NACIONAL

Merendeiras e nutricionistas recebem capacitação em Brasília

O Seminário Regional Centro-Oeste, com o tema “Formação e Valorização de quem Alimenta o Brasil”, marca o início de uma série de cinco seminários regionais voltados à formação e à valorização de merendeiras e nutricionistas que atuam no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC). O encontro ocorre nos dias 29 e 30 de maio de 2025, no Auditório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília. 

O projeto é realizado em parceria com a Itaipu Binacional, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Extensão, Pesquisa, Ensino Profissionalizante e Tecnológico (Fadema). 

Celebramos a força e o valor da alimentação escolar como eixo fundamental para uma educação de qualidade. Unindo esforços com parceiros extraordinários, como o IFSULDEMINAS e a Fadema, assumimos o compromisso de colocar a alimentação escolar no centro de uma agenda que vai muito além do prato de comida”, destacou a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba. 

O reitor do IFSULDEMINAS, Cléber Ávila Barbosa, também celebrou a parceria: “É um imenso orgulho participar de uma iniciativa tão arrojada com um tema tão importante para nosso país. Nós temos trabalhado uma alimentação gratuita para todos os estudantes do nosso campo e ampliamos a quantidade de restaurantes universitários.” 

Com R$ 5,5 bilhões de orçamento previstos para 2025, o Pnae atende 40 milhões de estudantes em mais de 150 mil escolas por todo o país. Essa série de encontros integra o projeto Alimentação Escolar Nota 10, financiado pela Itaipu Binacional, que é reconhecida por seu compromisso com a responsabilidade socioambiental e seu histórico de apoio a projetos de educação e segurança alimentar. 

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O seminário visa fortalecer a educação alimentar e nutricional nas escolas, promovendo práticas inovadoras no âmbito das políticas públicas de alimentação escolar, que completam 70 anos em 2025. Além disso, busca valorizar os profissionais que preparam as refeições nas escolas, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar. 

Fabiane Colin, educadora ambiental e representante da Itaipu Binacional, reforçou esse compromisso: “Acreditamos na educação pública de qualidade e sabemos que uma criança bem alimentada aprende mais. Desde a construção da usina, promovemos desenvolvimento socioambiental”. 

O diretor do Programa Mundial de Alimentos (WFP), Daniel Balaban, fez um chamado à mobilização: “O Pnae é o melhor programa de alimentação escolar do mundo. Defendam com unhas e dentes essa política pública que conecta saúde, agricultura familiar e educação. Precisamos decidir que tipo de sociedade queremos construir”. 

Valorização – Durante o evento, as três profissionais vencedoras da última edição do reality show “Vida de Merendeira” foram premiadas em reconhecimento ao seu talento e dedicação. Josefa Ribeiro, da cidade de Limoeiro de Anadia (AL), premiada em primeiro lugar, destacou o trabalho em equipe com a nutrição do município. Esse prêmio é um trabalho em equipe. Todo mundo se ajudando, sempre em busca do melhor para os nossos alunos. Tudo que fazemos é com amor e dedicação”. 

A nutricionista Janaína Soares, também do município, reforçou o papel educativo da alimentação: “A conquista veio de um longo caminho, não foi de um dia para o outro. Agora, com o prêmio, temos uma missão ainda mais importante: promover educação alimentar e nutricional nas escolas, junto às merendeiras, que são nosso principal pilar”. 

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Em sua programação, o seminário também conta com palestras, painéis e mesas temáticas com especialistas renomados. 

Entre os temas abordados, estão sustentabilidade e alimentação saudável nas escolas, valorização profissional das merendeiras, incentivo ao aleitamento materno nas creches e fortalecimento da agricultura familiar. 

Alimentação saudávelCom foco na promoção da saúde e da equidade, o programa passou a adotar critérios mais rigorosos quanto à qualidade nutricional dos alimentos ofertados. A partir da Resolução CD/FNDE nº 3/2025 (que altera diversos itens da antiga Resolução CD/FNDE nº 6/2020), as escolas públicas deverão reduzir progressivamente o uso de alimentos processados e ultraprocessados na merenda escolar: o limite máximo será de 15% em 2025 e de 10% em 2026, em relação ao total de recursos repassados pelo FNDE. A medida reforça a prioridade por alimentos in natura ou minimamente processados, especialmente oriundos da agricultura familiar, contribuindo para a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância.  

Próximas edições Após Brasília, a série de seminários seguirá para Campina Grande (PB) nos dias 9 e 10 de junho. Além disso, conta com edições previstas para São Paulo (SP), Manaus (AM) e Foz do Iguaçu (PR), com datas a serem anunciadas. 

 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do FNDE 

Fonte: Ministério da Educação

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NACIONAL

Como escolas e famílias formam novos leitores

A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho. 

Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância. 

A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura. 

Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo. 

“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”. 

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As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças. 

“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”. 

A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo. 

“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”. 

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Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida. 

Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância. 

A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública. 

As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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