POLÍTICA MT
Wilson Santos debate impactos da Lei do Transporte Zero com pescadores de MT
Para acompanhar de perto a situação dos pescadores de Mato Grosso, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) iniciou uma expedição e irá visitar as principais colônias de pesca do estado. Neste sábado (12), ele estará nos municípios de Porto Alegre do Norte e Santa Teresinha.
O objetivo da expedição é avaliar os possíveis impactos sociais e econômicos enfrentados pela categoria e esclarecer a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 12.434/2023 – conhecida como “Transporte Zero” – que proíbe o transporte, armazenamento e comercialização de pescado.
A primeira reunião realizada pelo parlamentar foi com integrantes da Colônia de Pescadores e Aquicultores Z-20, em Juína, na última sexta-feira (4), juntamente com os vereadores da Câmara Municipal. Ele avaliou que a situação dos pescadores foi bastante afetada com a legislação estadual vigente, que proíbe a captura, o transporte e a comercialização de 12 espécies de peixes em Mato Grosso.
“As espécies proibidas são justamente as mais procuradas. Existem duas leis que se complementam e eu votei contra ambas. Hoje, o pescador só pode consumir o peixe à beira do rio. Não pode transportar nem armazenar. Para o pescador profissional, isso é inviável. Ele precisa vender o pescado para garantir o sustento da família. Muitos estão enfrentando sérias dificuldades financeiras com a paralisação da atividade econômica”, explicou Wilson.
O presidente da colônia de pescadores, Wanderley Reis, destacou que a entidade também atende profissionais dos municípios de Aripuanã, Cotriguaçu, Juruena, Juara, Guariba e região. “A lei prejudicou demais os pescadores. Com a proibição de algumas espécies, ficou ainda mais difícil garantir o sustento. Nem compensa gastar combustível para ir ao rio. Está muito difícil. Esses peixes eram os de maior saída. Os rios estão longe. A visita do Wilson Santos trouxe um alento. Contamos com o apoio dele”, relatou.
A pescadora Sônia Aparecida Machado, que atua de forma regularizada há 10 anos, reforçou o drama vivido pela categoria. “A pesca era nossa fonte de renda. Eu ficava até duas semanas direto no rio. Hoje, não posso transportar o peixe. Se não fosse meu companheiro, eu estaria dependendo da cesta básica. A situação está muito difícil. E se não fosse o apoio do Wilson Santos, nem sei como estaríamos. A maioria de nós está passando necessidade. Essa é a nossa realidade”, desabafou.
A presidente da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASP/MT), Nilma Silva, afirmou que os pescadores vivem em um estado de calamidade pública. “Me sinto honrada por ser acolhida pela Assembleia Legislativa e pelos pescadores. Trabalho há 25 anos na pesca e essa é uma luta desleal. Desde 2012 tentam encerrar nossa atividade. A criação do Conselho Estadual de Pesca só agravou a situação, substituindo o defeso e penalizando ainda mais os profissionais, especialmente financeiramente”, disse.
Wilson Santos explicou que importantes órgãos federais já analisaram a matéria e apontaram inconstitucionalidade na lei do Transporte Zero. Entre eles, estão o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Ministério da Pesca e Aquicultura, que destacou a ausência de estudos técnicos ou evidências científicas que justifiquem a suspensão da pesca por cinco anos.
Atualmente, aguarda-se a votação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs nº 7.471, 7.514 e 7.590) que tramitam, há dois anos, sem julgamento na Suprema Corte.
Nilma Silva complementou dizendo que os pareceres de órgãos federais dão segurança jurídica para derrubar a lei, mas é preciso articulação entre as colônias. “A Cota Zero trouxe fome, miséria e desemprego à população. Perdemos na Assembleia, mas propusemos as ADIs. Agora, nossa esperança está no STF. Estamos confiantes”, declarou a presidente da ASP.
“As leis continuam em vigor, mas precisamos mobilizar forças para que o STF paute e julgue as ADIs que estão paradas. A luta ainda não está perdida. Sugiro que os vereadores apresentem indicações ao STF, à Assembleia Legislativa e à bancada federal de Mato Grosso, para reforçarmos esse movimento e cobrarmos o julgamento das ações. Coloco minha assessoria à disposição dos pescadores para apoio jurídico, caso necessitem”, disse o deputado.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Aos 79 anos, Júlio Campos admite aposentadoria após ficar como suplente na ALMT
Ex-governador recebeu 17,7 mil votos e afirma que já cogitava deixar as disputas eleitorais antes mesmo da campanha deste ano
Aos 79 anos e depois de não conseguir a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) admitiu, nesta quarta-feira (7), que pode encerrar uma trajetória política de mais de cinco décadas.
Ao comentar o futuro após as eleições, Júlio afirmou que a idade é um dos fatores que pesam na decisão e lembrou os diferentes cargos que já ocupou ao longo da vida pública.
“Olha, a própria idade já até recomenda e eu também já fui tudo, né?”, declarou.
Na disputa por uma cadeira na Assembleia, Júlio recebeu 17.732 votos e terminou como suplente. Em Várzea Grande, principal reduto eleitoral de sua trajetória política, obteve 4.957 votos.
O parlamentar revelou que a possibilidade de deixar as eleições já havia sido considerada antes da campanha de 2026. Segundo ele, a decisão de concorrer novamente ocorreu após o resultado da convenção partidária.
“Já tinha pensado nisso antes. Vocês lembram que não era meu pensamento entrar nessa campanha, mas devido ao resultado da convenção eu fui obrigado a voltar ser candidato para marcar presença. Mas o futuro a Deus pertence”, afirmou.
O resultado ocorre no mesmo ano em que o irmão de Júlio, o senador Jayme Campos (União Brasil), não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Governo de Mato Grosso. Na convenção realizada em julho, o União Brasil decidiu apoiar Otaviano Pivetta (Republicanos), que venceu a eleição para governador.
Com o mandato de Jayme no Senado chegando ao fim, os dois irmãos deverão ficar sem mandato eletivo a partir de 2027, caso não haja mudança no cenário atual.
Júlio Campos iniciou sua trajetória política como prefeito de Várzea Grande, cargo que exerceu entre 1973 e 1977. Posteriormente, foi deputado federal, governador de Mato Grosso entre 1983 e 1986 e senador da República. Também retornou à Câmara dos Deputados e, mais recentemente, à Assembleia Legislativa, onde iniciou novo mandato em 2023.
Após mais de 50 anos de vida pública, Júlio evita cravar definitivamente a aposentadoria, mas reconhece que o encerramento da carreira eleitoral passou a ser uma possibilidade concreta.
“Eu também já fui tudo”, resumiu.
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