POLICIAL
Polícia Civil identifica criminoso que agiu em dois roubos em Rondonópolis e recupera objetos levados das vítimas
A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis identificou o autor de dois roubos ocorridos na cidade, entre sexta-feira e esta segunda-feira (05.12) e está com diligências em andamento para localizar o suspeito. Durante buscas para esclarecer os crimes, a equipe da Derf prendeu em flagrante um casal por tráfico de drogas e receptação. Com eles foram encontrados objetos levados da residência de uma das vítimas.
Um dos roubos, seguido de cárcere privado das vítimas, ocorreu no fim da tarde de segunda-feira (05), quando uma mulher foi abordada pelo criminoso, que simulou estar armado, ao sair de um estabelecimento comercial na Avenida Lions Internacional e depois obrigada a se dirigir até sua residência, em um condomínio da cidade. Na casa, ela e a família foram ameaçadas pelo criminoso enquanto ele roubava objetos das vítimas. Depois, o suspeito deixou as crianças e um adulto amarrados na casa, colocou a mulher no veículo e saiu em direção ao Anel Viário, onde a deixou e depois fugiu com o veículo e os objetos roubados da residência.
O outro roubo foi registrado na última sexta-feira (02.12), no bairro Vila Aurora. O suspeito abordou a vítima quando ela entrava em seu carro e depois de invadir a casa, ameaçou os moradores enquanto roubava objetos da família.

Investigação
A equipe da Def analisou câmeras dos locais onde as vítimas foram abordadas e verificaram semelhanças entre os dois suspeitos que aparace nas imagens.
Em uma delas, o suspeito usa uma camisa de cor azul e está em uma bicicleta com garupa e conseguiu a identificação do autor a partir das imagens do primeiro roubo,.
Na noite de segunda-feira, a delegacia especializada foi comunicada sobre o segundo roubo e na análise de imagens de câmeras, os investigadores apontaram semelhanças no modo de agir e abordar as vítimas.
Com a identificação do suspeito, os policiais civis intensificaram as buscas nos bairros próximos à região onde a vítima do roubo desta segunda-feira foi deixada pelo criminoso e localizaram o veículo abandonado, em uma rua do bairro São Sebastião 2.
Os investigadores se dirigiram a um endereço da região, onde provavelmente seria a residência do suspeito. Ao se aproximar do local,, um barraco situado em uma rua sem saída, o suspeito percebeu a aproximação das viaturas e fugiu por uma área de mata.
Na casa estavam outras pessoas e com uma delas, a equipe policial encontrou 23 porções de pasta base de cocaína, joia e um relógio. Com a mulher também foram encontradas joias e um relógio feminino. Ao enviar fotos dos objetos encontrados à vítima, esta reconheceu os materiais apreendidos no barraco.
Em entrevista, o casal afirmou que a pessoa que fugiu para a mata era o suspeito dos roubos e que antes da chegada da polícia, ele chegou ao local com um carro branco, deixou alguns televisores escondidos no mato, saiu e retornou de bicicleta.
As TVs foram localizadas escondidas um uma moita, próxima ao barraco. Já dentro da casa, os policiais encontraram a camiseta que o criminoso usava no momento do roubo desta segunda-feira, que também foi reconhecida pela vítima. A bicicleta que ele utilizou no roubo ocorrido no dia 02 de dezembro também foi apreendida.
O casal foi detido, encaminhado à Derf e autuado pelos crimes de tráfico de drogas e receptação.
As buscas continuam para localizar o criminoso responsável pelos dois roubos.
Fonte: PJC MT
POLICIAL
Relatório da Polícia Civil cita Adelcino Lopo em suspeitas de favorecimento em contratos públicos
Mensagens extraídas de celular apreendido mencionam ordem atribuída ao ex-prefeito, tratativas antes de licitação, doações, eventos e pagamentos a pessoas ligadas a agentes públicos; documento, porém, não apresenta mensagem direta de Adelcino nem prova conclusiva de recebimento de valores por ele
Um relatório técnico parcial da Polícia Civil de Mato Grosso coloca o nome do ex-prefeito de Pontal do Araguaia Adelcino Lopo no centro de diálogos investigados sobre contratações públicas, eventos e relações entre empresários e integrantes da administração municipal.
O material integra o Inquérito Policial nº 63.4.2025.1676, que deu origem à Ação Penal nº 1007521-13.2025.8.11.0004. A análise foi realizada a partir do celular do empresário Renan Carlos Rodrigues da Silva, representante da GR Produções & Eventos.
As referências a Adelcino aparecem em relatos de terceiros reproduzidos nas conversas analisadas pela Polícia Civil. O próprio documento ressalta, contudo, que os trechos examinados não trazem mensagem enviada diretamente pelo ex-prefeito que, isoladamente, comprove recebimento de valores ou eventual participação em irregularidades.
“FOI A MANDO DE ADELCINO”
Uma das passagens de maior impacto consta de conversa de 15 de junho de 2023 entre Renan e Raulflis Oliveira Mello, então secretário municipal de Comércio, Indústria e Turismo e de Esportes de Pontal do Araguaia.
A discussão envolvia a contratação de tendas. Renan reclamava que sua empresa, embora vencedora de item em ata de registro de preços, estaria sendo preterida quando apareciam contratos considerados mais vantajosos.
Segundo a transcrição reproduzida no relatório, Raulflis teria dito que procurou outro empresário por determinação atribuída ao então prefeito:
“O Adelcino falou: ‘conversa com o Denir e pede um desconto lá pra ele na estrutura’.”
Ainda conforme o documento, Raulflis relatou que o empresário teria se oferecido para doar tendas diante da alegação de falta de recursos públicos. A conversa menciona ainda que Adelcino teria solicitado uma declaração formal da doação.
Para os investigadores, a hipótese a ser apurada é se eventuais doações poderiam ter sido utilizadas para preservar preferência da administração em futuras contratações. O próprio material pondera que a existência de uma doação, por si só, não comprova crime e exige confronto com documentos administrativos e registros de entrega.
LICITAÇÃO É CITADA EM CONVERSAS ANTERIORES À PUBLICAÇÃO
Outra frente do relatório envolve Alessandro dos Santos Oliveira, apontado no documento como então secretário de Desenvolvimento Econômico e pregoeiro da Prefeitura.
De acordo com o material, mensagens indicariam que informações sobre um pregão teriam sido discutidas com Renan antecipadamente. Em uma das conversas, Alessandro teria informado que organizaria um pregão municipal e solicitado três orçamentos. O empresário teria respondido que o importante seria “ganhar o papel”.
O relatório também menciona o envio de documentos relacionados à licitação e a solicitação de uma planilha com valores de referência para inserir “o seu preço”.
Na avaliação registrada pelos investigadores, os diálogos levantam a hipótese de acesso privilegiado a informações e possível direcionamento da participação de uma empresa. A confirmação, entretanto, depende da comparação das mensagens com o processo licitatório oficial e os documentos apresentados pelos demais concorrentes.
“O PREFEITO QUERIA O SHOW”
Adelcino volta a ser mencionado em conversas relacionadas a um evento na praia e a uma apresentação musical que, segundo o relatório, ocorreria em uma fazenda atribuída ao então prefeito.
Conforme a transcrição, Alessandro teria dito a Renan que “o prefeito queria o show” e sugerido que a apresentação fosse realizada gratuitamente. O argumento seria que a iniciativa poderia favorecer o empresário em eventos posteriores.
A Polícia Civil registra como hipótese a existência de uma possível troca de favores, envolvendo uma vantagem privada associada a futuras contratações públicas.
O relatório, entretanto, não apresenta nos trechos reproduzidos confirmação independente de que Adelcino tenha solicitado pessoalmente a apresentação gratuita. A afirmação é atribuída a Alessandro nas conversas analisadas.
REUNIÃO NA PREFEITURA
Em outra passagem, datada de 18 de junho de 2023, Renan teria informado a Alessandro que havia sido chamado por Adelcino para comparecer à Prefeitura.
Segundo o relatório, Renan afirmou acreditar que o então prefeito ainda o manteria “no esquema”.
O trecho é tratado pelos investigadores como elemento que pode indicar a percepção do empresário de que Adelcino exerceria influência sobre as negociações. Não consta, porém, nas imagens apresentadas, o resultado da reunião nem confirmação independente sobre o conteúdo do encontro.
RELATÓRIO MENCIONA R$ 54 MIL E OUTROS PAGAMENTOS
O documento traz ainda uma conversa na qual Renan afirma ter entregue R$ 54 mil a Elcio Mendes, descrito como pessoa ligada à organização de eventos e à administração municipal. O empresário teria classificado o valor como “limpinho” e relatado que Elcio estaria cobrando mais dinheiro.
Em outra parte da investigação, aparecem pagamentos destinados a pessoas ligadas aos interlocutores públicos.
O relatório cita uma nota fiscal de R$ 4.467, relativa à locação de tendas, e registra, segundo a hipótese investigativa, R$ 3 mil destinados a um prestador chamado Diogo; R$ 1,1 mil transferidos a Karol Anne Wonda Lopes Martins, apontada como esposa de Raulflis; e R$ 367 que poderiam ter permanecido com Renan.
Também são mencionados R$ 400 transferidos a Marisa Martins Silva Oliveira, identificada no relatório como esposa de Alessandro, além de R$ 2 mil destinados a uma empresa registrada em nome de Maria Aparecida dos Santos, apontada pela investigação como mãe de Alessandro.
CONVERSA TAMBÉM MENCIONA “PROPINA”
O material relata ainda um período de conflito entre Renan e Raulflis. Segundo o documento, em dezembro de 2023, Renan teria ameaçado apresentar denúncias ao Ministério Público e divulgar informações nas redes sociais.
Em uma gravação transcrita no relatório, Renan acusa o então secretário de ter recebido propina e afirma: “eu já paguei propina para o Raulfe”.
A declaração integra o material investigativo e, isoladamente, não equivale a uma conclusão judicial de que o pagamento ilícito efetivamente ocorreu.
O QUE O RELATÓRIO ATRIBUI A ADELCINO
As menções ao ex-prefeito são agrupadas, no próprio material apresentado, em quatro pontos principais: a negociação de tendas que teria ocorrido “a mando de Adelcino”; a informação levada ao então prefeito sobre uma possível doação; o relato de que “o prefeito queria o show”; e a convocação de Renan para uma reunião na Prefeitura.
Até o ponto documentado nas imagens, a conexão de Adelcino com os pagamentos aparece de maneira indireta, por meio de relatos de outros interlocutores.
O relatório é relevante porque organiza mensagens, conversas, documentos, notas fiscais e comprovantes de pagamento e fornece elementos para o aprofundamento das investigações. Isso não significa, por si só, que as hipóteses levantadas estejam definitivamente comprovadas.
INVESTIGAÇÃO AINDA EXIGE COMPROVAÇÃO
O conjunto descrito pela Polícia Civil apresenta, em tese, um ambiente em que fornecedores e agentes públicos discutiam licitações, eventos, doações, pagamentos e possíveis preferências comerciais.
No caso específico de Adelcino Lopo, o material aponta suspeitas sobre eventual conhecimento ou influência em determinadas contratações e eventos, mas não apresenta, nos trechos fornecidos, prova direta de que ele tenha recebido valores.
A confirmação ou o afastamento das suspeitas dependerá do conjunto integral das provas, da manifestação das pessoas citadas, dos documentos administrativos, das perícias e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.
Todos os mencionados devem ser tratados como investigados, citados ou pessoas referidas no material conforme a situação individual de cada um, sem antecipação de culpa. A responsabilização criminal somente pode ser estabelecida mediante o devido processo legal e decisão judicial.
A Folha de Mato Grosso deixa espaço aberto para Adelcino Lopo, Renan Rodrigues, Raulflis Mello, Alessandro Oliveira, Elcio Mendes, Adenir Pinto e demais pessoas mencionadas apresentarem suas versões. Caso haja manifestação, ela deverá ser incorporada à reportagem.
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