COFRE ELEITORAL — ELEIÇÕES 2026
União abre o cofre e injeta R$ 1 milhão na campanha de Mauro ao Senado
Direção nacional banca praticamente toda a arrecadação inicial do ex-governador na corrida por uma vaga no Senado; candidato já declarou R$ 1,055 milhão em recursos eleitorais
A direção nacional do União Brasil decidiu abrir o cofre para impulsionar a candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado por Mato Grosso. Dos R$ 1,055 milhão declarados até agora pela campanha, R$ 1 milhão saiu diretamente da estrutura nacional da legenda.
Os números constam nos dados disponibilizados à Justiça Eleitoral e mostram que aproximadamente 95% de toda a arrecadação inicial de Mauro tem origem em um único repasse feito pelo diretório nacional do União Brasil.
Além do aporte milionário, a candidatura registrou outros R$ 25 mil provenientes da direção estadual do União Brasil em Mato Grosso, comandada pelo próprio Mauro.
A prestação de contas também registra uma doação de R$ 30 mil feita por Pascoal Santullo Neto.
Com esses valores, a campanha alcançou R$ 1,055 milhão em receitas declaradas neste início da corrida eleitoral.
UNIÃO APOSTA NA DISPUTA PELO SENADO
O repasse de R$ 1 milhão mostra que a direção nacional colocou recursos relevantes na candidatura de Mauro em Mato Grosso.
Depois de deixar o Governo do Estado, Mauro disputa pela primeira vez uma cadeira no Senado Federal e entra em uma das eleições mais concorridas do Estado.
Entre os adversários estão a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o ex-governador Pedro Taques (PSB), o senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e a suplente de senadora Margareth Buzetti (PP), além dos demais candidatos registrados para a disputa.
A corrida pelo Senado tem peso estratégico ainda maior em 2026 porque Mato Grosso escolherá dois senadores, ampliando a disputa entre algumas das principais lideranças políticas do Estado.
PATRIMÔNIO DE R$ 67,1 MILHÕES
Além das receitas da campanha, a declaração apresentada à Justiça Eleitoral mostra que Mauro Mendes informou patrimônio de aproximadamente R$ 67,1 milhões.
A maior parte do valor está concentrada na participação de 75% no capital social da Bipar Investimentos Ltda., declarada em R$ 63,75 milhões.
Entre os demais bens aparece uma casa com terrenos em área de 1.885,12 metros quadrados, avaliada em R$ 2,87 milhões, além de um galpão em estrutura metálica declarado por aproximadamente R$ 378,1 mil.
Mauro também informou R$ 154,5 mil no fundo de investimentos América P.E.V., além de R$ 2.759,05 depositados em conta corrente na Caixa Econômica Federal.
A relação patrimonial inclui ainda uma área de terra localizada em São Francisco de Goiás, avaliada em R$ 24 mil.
CAMPANHA COMEÇA COM APORTE MILIONÁRIO
O dado que mais chama atenção neste início da prestação de contas, entretanto, está na origem do dinheiro destinado à campanha.
Dos R$ 1,055 milhão arrecadados, R$ 1 milhão veio diretamente da direção nacional do União Brasil.
Isso significa que aproximadamente R$ 95 de cada R$ 100 arrecadados pela candidatura até agora têm origem no aporte nacional da legenda.
Com o reforço financeiro, Mauro inicia oficialmente a corrida por uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado com o respaldo político e financeiro da direção nacional do União Brasil e um caixa eleitoral que já ultrapassa a marca de R$ 1 milhão.
POLÍTICA MT
Janaina se revolta com PL do sogro e admite: “Se soubesse, poderia ter saído independente” – veja entrevista
Candidata ao Senado contesta divisão do tempo de TV que favoreceu José Medeiros, leva disputa ao TRE e expõe novo desconforto dentro da aliança com o partido comandado em Mato Grosso pelo sogro, Wellington Fagundes
A divisão do tempo de propaganda eleitoral abriu um novo foco de tensão dentro da coligação que reúne MDB e PL nas eleições de 2026. A candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) demonstrou forte insatisfação com o espaço destinado à sua campanha e admitiu que poderia ter seguido outro caminho caso soubesse antecipadamente das condições estabelecidas.
Em entrevista ao MídiaNews, Janaina afirmou que poderia até ter disputado a eleição de maneira independente se tivesse conhecimento prévio de como seria feita a divisão do tempo de rádio e televisão.
“Se eu soubesse da situação, eu poderia ser candidata, por exemplo, independente”, declarou Janaina ao MídiaNews.
A declaração aumenta a temperatura nos bastidores da coligação e coloca a emedebista em rota de colisão com o PL de seu sogro, o senador Wellington Fagundes, candidato ao Governo de Mato Grosso.
MEDEIROS FICA COM A MAIOR FATIA
O centro da disputa é a divisão do tempo de propaganda entre Janaina e o deputado federal José Medeiros (PL), que também concorre ao Senado dentro da mesma coligação.
Conforme a representação apresentada à Justiça Eleitoral, a divisão definida em ata pelo PL teria destinado cerca de 65% do tempo de mídia a Medeiros, equivalente a 1 minuto e 12,64 segundos.
Janaina teria ficado com 27%, ou 30,39 segundos.
A diferença provocou reação da candidata, que inicialmente tentou resolver o impasse por meio do diálogo. Sem acordo, decidiu levar a discussão para a Justiça Eleitoral.
Em entrevista ao MídiaNews, Janaina afirmou que esta é sua quarta eleição e que nunca havia presenciado uma discussão semelhante sobre o tempo de propaganda dentro de uma coligação.
“Nunca tinha ouvido falar em uma coligação que não dividisse o tempo”, disse.
JANAINA NEGA ACORDO
A candidata também negou que tenha concordado previamente em ceder espaço para Medeiros.
Para Janaina, uma coligação deveria servir justamente para agregar forças políticas, alianças e também ampliar a presença dos candidatos no rádio e na televisão.
A emedebista classificou a situação como inusitada e argumentou que a divisão estabelecida representa uma desvantagem eleitoral para sua candidatura.
Foi justamente diante desse cenário que Janaina admitiu que poderia ter escolhido uma candidatura independente, caso soubesse antecipadamente das condições impostas para a distribuição do tempo.
RACHADURA VAI PARAR NO TRE
Sem entendimento político, a briga por segundos na televisão acabou no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
Na noite de quarta-feira (26), a Justiça Eleitoral indeferiu o pedido liminar apresentado pela defesa da candidata. A discussão sobre o mérito deverá ser analisada pelo plenário.
Segundo a representação, uma ata da Comissão Executiva Provisória do PL, datada de 6 de agosto, teria tratado a divisão do tempo como uma “condição do ajuste de coligação”.
Janaina argumenta, entretanto, que a decisão não teria sido ratificada pelas demais legendas integrantes da aliança, formada também por MDB, Novo e Federação PRD/Solidariedade.
RACHADURA EXPOSTA
O episódio transforma uma discussão aparentemente técnica sobre segundos de televisão em um problema político dentro da própria coligação.
De um lado está José Medeiros, candidato do PL ao Senado e beneficiado com a maior parcela do tempo segundo a divisão questionada. Do outro, Janaina, que tenta ampliar judicialmente sua exposição na propaganda eleitoral.
No meio da disputa está justamente o PL comandado em Mato Grosso por Wellington Fagundes, sogro de Janaina e candidato ao Governo dentro da mesma aliança eleitoral.
A frase da emedebista escancara o tamanho do desconforto: se soubesse antes como seria feita a divisão, poderia ter seguido independente.
O que começou como uma disputa por tempo de televisão agora expõe uma rachadura na coligação em plena campanha eleitoral e coloca Janaina frente a frente com o partido do próprio sogro.
Veja a entrevista
As declarações de Janaina Riva reproduzidas nesta matéria foram concedidas em entrevista ao MídiaNews.
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