POLÍTICA MT
ALMT debate irregularidades nos consignados de servidores estaduais
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realiza nesta sexta-feira (6), às 9 horas, no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour, audiência pública para discutir os empréstimos consignados contratados por servidores públicos estaduais, tanto ativos quanto aposentados.
A iniciativa é do deputado estadual Henrique Lopes (PT), que convidou o secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra, para esclarecer as ações do governo diante das recentes denúncias de irregularidades nessa modalidade de crédito.
A audiência pública foi motivada por denúncia do presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig), Antônio Wagner Oliveira, que expôs irregularidades envolvendo cobranças abusivas nos contracheques dos servidores públicos do estado de Mato Grosso.
Segundo Lopes, o esquema, conhecido como “farra das consignações”, revela falhas graves na fiscalização por parte da Coordenadoria de Controle e Fiscalização das Consignações, permitindo descontos indevidos e prejuízos aos servidores. A denúncia levou à mobilização de autoridades e entidades sindicais em busca de transparência e responsabilização dos envolvidos.
“As primeiras denúncias de descontos indevidos foram feitas ainda em 2023 por servidores e sindicatos como o Sinpaig. O governo só tomou providências após a Controladoria-Geral do Estado confirmar, em janeiro deste ano, que havia mesmo irregularidades. Foi preciso chegar a esse ponto para algo ser feito”, afirmou Henrique Lopes.
Durante a audiência pública, uma das principais questões a serem discutidas será o descumprimento, por parte do governo do estado, das recomendações da CPI das Consignações, realizada pela Assembleia Legislativa em 2018. A informação foi destacada pelo deputado estadual Henrique Lopes, que também questiona por que a empresa Capital Consig não foi suspensa dentro do prazo estabelecido pelo Decreto 691/2016, que prevê sanções em caso de irregularidades.
Além disso, o parlamentar cobra explicações sobre o motivo pelo qual a financeira continuou operando normalmente no estado, mesmo após a constatação das fraudes e cobranças abusivas nos contratos com servidores públicos.
Dados divulgados pela Seplag revelam a dimensão do volume de empréstimos consignados entre os servidores públicos de Mato Grosso. Até abril de 2025, o estado contabilizava 104.119 servidores, entre ativos e aposentados. Desses, 62.135 contrataram empréstimos com desconto em folha, sendo 37.403 servidores da ativa e 24.894 inativos. No período de maio de 2024 a abril de 2025, os repasses feitos pelo governo estadual às instituições consignatárias somaram R$ 1,714 bilhão.
Capital Consig – A empresa Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A está no centro das denúncias de irregularidades nas consignações feitas aos servidores públicos de Mato Grosso. De acordo com levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a financeira apresentou um crescimento de mais de 4.500.000% entre o 2º quadrimestre de 2022 e o 1º quadrimestre de 2025, tornando-se a terceira maior em volume de consignações, atrás apenas do Banco do Brasil e do Santander.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Crise no STF coloca investigação do Banco Master sob pressão e pode mudar próximos passos do caso
Disputa entre ministros, mudanças na condução das apurações e novos depoimentos de Daniel Vorcaro e do pai aumentam a tensão em torno da investigação
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do Banco Master passou a levantar dúvidas sobre os próximos passos do caso. A disputa envolvendo ministros da Corte, questionamentos sobre a condução das apurações e a definição de quem ficará responsável pelo processo ganharam espaço justamente enquanto a Polícia Federal se prepara para novas etapas da investigação.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e seu pai, Henrique Vorcaro, foram intimados para prestar novos depoimentos à Polícia Federal. Segundo informações divulgadas sobre o caso, os investigadores acompanham os desdobramentos da crise no Supremo e seus possíveis efeitos sobre o andamento das apurações.
O caso envolve uma série de investigações relacionadas a supostas fraudes financeiras e possíveis relações entre Vorcaro, agentes públicos e outras autoridades. Documentos tornados públicos recentemente ampliaram o conhecimento sobre a investigação. O ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de procedimentos relacionados ao caso, após determinação do presidente do STF, Edson Fachin.
A crise ganhou força depois que Mendonça, então relator do caso Master, encaminhou ao plenário questões envolvendo mensagens encontradas no celular de Vorcaro e uma possível relação com o ministro Alexandre de Moraes. O STF passou a analisar se havia elementos para uma investigação envolvendo Moraes.
A sessão que trataria do tema, realizada em 15 de setembro, acabou sendo interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, permanecem em aberto questões relacionadas à condução dos procedimentos e à competência para dar continuidade a determinadas apurações.
Ao mesmo tempo, o caso passou a envolver uma disputa institucional sobre a atuação de ministros e da própria Polícia Federal. Relatos e documentos divulgados nas últimas semanas mostram divergências sobre a condução das investigações, incluindo questionamentos acerca de informações obtidas pela PF e encaminhadas ao Supremo.
A situação também ganhou novos contornos com a retirada do sigilo de documentos. Segundo levantamento publicado pela imprensa, o material reúne informações sobre Vorcaro, autoridades, policiais e servidores públicos, além de elementos relacionados ao chamado caso “Dark Horse”.
Outro ponto de atenção é a situação de Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva. Os advogados argumentam que a paralisação de procedimentos decorrente da crise no Supremo não deveria prolongar indefinidamente a prisão do investigado.
A defesa também pretende solicitar novos adiamentos de depoimentos, alegando que ainda não teve acesso completo aos autos. Vorcaro tem outros depoimentos previstos relacionados às diferentes frentes da investigação.
Nos bastidores, a principal questão passou a ser quem terá efetivamente o comando das próximas etapas do caso e como a investigação seguirá diante das divergências dentro do STF. A definição pode ter impacto sobre depoimentos, análise de provas e eventuais pedidos apresentados pelas defesas.
Apesar da tensão institucional, é importante destacar que investigação não significa condenação. As apurações ainda buscam esclarecer fatos, responsabilidades individuais e eventual existência de crimes. As pessoas citadas ou investigadas têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Com novos depoimentos previstos e o STF ainda enfrentando questões relacionadas à condução dos procedimentos, o caso Banco Master entra em uma etapa considerada decisiva para definir os rumos da investigação.
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