POLÍTICA NACIONAL
Especialistas destacam importância dos sistemas de avaliação do ensino
Em debate na Câmara dos Deputados, especialistas cobraram avanços nos sistemas de avaliação do ensino e destacaram que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é parte fundamental no processo.
Ligado ao Ministério da Educação, o Inep é responsável, entre outras atividades, pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e por pesquisas, estatísticas e indicadores educacionais.
O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Rubens Campos de Lacerda Júnior, garantiu no debate que a autarquia está comprometida com melhorias nos sistemas de avaliação, em coordenação com os estados e os municípios.
Sistema Nacional de Educação
O debate nesta segunda-feira (4) foi proposto pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), relatora de subcomissão que analisa a criação do Sistema Nacional de Educação (SNE), previsto no Projeto de Lei Complementar 235/19, do Senado. A subcomissão é vinculada à Comissão de Educação da Câmara.
A proposta cria o SNE com objetivo de alinhar, harmonizar e articular políticas e programas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Entre outros pontos, o texto determina a unificação dos sistemas de avaliação.
“A avaliação educacional é fundamental para a qualidade do ensino. Como o SNE trata desse assunto, precisamos refletir sobre o que dá para fazer e o que não dá. Podemos usar melhor os dados em políticas públicas”, avaliou Adriana Ventura.
Centralização questionada
Os especialistas reunidos pela deputada discordaram de pontos da proposta em análise na Câmara. Com seis apensados, o texto tramita em regime de urgência e está pronto para a pauta do Plenário, mas não há ainda uma data para votação.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), Joaquim José Soares Neto, a unificação sugerida não deveria levar à centralização de ações no âmbito federal, pois a Constituição dá autonomia aos demais entes.
Sem Saeb
Já o diretor da Fundação Lemann, Daniel de Bonis, fez um alerta. “O texto do Senado não faz menção ao Saeb, e parece um risco de retrocesso. Não podemos fugir do propósito do sistema educacional, o direito à aprendizagem”, afirmou.
O Saeb existe desde 1990. Por meio de testes e questionários, aplicados a cada dois anos na rede pública e em uma amostra da rede privada, reflete, segundo o Inep, os níveis de aprendizagem demonstrados pelos estudantes avaliados.
Também participaram da audiência pública desta segunda-feira o professor José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, que presidiu o Inep entre 2014 e 2016; e o diretor do Instituto Alfa e Beto, Márcio da Costa.
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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