DESPEDIDA
Virginia Mendes lamenta morte da amiga e jornalista Lauristela Guimarães
Primeira-dama destacou a amizade, a força e a fé da jornalista durante a longa luta contra o câncer
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, lamentou o falecimento da amiga, jornalista e empresária Lauristela Guimarães, ocorrido nesta segunda-feira (08), em Cuiabá.
Reconhecida por sua trajetória na comunicação e por sua contribuição ao turismo no Estado, Lauristela travava há anos uma batalha contra o câncer.
Virginia destacou a coragem, a fé e a determinação da jornalista ao enfrentar a doença e manifestou solidariedade à família, amigos e colegas de profissão.
“Recebi com muita tristeza a notícia da partida da minha amiga Lauristela Guimarães. Ela era uma mulher íntegra, forte e muito determinada. Acompanhei sua luta contra o câncer e sempre admirei sua fé e coragem para enfrentar cada etapa desse desafio”, declarou a primeira-dama.
Virginia Mendes também ressaltou a importância do trabalho desenvolvido por Lauristela ao longo de sua carreira, tanto na comunicação quanto na valorização do turismo mato-grossense.
“Lauristela contribuiu muito para a comunicação de Mato Grosso e também para a valorização das nossas belezas naturais por meio da Revista Camalote. Sua trajetória demonstra talento, sensibilidade e compromisso com aquilo que acreditava. Neste momento de dor, deixo meu abraço fraterno à família, aos amigos e a todos os colegas de profissão. Que Deus conforte o coração de todos”, afirmou.
Lauristela Guimarães construiu uma carreira sólida no jornalismo mato-grossense. Durante cerca de 15 anos, atuou no Grupo Gazeta, onde ganhou destaque principalmente na cobertura da área policial. Também trabalhou como assessora de comunicação na Prefeitura de Cuiabá.
Além da atuação na imprensa, Lauristela foi idealizadora e diretora da Revista Camalote, publicação lançada em 2007 e voltada à divulgação do ecoturismo e do turismo em Mato Grosso, com reconhecimento inclusive no cenário internacional.
Nos últimos anos, a jornalista compartilhou publicamente sua luta contra o câncer. Em 2024, chegou a celebrar nas redes sociais a vitória contra um câncer de pâncreas e outro nos linfonodos. No entanto, a doença voltou a avançar e, após novo período de internação e complicações de saúde.
MULHER
O primeiro tapa quase nunca é o começo da violência Por: Virginia Mendes
Quando um caso de violência contra a mulher ganha as manchetes, muita gente imagina que tudo começou com um tapa. Mas, na maioria das vezes, não é assim. A agressão física costuma ser o último estágio de uma violência que começou muito antes, de forma silenciosa, disfarçada de cuidado, amor ou ciúme.
Primeiro vêm os comentários sobre a roupa. Depois, as críticas às amizades, à família, ao trabalho e às redes sociais. Aos poucos, o controle sobre horários, decisões e escolhas se torna parte da rotina. O ciúme deixa de ser sentimento e passa a ser posse. É aí que mora o perigo.
A violência psicológica não deixa, necessariamente, marcas no corpo, mas pode destruir a autoestima, a liberdade e a saúde emocional da mulher. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação e isolamento fazem com que muitas vítimas percam a confiança em si mesmas e acreditem que não conseguirão sair daquela situação.
Por isso, é preciso reconhecer os sinais antes que a violência evolua para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio.
Todo relacionamento tem conflitos e divergências. O que não pode ser normalizado é o desrespeito. Se uma mulher muda a maneira de se vestir, deixa de conviver com a família ou passa a medir cada palavra por medo da reação do companheiro, ela não está vivendo uma relação saudável. Isso não é amor.
E há uma verdade que precisa ser repetida: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, escolha ou comportamento justifica uma agressão. A única pessoa responsável pela violência é quem decide praticá-la.
Ao longo da minha caminhada, ouvindo mulheres e acompanhando histórias de superação, muitas vezes escutei a mesma frase: “Eu não percebi quando tudo começou”. É justamente por isso que a informação é tão importante. Precisamos falar sobre os primeiros sinais para que as mulheres possam reconhecê-los e buscar ajuda antes que seja tarde.
Também precisamos fortalecer a rede de apoio. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem estar atentos. Muitas mulheres permanecem em silêncio por medo, vergonha, dependência financeira ou pela esperança de que o agressor mude. Acolher, orientar e incentivar a denúncia pode salvar vidas.
Defendo que o Brasil avance na prevenção, na proteção das vítimas e na punição dos agressores. É preciso investir em educação e acolhimento, mas também discutir o endurecimento das leis. Defendo a reforma da Constituição para permitir a prisão perpétua para feminicidas e autores de crimes hediondos. Crimes tão graves exigem respostas à altura de sua brutalidade.
Mas nenhuma punição será suficiente se continuarmos chegando tarde. Precisamos agir diante dos primeiros sinais, antes que o controle vire agressão e que a agressão termine em tragédia.
Se você vive uma relação marcada pelo medo, pelo controle, pelas ameaças ou pelas humilhações, pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. Você não está sozinha.
Denuncie. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. O Ligue 180 oferece orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em situações de risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.
A violência doméstica não começa com o primeiro tapa. Muitas vezes, começa com palavras, controle em diversas situação, entre elas a patrimonial e violência psicológica. Reconhecer os primeiros sinais pode salvar uma vida.
Virginia Mendes é economista, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT idealizadora do programa SER Família.
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