POLÍTICA NACIONAL

Sessão lembra trabalho de evangelização do fundador da Igreja Cristã Maranata

O Senado fez uma sessão especial nesta quinta-feira (17) para homenagear o fundador da Igreja Cristã Maranata, pastor Gedelti Victalino Gueiros, que morreu em 5 de julho, aos 93 anos.  

Com momentos de música e oração, a sessão foi presidida por Magno Malta (PL-ES), autor do requerimento (RQS 544/2025) para a homenagem, e contou com a presença do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, além de familiares, membros da igreja e representantes do meio evangélico. Ao abrir a solenidade, o senador lembrou de sessão solene ocorrida em 2018 para homenagear os 50 anos da Maranata, quanto Bolsonaro também esteve presente.

— Tem pessoas que acreditam em coincidência; outras, não. Este é o meu caso. No mundo espiritual, não há coincidências. Maranata! — exultou Malta.

Primeiro convidado a falar, Bolsonaro encontrou um ponto em comum com Gedelti: o pastor e seu pai eram dentistas práticos, profissão que disse conhecer bem. O ex-presidente também abordou a efemeridade da vida e do poder, e homenageou o fundador da Maranata.

— A vida se faz de momentos, e este é o momento para eternizarmos o que foi a vida do prezado Gedelti, os seus exemplos, as suas pregações, a maneira como ele conduziu essa grande Igreja Maranata. (…) vamos seguir o exemplo do Gedelti: vamos acreditar, cada um fazer a sua parte, dar o máximo de si.

Doutrina

Primo de Gedelti e atual presidente da igreja, Alexandre Ruben Milito Gueiros, destacou a dedicação do pastor à obra espiritual e seu papel na formação doutrinária da igreja. Segundo ele, Gedelti foi usado pelo Espírito Santo para ensinar que a fé deve ser vivida com profundidade, prática e comunhão, influenciando não apenas a Maranata, mas também outras igrejas em diversos países. Seu legado, afirmou, seguirá vivo entre os fiéis como um tesouro espiritual de valor eterno.

— A exemplo do apóstolo, Gedelti Gueiros viveu gastando, doando seus próprios bens à igreja e se gastando pelo bem da igreja. Ele viveu de fato para entesourar para a Igreja do Senhor Jesus. E esclareço: ele entesourou não exclusivamente para a Maranata, mas para igrejas de diferentes denominações evangélicas e pentecostais, inclusive em outros continentes.

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O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), ressaltou a diferença entre os homens de confiança dos governos terrenos, que têm mandatos temporários, e os que são chamados por Deus para uma missão eterna. Destacando o legado de Gedelti, lembrou que o homenageado, antes dentista, atendeu ao chamado divino para cuidar de almas e deixou marcas profundas como mestre e líder espiritual. Para o deputado, sua vida é exemplo de obediência e dedicação a um governo que não passa: o Reino de Deus. Encerrando sua fala, exaltou a continuidade do ministério e afirmou que o cumprimento das profecias bíblicas mostra a urgência de anunciar o Evangelho.

— Parabéns ao nosso querido — hoje, nesta homenagem póstuma —, aquele que nós respeitamos tanto e gostávamos tanto, que era o nosso professor de todos os sábados de manhã, na televisão, quando víamos os programas dele, mas que hoje já está na eternidade com o Pai. Ele voltou para os braços do Pai. A nossa terra, no dia 5 de julho, tornou-se uma terra mais pobre, mas o céu se enriqueceu com a presença do nosso querido Pastor Gedelti Victalino Teixeira Gueiros.

Testemunho eterno

O pastor coronel Júlio Cezar Costa, conselheiro presbiterial da Igreja Cristã Maranata, discursou em nome da família Gueiros Bitran, exaltando a trajetória de fé, dedicação e legado espiritual de Gedelti. Costa destacou seu papel como líder visionário, responsável pela expansão missionária da Maranata em dezenas de países, sua fidelidade à formação cristã e seu exemplo como pai, esposo e avô. Lembrou também as homenagens recebidas em vida e a inspiração que Gedelti proporcionou a tantos que conviveram com ele na caminhada da fé. Para Júlio Cezar, o pastor não apenas viveu o Evangelho — ele construiu um caminho que seguirá inspirando futuras gerações.

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— Há homens que são claridades permanentes, não passam com o tempo: são memória viva e presença contínua. O Pastor Gedelti Gueiros não é apenas uma lembrança, mas uma referência viva, cuja luz se ampliou em legado e testemunho eterno.

Sem privilégios

Albert Bitran, genro de Gedelti, fez um agradecimento improvisado e emocionado, em que destacou sua simplicidade e o desprendimento pessoal. Segundo ele, seu sogro recusava privilégios e fazia questão de não ser um fardo para a igreja nem para os que o cercavam, inclusive recusando salário ou qualquer benefício pessoal vindo da instituição que liderava. Bitran também lembrou que, mesmo já idoso, Gedelti carregava sua própria mala e fazia questão de manter uma vida austera. Em suas palavras finais, relatou que, apesar de viver com humildade, o pastor foi velado com honras raras, em um funeral marcado por grande comoção e respeito popular.

— Gedelti nunca quis ser pesado para ninguém. Nunca recebeu salário, nunca quis privilégio. Viveu com extrema simplicidade, mas, no seu passamento, teve honrarias de um chefe de Estado. Teve o enterro de um príncipe.

Maranata

A Igreja Cristã Maranata é uma denominação pentecostal brasileira. Foi criada em 1967, em Cariacica (ES), como resultado de um movimento de renovação carismática que impactou denominações tradicionais da época. Inicialmente, foi fundada como Igreja Cristã Presbiteriana, mudando seu nome para Igreja Cristã Maranata em 1980. O nome “Maranata” (do aramaico “Maranatha”) significa “o Senhor vem”. 

Com sede em Vila Velha, a partir do Espírito Santo, a igreja expandiu-se por todo o Brasil e para o exterior, com mais de 5 mil templos e congregações em mais de 100 países.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Relator propõe mudanças no Código de Trânsito; texto será votado em julho por comissão da Câmara

O relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), leu nesta quarta-feira (17) seu parecer sobre o Projeto de Lei 8085/14, do Senado, que tramita em conjunto com outras 270 propostas. Ribeiro apresentou um substitutivo que consolida boa parte dos projetos e das sugestões colhidas ao longo dos debates na comissão.

Um pedido de vista coletivo adiou a discussão e a votação do parecer pela comissão, que deverá retomar a análise do texto no dia 7 de julho, em reunião marcada para as 14 horas. Segundo o presidente do colegiado, deputado Coronel Meira (PL-PE), a expectativa é que a proposta seja votada em seguida no Plenário da Câmara no dia 8 de julho.

Uma das medidas propostas é a Permissão para Dirigir (PPD) para jovens com mais de 16 anos. Segundo o texto de Ribeiro, o menor de 18 anos poderá dirigir veículos da categoria B em perímetros urbanos, entre as 5h e as 23h59, desde que esteja sempre acompanhado por um adulto habilitado há pelo menos dois anos.

Na categoria A (motos até 150 cilindradas), o jovem poderá dirigir desacompanhado, mantendo as mesmas restrições de horário e local.

“A medida pretende ampliar o acesso dos jovens à habilitação, conferir mais autonomia em deslocamentos para estudo e trabalho e permitir a formação gradual de condutores sob supervisão”, justificou Ribeiro.

O substitutivo também reduz a idade mínima para categorias profissionais. Para habilitar-se nas categorias D e E, a idade exigida cai de 21 para 20 anos. O relator afirma que a medida visa reduzir a falta de profissionais no transporte de cargas e passageiros, além de incentivar a entrada de jovens adultos no mercado de trabalho.

Formação
O processo de formação de motoristas, de acordo com a proposta, passará também por uma simplificação para reduzir custos.

O texto cria um teto nacional para as taxas cobradas no processo de habilitação: R$ 30,00 para a abertura e emissão da PPD em qualquer categoria, e R$ 50,00 para cada exame realizado, seja escrito ou de direção. Outra inovação é a possibilidade de o candidato optar por realizar o exame em veículos com câmbio automático.

A CNH definitiva, aos 18 anos, será emitida de forma automática e gratuita, caso o condutor não tenha cometido infrações graves ou gravíssimas ou não seja reincidente em infração média.

A carga horária mínima de aulas práticas de direção foi fixada em 5 horas-aula para as categorias A e B e em 10 horas-aula para as categorias C, D e E. Já os cursos teóricos poderão ser realizados nas modalidades presencial, remota ou à distância (EAD). Hoje o padrão é de 2 horas-aula, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

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A versão do relator prevê ainda a obrigatoriedade de o Ministério da Educação se manifestar técnica e expressamente sobre todas as normas do Contran que tratem do processo de habilitação ou de educação para o trânsito.

CNH social
Na frente voltada a condutores de baixa renda, a proposta fortalece a CNH Social, que será financiada pela destinação de 5% do valor das multas de trânsito arrecadadas em cada estado e no Distrito Federal.

Os recursos serão depositados em fundos estaduais específicos e cobrirão todas as taxas e despesas relacionadas ao processo de formação e emissão do documento.

Médico e psicológico
O projeto exige que os motoristas passem por avaliação psicológica em todas as renovações da CNH. Atualmente, o exame é obrigatório apenas na primeira habilitação. A mudança busca identificar transtornos mentais que possam surgir com o tempo e comprometer a segurança nas vias. Médicos e psicólogos poderão ainda reduzir o prazo de validade dos exames caso detectem indícios de doenças progressivas ou deficiências físicas e mentais.

O texto também cria o Prontuário Nacional do Condutor para registrar as perícias, o que impede que condutores omitam restrições de saúde em diferentes estados. Motoristas com bom histórico no registro de condutores positivos terão renovação automática, mas a realização dos exames de saúde continua obrigatória.

Autoescolas
As antigas autoescolas, pela proposta, passam a ser denominadas oficialmente como Escolas de Trânsito, mas continuam sendo empresas credenciadas pelos Detrans e responsáveis pela formação teórica e prática e por cursos de reciclagem.

Uma novidade da formação é a permissão para que instrutores autônomos atuem como Microempreendedor Individual (MEI) nas categorias A e B, desde que utilizem veículos com duplo comando de freios e sistema de monitoramento das aulas. Esses instrutores, no entanto, não poderão ministrar aulas práticas de direção para candidato menor de 18 anos.

“Sugerimos a convivência entre aulas práticas ministradas por Escolas de Trânsito e por instrutores autônomos, com requisitos equivalentes de segurança veicular”, argumenta o relator.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), uma das que pediu vista, demonstrou preocupação com a regulamentação do instrutor autônomo para evitar a perda de direitos trabalhistas dos profissionais contratados (celetistas). “Nós temos uma preocupação de que os trabalhadores não venham a ser precarizados, ‘pejotizados’ e nós tenhamos, em verdade, a destruição de direitos que foram construídos com muita luta”, disse.

Para apoiar as novas escolas, o projeto cria o Programa Emergencial de Apoio Financeiro às Escolas de Trânsito, prevendo um auxílio de R$ 1.000 mensais por instrutor vinculado à escola. O benefício terá duração de seis meses, com efeitos retroativos a 1º de dezembro de 2025, podendo ser prorrogado por igual período.

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Pedágios
Sobre o funcionamento dos pedágios, o texto regulamenta o sistema de livre passagem (free flow), obrigando as concessionárias a realizar campanhas informativas e a instalar sinalização ostensiva antes dos trechos de cobrança.

O substitutivo também diversifica as formas de pagamento para usuários que não possuem meios eletrônicos (como tags). A quitação da tarifa poderá ser feita de forma antecipada ou em até 30 dias após a passagem, via Pix, cartão de crédito ou débito em canais digitais da concessionária. Também deve ser oferecida a opção de pagamento em espécie ou cartão em instalações físicas às margens da rodovia.

Os usuários deverão receber notificações de todas as passagens por meio de uma plataforma digital federal, que também permitirá a consulta e quitação de débitos. A falta dessas notificações ou de opções de pagamento impede a aplicação de multas por evasão.

Patinetes
O projeto passa a exigir registro e emplacamento traseiro para os equipamentos de mobilidade autopropelidos, como bicicletas e patinetes elétricos, conforme regulamentação a ser editada pelo Contran.

Para operar esses equipamentos, será necessária uma autorização simplificada para condução de autopropelido (ACA), destinada a maiores de 16 anos que sejam aprovados em exame escrito sobre legislação de trânsito. O uso de capacete de segurança é obrigatório para condutores e passageiros.

A circulação deve priorizar ciclovias; em calçadas, a velocidade máxima é de 6 km/h para proteger pedestres. Esses veículos podem circular em vias urbanas de até 60 km/h, preferencialmente pelo bordo direito. O texto passa a prever multas para quem descumprir essas regras.

Veículos autônomos
A circulação de veículos autônomos e semiautônomos deverá, pela proposta, ser regulamentada pelo Contran, que definirá níveis de automação e requisitos mínimos de segurança para cada nível.

O órgão deverá especificar ainda testes e ensaios necessários para certificação e fixar procedimentos para investigar acidentes envolvendo esses veículos.

Radares
Por fim, em relação à fiscalização geral, o projeto proíbe o uso de radares ocultos ou instalados de maneira pouco visível em árvores e postes.

O texto deixa claro que a autuação por excesso de velocidade só será válida se houver sinalização clara do limite de velocidade no local e se existirem estudos técnicos públicos que justifiquem o limite estabelecido.

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Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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