POLICIAL
Polícia Militar recebe 6.373 novos equipamentos de menor potencial ofensivo do Governo Federal
A Polícia Militar de Mato Grosso recebeu, na manhã desta terça-feira (24.6), 5.466 espargidores de agentes químicos, 700 armas de choque (tasers) e 207 coletes balísticos. Os equipamentos de menor potencial ofensivo foram entregues pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, após assinatura do termo de adesão ao projeto nacional de qualificação do uso da força.
Conforme o secretário da Senasp, Mário Luiz Sarrubbo, a entrega dos equipamentos é fruto do compromisso institucional firmado entre o Governo Federal com o Governo do Estado de Mato Grosso. Durante a entrega, o secretário ressaltou que a aquisição dos equipamentos é um avanço significativo na qualificação das técnicas de atuação policial, promovendo um uso da força mais técnico, proporcional e alinhado aos direitos humanos e aos princípios da legalidade.
“Essa é uma entrega para firmar cada vez mais nosso compromisso de parceria entre os Estados. Estamos trabalhando de forma árdua e em conjunto para que todos os agentes da segurança tenham mais meios, recursos, capacitação, equipamentos para levar segurança com mais agilidade e qualidade, dando uma resposta à sociedade do Estado. Os investimentos vem em armas não letais, armamentos de fogo, viaturas, coletes, armamentos de ponta, capacitação, entre outros atributos. O Governo Federal recebe resultados bastante produtivos e significativos vindos das Forças de Segurança de Mato Grosso, que dão exemplo de atuação no policiamento para todo o país”, declarou o secretário da Senasp, Mário Luiz Sarrubbo.
O secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), César Augusto Roveri, destacou os importantes avanços e investimentos do Governo do Estado como a criação dos programas Tolerância Zero no combate às facções criminosas, invasões de terras e ampliação do Vigia Mais MT, com a instalação de mais de 13 mil câmeras de segurança em 127 municípios, dos 142 existentes, além da viabilização de recursos para construção de uma academia integrada no COT do Pari, com investimento na ordem de R$ 80 milhões, sendo dividido com o Governo Federal.
“Uma das determinações do governador Mauro Mendes é que façamos política de Segurança Pública de forma transparente, inteligente e em conjunto com outras instituições de segurança e o Governo Federal. Importante relembrar que a antiga gestão estadual deixou o Estado defesado, com salários atrasados e sem investimentos. Há sete anos vivemos uma realidade completamente diferente, com salários pagos em dias e mudanças na legislação das carreiras militares com abertura de novas vagas e realização de concurso público. Todos esses avanços só foram possíveis devido a um bom diálogo e apoio com a União”, reforçou o secretário Roveri.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Claudio Fernando Carneiro Tinoco, também agradeceu a entrega dos novos equipamentos de menor potencial ofensivo, que serão distribuídos pela Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio (Salp), para militares que integram os 15 Comandos Regionais.
“Só temos agradecer pelo reconhecimento do Governo Federal aos nossos valorosos policiais militares, que são exemplos para demais unidades federativas do país. A Polícia Militar contém mais de 7 mil homens e mulheres que se dedicam todos os dias, desde os que estão na ponta ou no serviço administrativo, para garantir um serviço de comprometimento e garantia da segurança e ordem pública em todo o Estado”, finalizou coronel Fernando.
Fonte: PM MT – MT
POLICIAL
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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