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Feminicídio: ‘Quebrar o ciclo de silêncio é o maior desafio’

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O enfrentamento ao feminicídio exige, antes de tudo, romper o ciclo de silêncio que envolve as vítimas de violência doméstica. Essa foi a principal mensagem do encontro realizado nesta terça-feira (23) pelo projeto Diálogos com a Sociedade, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que reuniu especialistas para debater o tema.Participaram da entrevista a promotora de Justiça Ana Flávia de Assis Ribeiro, da 7ª Promotoria Criminal de Rondonópolis, e as delegadas da Polícia Civil Juliana Buzeti e Anna Paula Marien, ambas atualmente na Delegacia de Roubos e Furtos (DERF), porém com larga experiência na Delegacia de Defesa da Mulher.Para a promotora Ana Flávia, os índices alarmantes em Mato Grosso, que, em 2023, registrou a maior taxa de feminicídios do país, só podem ser enfrentados com a ampliação da confiança das mulheres no sistema de Justiça. “O principal desafio é quebrar o ciclo de silêncio. É fazer com que as vítimas tenham coragem de denunciar, registrar um boletim de ocorrência, pedir uma medida protetiva quando necessário. A maioria das mulheres assassinadas não havia solicitado proteção anteriormente. Para mudar esse cenário, elas precisam se sentir acolhidas”, destacou a promotora.Segundo ela, o papel do Ministério Público vai além da punição: é acompanhar a vítima em todas as etapas, fortalecendo a rede de apoio e prevenindo que a violência alcance seu estágio mais extremo.A delegada Juliana Buzeti lembrou que a investigação de feminicídios enfrenta obstáculos técnicos, já que, na maioria dos casos, não há testemunhas. Dados do Observatório Caliandra (MPMT) mostram que, até 30 de junho de 2025, mais de 70% dos feminicídios registrados em Mato Grosso foram cometidos dentro de casa.“A polícia precisa trabalhar com provas técnicas, vestígios no local do crime e no corpo da vítima para reconstruir a história. Muitas vezes, a versão do autor tenta enganar e desqualificar a vítima. Tivemos o caso de um médico, por exemplo, que matou a esposa grávida e alegou mal súbito. Ela foi morta por traumatismo craniano. Esse é o grande desafio: contar a história de quem já não pode mais falar”, relatou.Na mesma linha, a delegada Anna Paula Marien ressaltou que o feminicídio não termina com a morte da mulher, mas também com tentativas de deslegitimar sua trajetória. “A vítima, além de morta, tem sua dignidade atacada mais uma vez. Tentam desacreditar sua versão, dizer que ela nunca pediu ajuda. Por isso, é tão importante falar, procurar familiares, vizinhos, amigos e denunciar antes que seja tarde”, reforçou.Para ela, a conscientização precisa incluir também os homens. “Não basta apenas orientar mulheres. Muitos já viveram alguma situação de abuso. Precisamos engajar os homens na causa, porque a violência é reflexo de uma cultura machista que só muda com a participação de todos.”O encontro reforçou o papel do diálogo, da informação e da mobilização social na luta contra o feminicídio. “Cada denúncia pode salvar uma vida”, lembraram as convidadas, apontando que a sociedade precisa estar atenta aos sinais de violência e apoiar as vítimas.O projeto Diálogos com a Sociedade é uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso para aproximar a instituição da população e debater temas de interesse público.O evento conta com o apoio de parceiros como Rondon Plaza Shopping, SBT, 104 FM, Energisa, Aprosoja, Unimed Mato Grosso, Águas Cuiabá, Bom Futuro, AMPA, Nova Rota do Oeste, Amaggi, Fiemt, Oncomed e Imad, além do apoio do Grão Du Plaza Café e Kopenhagen.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA

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O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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