CLIMA ELEITORAL

Pivetta resgata delação de Silval e eleva tom contra Wellington na disputa pelo Governo

Governador associa adversário a acusações feitas pelo ex-governador e afirma que apoio dos prefeitos à sua reeleição reflete parceria do Estado com os municípios

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O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), elevou o tom das críticas ao senador Wellington Fagundes (PL), seu adversário na corrida ao Palácio Paiaguás, ao mencionar a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, firmada em 2017. 

Sem mencionar Wellington nominalmente durante parte da declaração, Pivetta afirmou que um dos candidatos ao Governo havia sido citado na colaboração de Silval e relacionou o episódio ao que classificou como práticas de “corrupção e incompetência”. O governador também declarou acreditar que os eleitores rejeitam a volta de antigos grupos políticos ao comando do Estado. 

Na delação, Silval relatou um episódio envolvendo Wellington e repasses do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) destinados às obras da Copa em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo a versão apresentada pelo ex-governador, Wellington teria informado que seria necessário pagamento de vantagem indevida para normalizar a liberação dos recursos. Trata-se de uma acusação feita em colaboração premiada, e a menção ao senador não representa, por si só, condenação ou comprovação judicial de que ele tenha recebido propina. 

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O assunto já chegou à Justiça Eleitoral durante a atual campanha. Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) negou pedido de retirada urgente de um vídeo divulgado por Pivetta que fazia referência à delação. Na decisão, a magistrada considerou que o recorte utilizado tinha correspondência com fatos noticiados à época. A decisão, contudo, foi relativa ao pedido de urgência e não significou julgamento definitivo sobre a veracidade das acusações contra Wellington. 

Pivetta também relacionou sua força política entre os prefeitos à forma como, segundo ele, o Governo do Estado mantém a relação com os municípios. O governador afirmou que gestores municipais receberam recursos estaduais independentemente da filiação partidária e sustentou que não houve pressão política do Executivo para condicionar os repasses. 

O republicano conta atualmente com apoio declarado da ampla maioria dos prefeitos de Mato Grosso. Levantamento publicado nesta sexta-feira (18) aponta adesão de 135 dos 142 gestores municipais à sua candidatura à reeleição. 

Segundo Pivetta, essa relação institucional ajudaria a explicar a adesão dos prefeitos ao seu projeto político. Ele afirmou que a intenção é manter o Estado como parceiro dos municípios, independentemente da posição partidária de cada gestor. 

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POLÍTICA MT

Medeiros rasgou elogios a Alexandre de Moraes e Alcolumbre o chamou de “meu irmão”; veja o vídeo

Registros mostram candidato ao Senado elogiando a preparação jurídica de Moraes e celebrando a eleição de Davi Alcolumbre para a Presidência do Senado; imagens voltam à tona na reta final da disputa eleitoral

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Vídeos com declarações do deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) voltaram a circular nesta reta final da campanha eleitoral em Mato Grosso e colocaram novamente sob os holofotes a relação política que o parlamentar manteve no passado com o ministro Alexandre de Moraes e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Os registros mostram um Medeiros que, anos atrás, adotava um discurso bastante diferente daquele utilizado atualmente ao se referir a Moraes e a Alcolumbre.

Em fevereiro de 2017, quando Alexandre de Moraes havia sido indicado pelo então presidente Michel Temer para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Medeiros participou das discussões envolvendo a indicação e fez avaliações positivas sobre a preparação jurídica do então ministro da Justiça.

Medeiros participou inclusive de um encontro com Moraes e outros senadores antes da sabatina oficial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na época, o parlamentar defendeu como normal esse tipo de conversa entre senadores e candidatos indicados ao Supremo.

Reportagens e registros daquele período recuperados durante a atual campanha também mostram Medeiros tratando Moraes como um nome altamente preparado para o cargo.

O posicionamento chama atenção principalmente quando confrontado com o discurso adotado atualmente pelo candidato, que passou a fazer críticas contundentes ao ministro do Supremo.

RELAÇÃO COM ALCOLUMBRE

Outro vídeo antigo que voltou a circular mostra José Medeiros ao lado de Davi Alcolumbre em fevereiro de 2019, logo depois da primeira eleição do senador do Amapá para a Presidência do Senado.

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Nas imagens, Medeiros comemora o resultado e afirma que Mato Grosso se “regozijava” com a vitória de Alcolumbre sobre Renan Calheiros. O parlamentar tratava naquele momento a eleição como uma renovação para o Senado.

A manifestação recebeu uma resposta igualmente calorosa de Alcolumbre.

“José Medeiros é meu irmão, meu amigo de todas as lutas”, declarou Alcolumbre, sorridente, ao lado do parlamentar mato-grossense.

O registro evidencia a proximidade política existente entre os dois naquele período. Alcolumbre ainda manifestou o desejo de contar novamente com Medeiros no Senado para ajudá-lo na condução dos trabalhos da Casa.

Sete anos depois, o cenário político é diferente.

Nesta quinta-feira (17), após debate eleitoral, Medeiros fez críticas públicas a Alcolumbre, afirmou que o presidente do Senado não teria cumprido compromissos e declarou que poderia inclusive enfrentá-lo numa eventual disputa pelo comando da Casa.

DE ELOGIOS ÀS CRÍTICAS

O contraste também aparece na relação com Alexandre de Moraes.

Atualmente, Medeiros faz críticas duras ao ministro e chegou recentemente a defender sua prisão. Em fevereiro de 2017, entretanto, Medeiros esteve entre os senadores que participaram de encontro com Moraes antes da sabatina no Senado.

As imagens recuperadas agora permitem ao eleitor comparar momentos diferentes da trajetória política do candidato: de um lado, o Medeiros que demonstrava confiança na preparação de Alexandre de Moraes e comemorava a chegada de Alcolumbre ao comando do Senado; de outro, o candidato que atualmente adota um discurso de enfrentamento em relação aos dois.

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A relação com Alcolumbre também ganhou espaço na campanha depois das discussões envolvendo a esposa de Medeiros, Ruth Shizue Yamamoto Medeiros, servidora efetiva da Prefeitura de Rondonópolis cedida ao Senado. Medeiros sustenta que a cessão ocorreu dentro da legalidade e afirma que a esposa exerce a função por mérito profissional.

A existência do vínculo funcional, por si só, não demonstra irregularidade. Politicamente, porém, o assunto passou a integrar o debate eleitoral justamente por causa das cobranças de setores conservadores para que o Senado avance com pedidos de impeachment contra ministros do STF.

O que os vídeos deixam documentado é a transformação do discurso ao longo dos anos. Medeiros já fez manifestações favoráveis à preparação de Alexandre de Moraes e celebrou publicamente a eleição de Davi Alcolumbre, que, diante das câmeras, chegou a definir o parlamentar mato-grossense como “meu irmão” e “amigo de todas as lutas”.

Agora, em plena campanha para retornar ao Senado, esses registros do passado voltam ao debate justamente no momento em que Medeiros busca reforçar sua identificação com o eleitorado conservador e endurece suas críticas tanto ao Supremo quanto ao comando da Casa.

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