POLÍTICA NACIONAL
Moro afirma que Senado preserva essência da Lei da Ficha Limpa
O senador Sergio Moro (União-PR) destacou nesta quarta-feira (3), em pronunciamento no Plenário, que a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 192/2023 manteve a essência da Lei da Ficha Limpa. Segundo ele, uma emenda redacional apresentada ao relator, senador Weverton (PDT-MA), e ao presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), evitou que o prazo de inelegibilidade fosse reduzido para condenados por crimes graves.
— A Lei da Ficha Limpa foi uma proposta de iniciativa popular muito celebrada à época e teve como objetivo blindar o mundo político, impedindo que aqueles que cometeram crimes possam concorrer a mandatos e levar essa influência negativa para os cargos. Além disso, determinadas infrações e crimes podem até dar uma vantagem competitiva a um candidato em detrimento de outros. O texto da Câmara reduzia na prática esse prazo de inelegibilidade, mas conseguimos preservar a regra original: condenados permanecem inelegíveis desde a decisão em órgão colegiado até o fim da pena, acrescido de oito anos — explicou.
O senador ressaltou que a mudança acolhida pelo Senado atendeu a manifestações de entidades religiosas e da sociedade civil, como organizações de pastores evangélicos e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). De acordo com Moro, com a emenda, foram mantidas as regras para casos de corrupção, peculato, tráfico de drogas, crimes hediondos e praticados por organizações criminosas.
— Pode parecer exagerado, mas não é. Aquele que traiu a confiança da população, se apropriando de recursos públicos, aceitando suborno ou se envolvendo com organização criminosa, deve ficar afastado da política pelo maior tempo possível. Claro que esperamos que o eleitor faça esse filtro, mas é importante estabelecer barreiras legais, já que muitas vezes a prática de alguns delitos pode até servir como vantagem em relação àqueles que seguem corretamente a lei. A essência da Lei da Ficha Limpa foi preservada, mantendo longe da vida pública pessoas condenadas por crimes graves — afirmou.
Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Projeto que cria Política de Proteção ao Produtor Rural gera divergência
Representantes de vários setores econômicos divergiram, nesta terça-feira (30), sobre o Projeto de Lei 4588/21, que cria a Política Nacional de Proteção ao Produtor Rural. A proposta já passou pela Comissão de Agricultura e agora está em análise na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, que promoveu uma audiência pública para debater o tema.
O consultor jurídico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Kaufmann, apoia a proposta. Segundo ele, o texto corrige falhas da lei atual.
“O projeto trata dos interesses econômicos e jurídicos do produtor rural. Nos aspectos contratuais, garante o direito à informação clara, o acesso facilitado ao crédito e melhorias no seguro rural”, afirmou Kaufmann.
A Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja) também elogiou a proposta. A entidade destaca como ponto positivo a atualização das faixas de faturamento para enquadrar os produtores em políticas públicas.
O projeto também recebeu o apoio de Marcelo Lara, diretor de agronegócio da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (PA).
“A proposta traz mais equilíbrio para a negociação. Deixamos de ser reféns das grandes empresas exportadoras (tradings). O texto protege quem produz e garante o direito de buscar a Justiça”, defendeu Lara.

Riscos de crédito
As principais críticas ao projeto vieram da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa os exportadores de grãos. O presidente da entidade, André Nassar, alertou para o endividamento alto do setor. Ele teme os impactos da proposta.
“Esse projeto vai aumentar a incerteza para os compradores e criar um receio enorme de investir, justamente quando o produtor mais precisa de parceiros. Podemos enfraquecer contratos e a Cédula de Produto Rural (CPR)”, explicou Nassar.
A Abiove apresentou 11 pontos de preocupação sobre o projeto, tais como:
- problemas no Orçamento federal;
- interferência na autonomia da Justiça e do Ministério Público;
- imposições às Defensorias Públicas;
- fiscalização e punições arbitrárias.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou um estudo que relaciona o volume de crédito e a inadimplência ao aumento de pedidos de recuperação judicial no campo.
O diretor de produtos da Febraban, Rafael Baldi, fez um alerta sobre o risco de crédito.
“O projeto deve aumentar o risco para os bancos, o que vai encarecer os financiamentos e restringir o acesso aos recursos, devido às fragilidades criadas para os credores”, alertou Baldi.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), Renato Buranello, as leis atuais já são suficientes para proteger quem trabalha no campo.
“Precisamos mesmo de um Código de Defesa do Produtor? Ou será que podemos aproveitar o amplo conjunto de normas que já existe?”, questionou Buranello.
Próximos passos
O relator do projeto na comissão, deputado Henderson Pinto (União-PA), explicou como pretende equilibrar as diferentes opiniões para aprimorar a proposta.
“As sugestões vão ajudar a melhorar o texto para aprovar o que for melhor para todos. Mas o foco principal continua sendo proteger o produtor, para que ele não arque sozinho com os prejuízos causados por problemas no campo, como o clima”, afirmou o relator.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
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