POLÍTICA NACIONAL

Especialistas cobram novas portarias para garantir terapia nutricional a paciente com câncer

Médicos e nutricionistas cobraram do governo federal, nesta quarta-feira (19), a atualização de portarias do Ministério da Saúde a fim de garantir a oferta de terapia nutricional especializada a pacientes com câncer.

Em debate promovido pela comissão especial da Câmara dos Deputados que acompanha o combate ao câncer no Brasil, eles lembraram que a nutrição especializada já está prevista na lei que criou, em 2023, a política nacional de prevenção e controle da doença, mas ainda não foi devidamente regulamentada pelo Poder Executivo.

A nutricionista oncologista Simone Kikuchi explicou que a nutrição especializada não tem como objetivo substituir a alimentação tradicional, mas sim complementar o que o paciente não consegue receber adequadamente pelas vias normais. Segundo Simone, no momento do diagnóstico, 45% dos pacientes com câncer já perderam 10% do seu peso, e mais de 50% dos hospitalizados e 30% dos atendidos em ambulatórios se encontram desnutridos.

“O nosso pedido é para revisar essas portarias e incluir diretrizes mais claras de acesso à nutrição especializada para o paciente, além de normatizar os critérios de uso dessa nutrição: para quem, quando e como a gente faz para esse paciente, de fato, ter acesso [à nutrição]”, disse.

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Médico oncologista e nutrólogo, Pedro Dal Bello lembrou que os efeitos colaterais do tratamento, como náuseas e vômitos, principalmente após sessões de radioterapia e quimioterapia, comprometem a boa nutrição do paciente pelo método tradicional.

“A base do tratamento nutricional do paciente com câncer é comida de fato, alimentação, mas quantos pacientes conseguem de fato comer de forma adequada? É por isso que a gente tem que pensar sim na nutrição especializada”, defendeu.

Paciente em tratamento, Letícia Caprio relatou a experiência de precisar se alimentar com mucosite – inflamação das mucosas da boca causada por radioterapia, quimioterapia e outros agentes. “Eu acordei com a famosa mucosite, mais conhecida como afta, em todos os lugares de mucosa do corpo. Eu não consigo engolir, dor de garganta. Eu não consigo beber água, porque dói, mas eu preciso comer, porque se eu não comer, eu não melhoro, é quase uma sensação de impotência real”, contou.  

O debate foi proposto pelo deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), que reforçou a previsão legal da terapia nutricional especializada para pacientes com câncer durante o tratamento.

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“A lei define o cuidado integral como a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, a quimioterapia, a radioterapia, a navegação, os cuidados paliativos, os acompanhamentos psicológicos e a nutrição especializada. Não estamos pedindo nada, só estamos querendo que aquilo que está na legislação seja cumprido”, afirmou o deputado.

Carmen dos Santos, coordenadora-geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, reconheceu a importância da terapia nutricional para o tratamento dos pacientes e informou que a regulamentação da medida pelo governo federal depende agora de estudos relacionados ao impacto financeiro e orçamentário.

“Nós estamos com novos estudos do impacto financeiro e a necessidade de previsão orçamentária na LOA [Lei Orçamentária Anual] para que ela seja implementada”, disse.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova regras gerais para o diagnóstico precoce de câncer de pulmão no SUS

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que estabelece diretrizes nacionais para o rastreamento e diagnóstico precoce do câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta tem como objetivo reduzir as taxas de mortalidade e aumentar a sobrevida dos pacientes por meio da detecção antecipada da doença, que é a principal causa de morte por câncer no Brasil.

Para a autora do projeto, deputada Flávia Morais, a medida é urgente devido ao impacto econômico e social do diagnóstico tardio, que eleva custos assistenciais e causa perdas significativas de produtividade.

Texto aprovado
Foi aprovada a versão do relator, deputado Geraldo Resende (PSDB-MS), que ajustou a proposta original – Projeto de Lei 2550/24, da deputada Flávia Morais (PDT-GO) – para adaptar o texto à legislação já existente.

O substitutivo estabelece como diretrizes o desenvolvimento de ações educativas, a capacitação permanente de profissionais de saúde, o uso de estratégias de saúde digital e o estímulo à busca ativa de grupos de alto risco na atenção primária.

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A principal mudança em relação à proposta original é a flexibilização dos critérios técnicos no texto da lei. Enquanto o projeto recomendava especificamente a realização anual de tomografia computadorizada de baixa dose para indivíduos de alto risco entre 50 e 80 anos, o substitutivo aprovado removeu esse detalhamento operacional.

A intenção, segundo o relator, é evitar o “engessamento” da prática médica e permitir que as ações a serem adotadas simplesmente sigam protocolos clínicos e processos de incorporação de tecnologias em saúde do Ministério da Saúde.

O texto também prevê a integração das ações de identificação precoce com programas de cessação do tabagismo, em consonância com a Política Nacional de Controle do Tabaco.

Próximas etapas
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada agora pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para se tornar lei, o texto precisa da aprovação da Câmara e do Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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