DECISÃO DO TCE

TCE envia caso à OAB e pede apuração sobre atuação de advogados em recurso de contrato de R$ 32 milhões

Conselheiro Antonio Joaquim apontou possível litigância de má-fé após recurso mencionar suposta interferência de membro da Corte sem apresentar, segundo ele, elementos concretos

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou o envio à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) de documentos relacionados a um recurso apresentado pelo Instituto Social de Saúde São Lucas (ISSSL). A medida busca apurar eventual violação de deveres profissionais e possível litigância de má-fé por parte da entidade e de seus procuradores.

A determinação foi tomada pelo conselheiro Antonio Joaquim durante a análise de recursos relacionados ao Chamamento Público nº 003/2026, realizado pela Prefeitura de Pontes e Lacerda para contratar uma organização social responsável pela gestão do Hospital Vale do Guaporé. O contrato firmado com o Instituto São Lucas é de R$ 32 milhões por ano.

O procedimento havia sido suspenso pelo TCE após representação apresentada pelo Instituto de Saúde Santa Rosa (ISSR). Posteriormente, tanto o Município quanto o Instituto São Lucas recorreram.

Ao reexaminar o caso, Antonio Joaquim reconheceu que o contrato com o ISSSL havia sido assinado em 31 de julho e estava em execução desde 1º de agosto, corrigindo uma premissa temporal utilizada anteriormente. Apesar disso, o relator considerou que ainda existem pontos que precisam ser apurados no chamamento público, principalmente em relação ao cumprimento do item 15.10 do edital, ao contraditório e aos critérios utilizados na avaliação técnica das propostas.

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Na decisão, o conselheiro também apontou o que classificou como “transparência insuficiente” e uma postura “pouco colaborativa” por parte da Prefeitura. Segundo o entendimento apresentado no processo, o Município não teria comunicado inicialmente a assinatura do novo contrato. Documentos referentes à homologação e ao ajuste teriam sido encaminhados ao Tribunal apenas em 3 de setembro, mesma data da publicação da decisão que havia suspendido o chamamento.

Outro ponto que continuará sob análise envolve a sessão de abertura das propostas. Entre os questionamentos estão a possibilidade de uma concorrente ter tido acesso à proposta do Instituto de Saúde Santa Rosa, apresentado objeções e influenciado a discussão antes da consolidação das notas, além da suposta participação de uma pessoa que não estaria cadastrada na sessão.

A decisão também prevê análise dos critérios empregados na avaliação técnica.

O ponto que motivou o envio do caso à OAB-MT foi uma alegação apresentada pelo Instituto São Lucas sobre uma possível interferência de integrante do TCE na formação do convencimento do relator.

Antonio Joaquim afirmou que a acusação não foi acompanhada de fato concreto ou prova. Conforme registrado na decisão, o recurso fez referência ao vínculo conjugal de uma antiga dirigente do Instituto de Saúde Santa Rosa com um membro da Corte. Na avaliação do conselheiro, a argumentação colocou sob suspeita a independência da relatoria sem apresentar elementos objetivos que sustentassem a alegação.

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Diante disso, Antonio Joaquim determinou o encaminhamento de cópias do recurso e da decisão ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT para que seja apurada eventual violação aos deveres profissionais de veracidade, lealdade, boa-fé e urbanidade.

Também deverá ser investigada eventual prática de litigância de má-fé pelo Instituto São Lucas e seus procuradores. A própria decisão ressalva que deverá ser garantido o contraditório e a ampla defesa antes de qualquer responsabilização.

Apesar da controvérsia no TCE, o contrato com o Instituto São Lucas permanece em execução. Isso ocorre porque o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu liminar suspendendo os efeitos da decisão que havia determinado a paralisação do contrato.

A decisão judicial, porém, não impede o TCE de prosseguir com a análise do chamamento público e dos indícios de possíveis irregularidades apontados no processo.

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POLÍTICA MT

Ilde evita antecipar futuro de CPIs arquivadas e diz que decisão será discutida com vereadores

Presidente eleito afirma que pretende avaliar as pautas após assumir o comando da Câmara; pedidos sobre Educação e denúncia de assédio sexual foram arquivados

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Eleito por unanimidade para presidir a Câmara Municipal de Cuiabá no biênio 2027/2028, o vereador Ilde Taques (Podemos) evitou antecipar se pretende retomar os pedidos de criação das CPIs da Educação e do Assédio Sexual, arquivados pelo Legislativo.

Após a eleição da nova Mesa Diretora, nesta terça-feira (6), Ilde afirmou que o assunto deverá ser analisado em conjunto com os demais vereadores e integrantes da Mesa após assumir oficialmente a Presidência, em 1º de janeiro.

“Nós temos que, depois de assumir, ver quais pautas ainda estão para colocar, discutir com os vereadores. Enfim, ainda vou ser presidente dia 1º de janeiro. E eu quero discutir com a Mesa”, afirmou.

Ilde foi eleito com os 27 votos da Câmara, após a formação de uma chapa única. A nova Mesa Diretora terá Eduardo Magalhães (Republicanos) como vice-presidente, Adevaír Cabral (Solidariedade) na 1ª Secretaria, Michelly Alencar (União) na 2ª Secretaria e Maria Avalone (PSDB) na 2ª vice-presidência.

Antes da definição da chapa, a atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), buscava viabilizar a permanência no comando do Legislativo. A possibilidade, entretanto, dependia de uma alteração no Regimento Interno que não avançou.

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Os pedidos para instalação das duas CPIs foram arquivados sob a justificativa de que a Câmara já havia atingido o limite de cinco comissões parlamentares de inquérito funcionando simultaneamente.

A CPI da Educação pretendia investigar a aplicação de recursos da Secretaria Municipal de Educação, incluindo uma dívida apontada em R$ 131 milhões, além de questionamentos relacionados à aquisição de materiais didáticos e outros insumos.

Já a CPI do Assédio Sexual havia sido proposta para apurar uma denúncia envolvendo o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), William Leite de Campos. Conforme o relato apresentado, uma ex-servidora registrou boletim de ocorrência denunciando suposto assédio durante o período em que trabalhou diretamente com William.

Após a repercussão do caso, William deixou o cargo. A denúncia, contudo, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade, que depende da apuração pelas autoridades competentes.

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