira em Lisboa, Portugal, entre 2012 e 2016.

Ela é formada em História, com mestrado em História da Política Externa. Ingressou na carreira diplomática em 1997 e, desde 2022, integra a Coordenação-Geral de Patrimônio e Acervos do Itamaraty.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Redução de chumbo em tintas segue para sanção

O projeto que reduz o limite permitido de chumbo em tintas e em materiais similares de revestimento de superfícies foi aprovado em Plenário nesta terça-feira (2). O PL 3.428/2023, da Câmara dos Deputados, teve parecer favorável do relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e segue para sanção presidencial.

O texto aprovado estabelece regras mais rígidas para o uso de chumbo, alinhando o Brasil aos padrões internacionais de proteção à saúde. A lei em vigor (Lei 11.762, de 2008) permite um conteúdo de chumbo em tintas imobiliárias, de uso infantil e escolar, vernizes e materiais de revestimento de no máximo 0,06% (600 partes por milhão – ppm) em peso. O novo limite será de 0,009%  (90 ppm), com exceções para tintas de uso industrial ou marítimo, como as usadas para evitar ferrugem ou a fixação de organismos em navios. Nesses casos, a concentração máxima permitida será de 600 ppm. 

A proposição define responsabilidades de fabricantes e importadores e estabelece penalidades a quem descumprir as regras, como notificação, produto apreendido ou multa com valor equivalente ao da mercadoria apreendida.

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Laércio destaca a importância do projeto, já que o chumbo é tóxico e as pessoas podem ser expostas a ele por meio da inalação ou ingestão de poeira decorrente da degradação de tintas aplicadas em paredes, janelas ou em escolas. Segundo ele, essa exposição pode comprometer o neurodesenvolvimento, afetar o crescimento e causar efeitos hematológicos, renais e cardiovasculares. 

“A proposição reduz uma fonte evitável de exposição a metal tóxico, protege crianças, gestantes e demais grupos vulneráveis, fortalece a prevenção de agravos e atualiza o regime legal brasileiro em conformidade com parâmetros sanitários mais protetivos”, ressalta o senador. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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