IMPASSE NA CÂMARA

Presidente da Câmara de VG rejeita pedido de 15 vereadores para convocar nova eleição

Wanderley Cerqueira indeferiu requerimento para escolha da Mesa Diretora; parlamentares acusam presidente de descumprir Regimento Interno

Publicados

em

A disputa pelo comando da Câmara de Várzea Grande ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (6). O presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), rejeitou um requerimento assinado por 15 dos 23 vereadores para convocação de uma sessão extraordinária destinada à realização de uma nova eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028.

O documento foi apresentado em plenário pelo vereador Charles da Educação (União), que defendeu a convocação com base na Lei Orgânica e no Regimento Interno. O parlamentar também citou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e alegou existir omissão sobre o tema desde 1º de outubro.

“Diante disso, peço a Vossa Excelência para rever o posicionamento sobre o dever de convocação da sessão diária e sobre o requerimento subscrito pelos 15 vereadores destinando a sessão para que ocorra no prazo de 24 horas a contar do encerramento dessa sessão”, afirmou Charles.

O vereador pediu ainda que, em caso de negativa, a decisão fosse registrada em ata. Após a leitura do requerimento, Wanderley indeferiu o pedido.

A decisão provocou reação do líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara, vereador Rogério da Dakar (PSDB), que acusou a Presidência de desrespeitar as regras internas do Legislativo.

Leia Também:  CST das mudanças climáticas realiza primeira reunião

“Está rasgando o regimento interno. Toda vez que no regimento interno diz, bem claro, que o plenário é soberano”, declarou.

Rogério também questionou o fato de o requerimento ter sido assinado por 15 vereadores, número que representa a maioria absoluta da Câmara, e ainda assim ter sido rejeitado.

“E onde 15 vereadores pede a abertura, ou seja, a data da nova eleição e o presidente indefere”, disse.

O parlamentar ampliou as críticas à condução da Presidência e afirmou que vereadores estariam tendo falas interrompidas e projetos deixariam de ser colocados em votação.

“Então, mais uma vez, o regimento interno dessa Casa de Lei está sendo rasgado. Como foi rasgado no decorrer de todos esses mandatos dessa presidência?”, questionou.

A controvérsia sobre a Mesa Diretora se arrasta desde maio, quando Wanderley Cerqueira foi declarado reeleito após vencer por 12 votos a 11 a chapa liderada por Lucas Ribeiro Ductievicz, o Lucas do Chapéu do Sol (PL).

Posteriormente, a eleição realizada em 14 de maio foi anulada por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em reclamação apresentada pelo vereador Bruno Lins Rios (PL). Conforme relatado no processo, o ministro considerou irregular a antecipação do pleito, que deveria ocorrer em agosto.

Leia Também:  Assembleia Legislativa ouve Alan Porto sobre possíveis irregularidades na Seduc

Com a anulação, o grupo de oposição a Wanderley passou a defender a realização imediata de uma nova eleição. Os vereadores afirmam ter maioria absoluta para definir a próxima composição da Mesa Diretora.

Wanderley, por outro lado, sustenta que a decisão do STF anulou o pleito realizado em maio, mas não determinou expressamente a convocação imediata de uma nova votação. Em decisão administrativa publicada na última sexta-feira (1º), o presidente alegou não existir, até aquele momento, ordem do Supremo obrigando a Câmara a realizar outra eleição.

A Câmara recorreu da decisão de Toffoli. O agravo interno deverá ser submetido a julgamento presencial na 2ª Turma do STF. Enquanto isso, processos relacionados à disputa também permanecem suspensos à espera de uma definição do Supremo.

Com o novo requerimento rejeitado, permanece o impasse sobre quando será realizada a eleição que definirá a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande para o próximo biênio.

Propaganda

POLÍTICA MT

TCE envia caso à OAB e pede apuração sobre atuação de advogados em recurso de contrato de R$ 32 milhões

Conselheiro Antonio Joaquim apontou possível litigância de má-fé após recurso mencionar suposta interferência de membro da Corte sem apresentar, segundo ele, elementos concretos

Publicados

em

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou o envio à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) de documentos relacionados a um recurso apresentado pelo Instituto Social de Saúde São Lucas (ISSSL). A medida busca apurar eventual violação de deveres profissionais e possível litigância de má-fé por parte da entidade e de seus procuradores.

A determinação foi tomada pelo conselheiro Antonio Joaquim durante a análise de recursos relacionados ao Chamamento Público nº 003/2026, realizado pela Prefeitura de Pontes e Lacerda para contratar uma organização social responsável pela gestão do Hospital Vale do Guaporé. O contrato firmado com o Instituto São Lucas é de R$ 32 milhões por ano.

O procedimento havia sido suspenso pelo TCE após representação apresentada pelo Instituto de Saúde Santa Rosa (ISSR). Posteriormente, tanto o Município quanto o Instituto São Lucas recorreram.

Ao reexaminar o caso, Antonio Joaquim reconheceu que o contrato com o ISSSL havia sido assinado em 31 de julho e estava em execução desde 1º de agosto, corrigindo uma premissa temporal utilizada anteriormente. Apesar disso, o relator considerou que ainda existem pontos que precisam ser apurados no chamamento público, principalmente em relação ao cumprimento do item 15.10 do edital, ao contraditório e aos critérios utilizados na avaliação técnica das propostas.

Leia Também:  Deputado Thiago Silva apoia evento "Celebra Rondonópolis", com cantora gospel Valesca Mayssa

Na decisão, o conselheiro também apontou o que classificou como “transparência insuficiente” e uma postura “pouco colaborativa” por parte da Prefeitura. Segundo o entendimento apresentado no processo, o Município não teria comunicado inicialmente a assinatura do novo contrato. Documentos referentes à homologação e ao ajuste teriam sido encaminhados ao Tribunal apenas em 3 de setembro, mesma data da publicação da decisão que havia suspendido o chamamento.

Outro ponto que continuará sob análise envolve a sessão de abertura das propostas. Entre os questionamentos estão a possibilidade de uma concorrente ter tido acesso à proposta do Instituto de Saúde Santa Rosa, apresentado objeções e influenciado a discussão antes da consolidação das notas, além da suposta participação de uma pessoa que não estaria cadastrada na sessão.

A decisão também prevê análise dos critérios empregados na avaliação técnica.

O ponto que motivou o envio do caso à OAB-MT foi uma alegação apresentada pelo Instituto São Lucas sobre uma possível interferência de integrante do TCE na formação do convencimento do relator.

Antonio Joaquim afirmou que a acusação não foi acompanhada de fato concreto ou prova. Conforme registrado na decisão, o recurso fez referência ao vínculo conjugal de uma antiga dirigente do Instituto de Saúde Santa Rosa com um membro da Corte. Na avaliação do conselheiro, a argumentação colocou sob suspeita a independência da relatoria sem apresentar elementos objetivos que sustentassem a alegação.

Leia Também:  Deputado Thiago e vereador Vinícius viabilizam R$ 300 mil para a saúde

Diante disso, Antonio Joaquim determinou o encaminhamento de cópias do recurso e da decisão ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT para que seja apurada eventual violação aos deveres profissionais de veracidade, lealdade, boa-fé e urbanidade.

Também deverá ser investigada eventual prática de litigância de má-fé pelo Instituto São Lucas e seus procuradores. A própria decisão ressalva que deverá ser garantido o contraditório e a ampla defesa antes de qualquer responsabilização.

Apesar da controvérsia no TCE, o contrato com o Instituto São Lucas permanece em execução. Isso ocorre porque o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu liminar suspendendo os efeitos da decisão que havia determinado a paralisação do contrato.

A decisão judicial, porém, não impede o TCE de prosseguir com a análise do chamamento público e dos indícios de possíveis irregularidades apontados no processo.

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA