FORA DA BASE

Crise no grupo governista: Botelho endurece discurso e ameaça saída

Aliados proximos falam em mágoas das eleições de 2024 e apontam acúmulo de desgastes na relação com o núcleo duro do Palácio Paiaguás

O deputado estadual Eduardo Botelho (União) elevou o tom contra o líder do governo na Assembleia Legislativa, Dilmar Dal Bosco (União), e anunciou sua saída do bloco governista, abrindo uma nova frente de tensão dentro da base do governador Mauro Mendes (União).

A ruptura foi motivada pela disputa em torno da composição da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), considerada a principal comissão permanente do Parlamento estadual.

Botelho afirma que havia um acordo para sua indicação como titular do colegiado, o que, segundo ele, não foi cumprido.
Em declarações públicas, o parlamentar acusou Dilmar de ter agido de forma “sorrateira” e “covarde”, alegando quebra de palavra. “Não vou ser liderado por político sem palavra, que decide tudo sozinho”, disparou.

Quebra de confiança

Nos bastidores, interlocutores apontam que o episódio da CCJ foi apenas o estopim de um desgaste que já vinha se acumulando há meses. A avaliação é que há uma quebra de confiança entre Botelho e parte do núcleo governista.

Durante o período em que presidiu a Assembleia, Botelho adotou postura considerada independente, abrindo espaço para a oposição e mantendo diálogo com diferentes correntes políticas. Essa condução, embora institucional, teria causado incômodo no Palácio Paiaguás.

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Outro fator que pesa na relação é a mudança no regimento interno promovida ainda na gestão de Botelho, que passou a impedir o líder do governo de presidir comissões permanentes movimento interpretado por aliados como ponto sensível na relação com Dilmar Dal Bosco.

Mágoas de 2024

Além da disputa interna na Assembleia, aliados próximos ao deputado afirmam que há mágoas remanescentes das eleições municipais de 2024. Segundo essas fontes, compromissos políticos não teriam sido integralmente honrados, o que aprofundou o distanciamento.

O grupo governista, por sua vez, já demonstrava desconforto com a aproximação de Botelho com lideranças como os irmãos Júlio Campos e Jayme Campos, dentro do União Brasil. O deputado é visto como um dos parlamentares simpáticos à eventual candidatura de Jayme Campos ao governo do Estado em 2026 cenário que não é o preferido pelo núcleo mais próximo de Mauro Mendes.

Novo bloco

Com a saída do bloco governista, Botelho solicitou ingresso no bloco “Movimento Democrático Brasileiro”, que reúne parlamentares do MDB e tem como líder a deputada Janaína Riva, além dos deputados Dr. João, Juca do Guaraná e Thiago Silva.

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A movimentação altera o equilíbrio interno da Assembleia e expõe fissuras dentro da base governista em um momento em que as articulações para 2026 começam a ganhar forma.

Embora ainda não se fale oficialmente em rompimento definitivo com o governo, o gesto político é interpretado como um aviso claro de que o deputado não pretende permanecer em posição secundária dentro do grupo.
Nos corredores do Legislativo, a leitura é direta: a crise pode ser pontual, mas o desgaste é estrutural.

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POLÍTICA MT

Jayme Campos evita projetar votação e diz que vontade do União Brasil prevalecerá sobre alianças

Às vésperas da convenção do União Brasil, o senador Jaime Campos adotou um discurso de cautela ao ser questionado sobre a expectativa de votos que poderá receber durante a definição dos rumos da legenda para as eleições de 2026. Sem fazer qualquer projeção, o parlamentar afirmou que confia na democracia interna do partido e no direito de cada convencional de manifestar livremente sua posição.

Segundo Jayme, a convenção representa um momento de fortalecimento da democracia partidária e deve ser conduzida com respeito aos filiados e às decisões coletivas. O senador ressaltou que acredita no processo democrático e que o resultado será fruto da manifestação legítima dos correligionários.

“Acredito na democracia, no direito ao voto e no respeito aos correligionários. A vontade do partido deve ser respeitada”, afirmou.

Jayme Campos também fez questão de destacar que, em sua avaliação, os interesses do União Brasil devem prevalecer sobre qualquer negociação política. Para ele, a legenda precisa definir seus próprios rumos antes de discutir eventuais composições eleitorais.

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“Acima de qualquer interesse de coligação ou de qualquer outra circunstância, está o interesse do partido. A vontade partidária vem em primeiro lugar e deve ser respeitada por todos”, declarou.

O senador evitou comentar números ou fazer previsões sobre o desempenho na convenção, afirmando que cabe aos convencionais decidir o futuro da sigla de forma livre e soberana. Segundo ele, o processo interno fortalece o partido e demonstra maturidade política.

A convenção do União Brasil é aguardada com grande expectativa por reunir as principais lideranças da legenda em Mato Grosso e deverá definir os próximos passos da sigla para as eleições de 2026. A manifestação de Jayme Campos reforça o discurso de valorização da democracia interna, da autonomia partidária e do respeito às decisões tomadas pelos filiados.

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