POLÍTICA NACIONAL

Segue para o Plenário indicação de embaixador do Brasil na Coreia do Norte

O nome do diplomata Ricardo Primo Portugal foi aprovado para conduzir a Embaixada do Brasil em Pyongyang, na República Popular Democrática da Coreia, após  passar por sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE) nesta quarta-feira (25). Com parecer favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC), a MSF 85/2025 recebeu 12 votos favoráveis e nenhum contrário e segue para decisão final do Plenário.

O plano de trabalho apresentado por Portugal prevê, entre outros pontos, o avanço do relacionamento bilateral entre Brasil e Coreia do Norte, a continuidade de investimentos interrompidos devido às barreiras e sanções comerciais, além de acordos na área agrícola que, segundo o diplomata, precisam ser retomados.

— Poucos relacionamentos bilaterais do Brasil evidenciam com clareza a confiança e a respeitabilidade que granjeamos a partir do papel que exercemos no mundo e que bem se expressa nos princípios constitucionais da nossa política externa.

Coreia do Norte

Conhecida como Coreia do Norte, a República Popular e Democrática da Coreia, foi fundada ao final da Segunda Guerra Mundial, quando a península coreana, então ocupada pelo Japão, foi dividida em duas partes, com o Norte sob o apoio soviético e o Sul sob influência norte-americana. Estima-se o PIB do país em 2024 tenha sido US$ 34,9 bilhões.

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As relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Norte foram estabelecidas em 2001. Em 2003, ocorreu a primeira missão de diplomatas brasileiros a Pyongyang. A embaixada norte-coreana em Brasília instalou-se em 2005; já brasileira em Pyongyang, em 2009. Contudo, durante a pandemia de covid-19, de janeiro de 2020 a junho de 2024, a embaixada brasileira foi desativada em consequência do fechamento das fronteiras e da evacuação da maioria do corpo diplomático do país.

O volume do comércio bilateral decresceu de US$ 375 milhões em 2008, para US$ 45 milhões em 2012, estando hoje virtualmente paralisado. As exportações brasileiras, esporádicas e de reduzido valor, eram sobretudo de produtos alimentícios e matérias primas; já as importações eram de produtos industrializados. 

Formação

Portugal nasceu em 1962, em Porto Alegre. Ingressou na carreira diplomática em 1998 e foi promovido a ministro de segunda classe em 2019. Atuou em áreas variadas e dedicou-se, prioritariamente, a temas asiáticos, com destaque para as relações com os países da Ásia Oriental, em especial a China, as Coreias e o Sudeste Asiático, e também temas consulares e de emigração.  

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No exterior, serviu como primeiro-secretário e conselheiro na Embaixada do Brasil em Quito, no Equador, de 2013 a 2016. De 2016 a 2019, atuou como cônsul-geral adjunto em Bruxelas. Também exerceu o cargo de assessor técnico no Departamento de Rússia e Ásia Central do Ministério das Relações Exteriores (MRE), de 2019 a 2022. Desde 2022 ocupa o posto de ministro-conselheiro do Brasil em Tirana, na Albânia.

O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) desejou boa sorte a Portugal e se colocou à disposição do diplomata, “especialmente frente aos desafios inerentes à Coreia”. 

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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