POLÍTICA MT
Audiência pública reforça defesa dos direitos indígenas e da proteção territorial em Mato Grosso
A audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira (12), durante o Acampamento Terra Livre de Mato Grosso (ATL-MT), no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, reuniu lideranças indígenas, representantes da sociedade civil e parlamentares para discutir direitos indígenas, proteção territorial e políticas públicas voltadas aos povos originários.
Organizado pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), o encontro destacou demandas relacionadas à demarcação de terras, combate às invasões e ao garimpo ilegal, além da necessidade de ampliar ações nas áreas de saúde, educação e sustentabilidade nos territórios indígenas do estado.
A deputada Eliane Xunakalo (PT), requerente da audiência pública, destacou a diversidade e a presença histórica dos povos indígenas em Mato Grosso durante o encontro. Segundo ela, o estado abriga 43 povos indígenas, além de povos em processo de isolamento e um povo em processo de imigração, presente principalmente nas áreas urbanas de Cuiabá.
Ela afirmou que o objetivo da audiência foi ouvir as lideranças indígenas e encaminhar as demandas apresentadas às autoridades competentes, como secretarias estaduais e municipais de saúde e educação. “Mato Grosso é terra indígena. Estamos reafirmando uma coisa muito óbvia, mas que precisa ser dita constantemente”, declarou Xunakalo.
A parlamentar ressaltou ainda que os povos indígenas necessitam de visibilidade, respeito e implementação de direitos, considerando as diferentes realidades existentes nos territórios e nas cidades. Segundo ela, o estado possui cerca de 60 mil indígenas distribuídos em 74 terras indígenas, presentes nos biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia, além das áreas urbanas.
Foto: Ronaldo Mazza
Sobre a relação com os setores econômicos, a deputada avaliou que ainda há barreiras a serem superadas. Para ela, o potencial dos povos indígenas para o desenvolvimento sustentável ainda não foi plenamente reconhecido. “Sustentabilidade e economia podem e devem andar juntas”, afirmou Xunakalo.
O secretário da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Silvano Chue Muquissai, defendeu a maior atenção do poder público às demandas apresentadas pelas comunidades nos territórios. Segundo ele, os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas estão ligados à falta de demarcação de terras, invasões, garimpo ilegal, desmatamento e ausência de políticas públicas eficazes.
Em sua fala, Muquissai afirmou que as necessidades das comunidades “estão nos territórios” e, por isso, é fundamental que as autoridades de Mato Grosso conheçam de perto a realidade vivida em cada aldeia. Também pediram apoio da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado para garantir soluções efetivas às reivindicações apresentadas.
Ele disse muitos territórios indígenas sofrem impactos causados pela demora na demarcação das terras, além de conflitos provocados por invasões e exploração ilegal de recursos naturais. Conforme os representantes, até mesmo áreas já demarcadas continuam enfrentando problemas relacionados ao garimpo e ao desmatamento.
Muquissai reforçou a importância da união entre os povos indígenas na defesa dos direitos constitucionais, especialmente o direito à terra, à segurança alimentar e à preservação das práticas sustentáveis tradicionais.
Ao final, o representante da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso defenderam maior incidência política junto aos parlamentares para assegurar a demarcação dos territórios indígenas e a proteção dos povos originários em Mato Grosso.
Durante o evento, o deputado estadual licenciado Lúdio Cabral (PT) afirmou que todo o território mato-grossense tem origem indígena. Segundo ele, o movimento realizado anualmente busca fortalecer a organização das comunidades e garantir visibilidade às reivindicações apresentadas pelas lideranças.
O parlamentar ressaltou ainda que, todos os anos, promove audiências públicas durante o Acampamento Terra Livre para ouvir as demandas dos povos indígenas e encaminhar discussões sobre direitos territoriais, saúde, educação e inclusão social.
Neste ano, a audiência teve um significado especial com a atuação da deputada estadual suplente Eliane Xunakalo, presidente da Fepoimt, que assumiu temporariamente o mandato parlamentar durante o mês de abril, período em que é celebrado o mês dos povos indígenas.
O Acampamento Terra Livre é considerado uma das principais mobilizações indígenas do Brasil e reúne lideranças de diferentes povos para debater políticas públicas, proteção territorial e garantia de direitos constitucionais.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Áudio atribuído a mega produtor diz que Medeiros “derreteu” nas pesquisas e pede “força total” com Fávaro contra Janaina, citada como segunda colocada – veja o audio
Gravação que circula na reta final da eleição afirma que esforços deveriam ser concentrados na candidatura de Carlos Fávaro e direcionados contra Janaina Riva; interlocutor também menciona Blairo Maggi e pede mobilização nas fazendas. Eraí Maggi nega ser o autor do áudio.
A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (1º), a apenas três dias do primeiro turno. Um áudio atribuído ao mega produtor rural Eraí Maggi Scheffer passou a circular nas redes sociais e grupos de WhatsApp com uma avaliação sobre a candidatura de José Medeiros (PL) e uma suposta estratégia para fortalecer Carlos Fávaro (PSD) diante de Janaina Riva (MDB).
A autoria da gravação é contestada. Eraí Maggi nega que a voz seja dele, e não há, até o momento, perícia pública que permita ao Folha de Mato Grosso confirmar de forma independente quem produziu o áudio. O conteúdo, entretanto, ganhou repercussão em veículos de comunicação de Mato Grosso nesta quinta-feira.
Na gravação, de aproximadamente 15 segundos, o interlocutor faz uma avaliação direta sobre o desempenho de Medeiros na corrida ao Senado.
“Medeiros derreteu na pesquisa e agora é força total com o Fávaro para tirar a Janaina”, diz a gravação.
Na sequência, a voz aponta Janaina como o nome a ser enfrentado por estar, segundo a própria fala registrada no áudio, na segunda colocação.
“Ela que está em segundo, temos que bater nela”, afirma o interlocutor.
A declaração chama atenção justamente por apresentar, na versão de quem fala, uma estratégia de concentração de esforços em Fávaro diante da avaliação de que Medeiros teria perdido força.
MENÇÃO A BLAIRO E ÀS FAZENDAS
Outro trecho que aumentou a repercussão política da gravação é a referência ao ex-governador e ex-senador Blairo Maggi.
Segundo a transcrição publicada nesta quinta-feira, o interlocutor afirma que já teria falado com Blairo e, logo depois, pede que a mensagem seja levada às fazendas.
“Avisem todas as fazendas, vamos para cima dela”, registra a gravação.
A referência, por si só, não demonstra participação ou concordância de Blairo Maggi com a estratégia narrada no áudio. Também não comprova que qualquer mobilização mencionada pelo interlocutor tenha efetivamente ocorrido.
O episódio surge justamente na reta final de uma eleição marcada pela disputa intensa pelas duas cadeiras destinadas a Mato Grosso no Senado.
O que a gravação revela objetivamente é a avaliação de seu interlocutor: Medeiros teria “derretido” e, diante desse cenário, a orientação seria concentrar “força total” em Fávaro e enfrentar eleitoralmente Janaina. Essa avaliação pertence a quem fala no áudio e não deve ser confundida com uma conclusão independente sobre as pesquisas eleitorais.
OUTRO LADO: ERAÍ NEGA E CHAMA ÁUDIO DE “BANDIDAGEM”
Após a gravação ganhar repercussão, Eraí Maggi Scheffer negou categoricamente ser o autor do áudio.
Em declaração publicada pelo MidiaNews, o megaempresário afirmou que a voz não é dele e disse não ter feito as declarações que passaram a circular nas redes sociais.
“Não é minha voz. Não falei isso. Pelo amor de Deus! Bandidagem que inventou isso”, declarou Eraí. Ele acrescentou que pretende buscar providências e afirmou que a eleição deve ser disputada democraticamente.
Eraí é publicamente apoiador da candidatura à reeleição de Carlos Fávaro ao Senado, circunstância também registrada pelo MidiaNews. Esse apoio declarado, contudo, não comprova a autoria da gravação.
A negativa coloca justamente a origem do material no centro da controvérsia. De um lado, circula um áudio atribuído ao mega produtor no qual a voz diz que Medeiros “derreteu”, defende “força total” com Fávaro e direciona a mobilização contra Janaina. Do outro, Eraí afirma de maneira expressa que não gravou aquela mensagem.
Sem uma análise técnica que identifique a origem da gravação, não é possível atribuir definitivamente a voz a Eraí Maggi.
O fato político concreto, até aqui, é a circulação e a repercussão do áudio na reta final da campanha acompanhadas agora de uma negativa pública e enfática do empresário apontado como seu suposto autor.
Veja o video fonte olhar direto
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