REPRESENTATIVIDADE FEMININA
Quatro mulheres podem fazer história na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
Samantha do Abilio, Rafaela Fávaro, Alessandra Ferreira e Jéssica Riva disputam vagas pelo Legislativo estadual e podem formar uma bancada feminina inédita na próxima legislatura
A eleição de 2026 pode marcar um momento inédito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Pela primeira vez, quatro mulheres podem ser eleitas para ocupar cadeiras na mesma legislatura. Samantha do Abilio (PL), Rafaela Fávaro (PSD), Alessandra Ferreira (Podemos) e Jéssica Riva (MDB) estão na disputa por uma vaga no Legislativo estadual e chegam à campanha apoiadas por diferentes grupos políticos.
Samantha do Abilio concorre pelo PL e ganhou projeção após ser a vereadora mais votada de Cuiabá nas eleições municipais de 2024, quando recebeu 7.460 votos. A candidatura conta ainda com o apoio político do marido, o prefeito da Capital, Abilio Brunini (PL), que confirmou publicamente o projeto eleitoral da esposa.
Em Rondonópolis, Alessandra Ferreira disputa pelo Podemos. Primeira-dama do município e esposa do prefeito Cláudio Ferreira, ela busca o primeiro mandato na Assembleia e tem como principal base política o grupo ligado à atual administração municipal.
Rafaela Fávaro é candidata pelo PSD. Jornalista e filha do senador e ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro, ela também tenta pela primeira vez uma cadeira na Assembleia. Nas eleições de 2024, participou da disputa pela Prefeitura de Cuiabá como candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Lúdio Cabral (PT).
Pelo MDB, Jéssica Riva também busca seu primeiro mandato no Legislativo estadual. Ela é filha do ex-deputado estadual José Riva e irmã da deputada estadual Janaina Riva, que disputa uma vaga ao Senado em 2026.
As quatro candidaturas estão distribuídas entre diferentes partidos e grupos políticos, ampliando a presença feminina na disputa proporcional deste ano. A Assembleia Legislativa possui 24 cadeiras e, caso as quatro candidatas sejam eleitas, a próxima legislatura terá uma bancada feminina de quatro parlamentares, configurando um cenário inédito na Casa.
Os dados disponíveis sobre a arrecadação de campanha também mostram movimentações financeiras entre as candidatas. Entre os cinco maiores doadores informados, Samantha aparece com R$ 673.990,63, enquanto Jéssica soma R$ 655.714,26. Alessandra registra R$ 533 mil e Rafaela Fávaro, R$ 353.677,42.
Entre os maiores repasses individuais, Alessandra recebeu R$ 400 mil de Alexandre Augustin, enquanto Samantha recebeu R$ 300 mil de Elizeu Zulmar Maggi Scheffer. Os valores consideram os dados apresentados na prestação de contas eleitoral.
Com diferentes trajetórias e bases políticas, Samantha, Rafaela, Alessandra e Jéssica entram na corrida por uma das 24 cadeiras da ALMT. O resultado das urnas definirá se Mato Grosso terá, pela primeira vez, quatro mulheres eleitas para compor simultaneamente a Assembleia Legislativa na mesma legislatura.
Com informações olhar direto
POLÍTICA MT
TCE alerta para risco de fechamento do CAMPI em Várzea Grande
Dificuldades financeiras interromperam atendimentos e colocam em risco a continuidade da assistência especializada a crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) alertou para o risco de fechamento do Centro de Atividades Multidisciplinar de Apoio Pedagógico Inclusivo (CAMPI), em Várzea Grande, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela unidade. O espaço é responsável pelo atendimento especializado de centenas de crianças da rede municipal.
O alerta foi feito pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, que esteve no CAMPI nesta segunda-feira (14), acompanhado dos auditores Denisvaldo Mendes Ramos e Sérgio Sales. A visita ocorreu após a unidade suspender os atendimentos na sexta-feira (11), devido a atrasos nos repasses da Prefeitura de Várzea Grande. Os serviços foram retomados na segunda-feira.
Atualmente, o CAMPI atende 348 alunos da rede municipal e conta com uma equipe multiprofissional formada por neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. O contrato mantido com a Prefeitura prevê atendimento a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiências múltiplas, TDAH e outros transtornos do neurodesenvolvimento.
A situação da unidade faz parte de uma auditoria mais ampla realizada pelo TCE sobre o atendimento oferecido a crianças autistas e neurodivergentes em Mato Grosso. O levantamento, conduzido pela Comissão de Políticas Públicas do Tribunal, ouviu quase 200 famílias de Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Rondonópolis e Cáceres.
Entre os dados levantados, 90,3% das famílias entrevistadas afirmaram já ter enfrentado interrupções no tratamento. Em aproximadamente metade desses casos, os responsáveis precisaram recorrer à Justiça para tentar garantir a continuidade da assistência.
O transporte também aparece como um dos principais obstáculos. Segundo o levantamento, 80% das famílias disseram já ter deixado de levar os filhos ao tratamento por falta de dinheiro para o deslocamento. Outros 71% afirmaram que a distância até os locais de atendimento prejudica o acompanhamento.
A pesquisa também revelou preocupação das famílias com o futuro das crianças. Ao todo, 97,2% dos entrevistados disseram não saber onde os filhos serão atendidos depois dos 14 anos, evidenciando uma lacuna na continuidade da assistência especializada.
Em Várzea Grande, o TCE identificou ainda uma diferença significativa nos números relacionados às crianças com autismo. Dados do Ministério da Educação apontavam 1.211 crianças no município, enquanto levantamento mais recente da Prefeitura indicava aproximadamente 2,3 mil.
A falta de atendimento adequado também contribui para o aumento da judicialização. Conforme dados apresentados pelo presidente do TCE, somente em Rondonópolis, ações judiciais relacionadas a tratamentos para pessoas com autismo representam um custo anual estimado entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões.
Em todo Mato Grosso, demandas judiciais relacionadas à reabilitação infantil movimentaram aproximadamente R$ 32 milhões entre 2024 e 2025.
A auditoria do TCE ainda está em andamento e pretende mapear a estrutura disponível nos municípios, identificar falhas na prestação dos serviços e cobrar medidas para garantir a continuidade do atendimento às crianças e às famílias.
Diante desse cenário, a situação do CAMPI em Várzea Grande passa a ser tratada como parte de um problema mais amplo na rede de atendimento especializado do Estado, com impacto direto na rotina das famílias que dependem desses serviços.
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