POLÍTICA NACIONAL

Debatedores pedem fortalecimento da rede de proteção aos idosos

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A necessidade de mais atenção do poder público às pessoas idosas foi o foco da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) desta segunda-feira (16). O debate fez referência ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, comemorado no domingo (15). Participantes do debate defenderam um cuidado ampliado com essa parcela da população, com o fortalecimento da rede de proteção e o combate efetivo às violações de direitos dos idosos do país. 

Presidente do colegiado, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é autora do requerimento para o ciclo de debates sobre o tema. De acordo com a parlamentar, embora a Política Nacional do Idoso (Lei 8.842, de 1994) vise assegurar direitos sociais e criar condições para promover a autonomia, integração e participação efetiva na sociedade, na prática ainda é necessário discutir o assunto, em virtude das estatísticas crescentes de diversas formas de violência contra os idosos no Brasil (veja mais sobre os tipos de violência abaixo). 

— Celebrar o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa é, sim, fundamental, mas vai além. É um chamado contínuo à ação, já que a realidade nos impõe desafios crescentes. A longevidade, que deveria ser motivo de celebração e orgulho, tem sido ofuscada por uma estatística alarmante: o aumento das violências contra esse grupo — disse a senadora, que comandou a audiência. 

Crescimento da violência

Segundo o Censo Populacional de 2022, a população de idosos com 60 anos ou mais atingiu 32,1 milhões, correspondendo a 15,6% da população brasileira. Em 2010, esse grupo representava 10,8% da população, segundo a senadora. Porém, ao mesmo tempo em que cresce a população de pessoas idosas, é registrado também um crescimento nas violências contra esse grupo populacional, disse a presidente da CDH.

Dados recentes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), citados na audiência, revelam que, em 2024, foram registradas 179,6 mil denúncias de violações de direitos humanos contra a pessoa idosa, sendo recorrentes as violências físicas, psicológicas, negligência, abandono e violência institucional, abuso financeiro, violência patrimonial, violência sexual e discriminação. 

Em 2024, a negligência foi a principal violação de direitos, compreendendo 17,51% das denúncias registradas. Ela foi seguida pela exposição de risco à saúde, com 14,68%; pela tortura psíquica, com 12,89%; e por maus-tratos, correspondendo a 12,20% do total de denúncias registradas. Damares e outros participantes do debate ressaltaram, no entanto, que o aumento dos registros se deve também ao aperfeiçoamento das linhas de comunicação e ao crescimento do número de canais de denúncias ao longo do tempo. 

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Violência funcional

Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Marco Túlio Gualberto Cintra ressaltou uma violência do ponto de vista funcional que os idosos também sofrem no Brasil: a falta de acessibilidade e a ausência ou insuficiência do preparo profissional dos responsáveis pelo atendimento a essa população. 

Segundo o debatedor, em muitas cidades brasileiras ainda falta uma rede de proteção e de denúncia coesa e acessível e há poucas delegacias especializadas, centros de referência e equipes multidisciplinares capacitadas. Além disso, ele mencionou uma carência de treinamento específico para profissionais de áreas como saúde, segurança pública, assistência social e judiciário para identificar, acolher e encaminhar casos de violência contra idosos. 

Marco Túlio reforçou também que muitos idosos sofrem de algum nível de comprometimento cognitivo, o que acarreta dependência e, consequentemente, sujeição a casos de violência e de abandono dentro de suas próprias casas. Ele falou da necessidade de a sociedade denunciar casos de abusos, ressaltando que há possibilidade de anonimato, no intuito de todos ajudarem a erradicar situações abusivas contra idosos no Brasil. 

— Muitos idosos são pessoas que passam o dia sozinhas, não sabem o que está sendo feito do dinheiro delas, sofrem xingamentos, são dependentes e não têm condições de buscar nem mesmo uma unidade de saúde próxima de suas casas. Os agressores são, geralmente, parentes. E, muitas vezes, são os próprios filhos. Então, ao presenciar uma cena de violação de direitos, denuncie, porque uma mensagem para o Disque 100 [por exemplo] pode mudar o destino de uma vida — aconselhou o debatedor. 

‘Idadismo’

O secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alexandre da Silva, ressaltou que o preconceito e a discriminação por questões de idade é uma realidade no Brasil. Ele observou que os números da violência têm a ver também com o maior e melhor acesso da sociedade às informações, mas ponderou que algumas formas de agressões não podem ser mensuradas por se manifestarem, muitas vezes, de formas sutis. 

—  Uma situação é quando a pessoa idosa não maneja o seu próprio recurso [financeiro ou material], o que já define um pouco a sutileza e, ao mesmo tempo, a naturalização da violência ou das violências contra as pessoas idosas. 

Alexandre da Silva pontuou que o número de brasileiros idosos tem aumentado a cada dia e que é possível envelhecer com qualidade. Para o secretário, é importante que a sociedade e os governos incentivem essa população aos estudos e à empregabilidade. Ele também afirmou que é preciso evitar estereótipos, como figuras de alguém com postura encurvada ou usando bengala. 

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— Não é só a violência física que marca. A violência é sempre na intensidade de quem a sente, não cabe a nós falar se é pouco, se é muito, se é uma palavra ou não. Além da informação, da conscientização, é preciso apresentar boas práticas mostrando, por exemplo, até como podemos nos comunicar por meio das redes sociais e de materiais diversos para nos referenciarmos às pessoas idosas.  

O secretário disse ser fundamental o Brasil ratificar a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos. Adotado no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA), o tratado internacional visa promover, proteger e garantir o pleno exercício dos direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas idosas, em condições de igualdade. O Brasil foi o primeiro país a assinar o documento, junto com Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai. O texto do decreto aguarda aprovação no Congresso Nacional.

— Essa ratificação é algo que a sociedade está demandando do Executivo e do Legislativo, e o Brasil não pode ficar para trás — defendeu.

Boas práticas

Damares ressaltou que, além de discutir violações de direitos, também é importante informar a sociedade sobre boas práticas e levar uma mensagem de esperança à população. Para a senadora, iniciativas de governo bem-sucedidas merecem ser transformadas em normas jurídicas, e não devem ocorrer apenas por meio de decretos presidenciais, e sim como políticas permanentes e com previsão de recursos orçamentários próprios. 

— As boas políticas públicas que estão dando certo, seja qual for o governo, precisam ser transformadas em leis. Há muita coisa boa sendo feita. 

Damares citou, por exemplo, a Lei 10.741, de 2003, conhecida como Estatuto da Pessoa Idosa. O texto foi editado para regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, de modo a dar-lhes, entre outros benefícios, preferência na formulação e execução de políticas públicas pelo Estado. 

Tipos de violências que os idosos mais sofrem:

Física Agressões, empurrões, lesões corporais
Psicológica/emocional Ameaças, humilhações, insultos, isolamento, terrorismo psicológico
Financeira/patrimonial Exploração de bens, aposentadorias, fraudes, apropriação indébita (é o tipo mais subnotificado e um dos mais prevalentes)
Negligência  e abandono Falta de cuidados básicos, omissão de socorro, privação de necessidades essenciais (higiene, alimentação, medicamentos)
Sexual Abuso e exploração sexual
Institucional Praticada por instituições ou profissionais que desrespeitam os direitos ou negligenciam o cuidado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Davi Alcolumbre acerta prioridades do Congresso em reunião com Lula e Motta

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se nesta quarta-feira (26) no Palácio da Alvorada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. No encontro, ficou acertada a lista de matérias que serão prioridade no Congresso Nacional nos próximos dias.

Essas matérias são o fim da escala 6 x 1 (PEC 221/2019); a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025); a MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas (MP 1.357/2026); o Marco Legal dos Minerais Críticos (PL 2.780/2024); e a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata (PL 278/2026).

Davi elogiou a pauta da reunião e disse que o encontro permitiu o acerto de agendas importantes para o país.

— A relação construída entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional tem dado muitos frutos positivos ao povo brasileiro — afirmou.

O presidente do Senado anunciou que as matérias estarão na pauta da semana de 31 de agosto a 4 de setembro, em que ele já havia previsto um esforço concentrado.

— Uma coisa eu posso garantir: nós vamos deliberar essas matérias na semana do esforço concentrado, pois será a última semana [de votação] que teremos antes das eleições — explicou.

Escala 6×1

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

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Na última sexta-feira (21), Davi despachou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o relator é o senador Omar Aziz (PSD-AM). Segundo Davi, o relatório deve ser apresentado na CCJ na próxima quarta-feira (2 de setembro).

Segurança Pública

O relator da PEC da Segurança Pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Rogério Carvalho (PT-SE), já informou que vai apresentar relatório favorável à aprovação da proposta da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados.

A proposta reorganiza o sistema de segurança pública no país, ao redefinir as fontes de financiamento do setor, incluindo a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas aos fundos nacionais de segurança pública e do sistema penitenciário.

— Temos, no Congresso Nacional, a clareza da necessidade urgente de termos definido o papel de cada ente e recursos para o enfrentamento da questão, e tudo isso se dará na votação dessa PEC. Sabemos que é uma demanda da sociedade — declarou Davi, logo após a reunião, acrescentando que o relatório deve ser apresentado na próxima semana na CCJ.

Taxa das blusinhas

A MP 1.357/2026 zera temporariamente a chamada “taxa das blusinhas”, como ficou conhecida a cobrança de Imposto de Importação federal de 20% sobre remessas postais internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260 na cotação atual). Criada em 2024 com a intenção declarada de proteger o comércio nacional, a taxa foi suspensa pelo governo em maio deste ano.

— Faço o compromisso que, na semana que vem, nós vamos deliberar essa matéria, para proteger milhões de brasileiros — registrou Davi, lembrando que a MP tem validade até o dia 8 de setembro.

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De acordo com Hugo Motta, a relatoria da MP deve ficar a cargo de um senador.

Minerais críticos

Outra matéria que deve ser votada na próxima semana é a proposta que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2.780/2024). Além de criar o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, o texto busca fomentar a pesquisa, extração, beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos, essenciais para setores-chave da economia, como a transição energética e a segurança nacional.

Datacenters

O Redata (PL 278/2026) oferece incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem datacenters no Brasil. O objetivo é fomentar o setor de tecnologia da informação, promovendo o uso de energia limpa e investimentos em pesquisa e inovação. Do deputado José Guimarães (PT-CE), a matéria ainda aguarda a definição de relator e já recebeu 22 emendas.

Diálogo

Hugo Motta disse estar feliz com o resultado da reunião. Em sua visão, o Brasil precisa de diálogo, cooperação e trabalho conjunto entre Congresso e Executivo, para tratar de temas que interessam à população brasileira.

Na mesma linha, o presidente Lula elogiou a conversa entre o governo e o Legislativo e disse que os interesses do povo brasileiro precisam estar em primeiro lugar. Segundo ele, as matérias tratadas na reunião são importantes “para garantir mais tempo e segurança para as famílias brasileiras”.

— O importante é que a gente tenha a dimensão do que é urgente e prioridade. Essas matérias são importantes e são prioridade do povo brasileiro — declarou Lula.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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