MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Assédio moral e sexual em rodovias é tema de entrevista no MPMT
Mais do que protocolos e campanhas, o enfrentamento ao assédio moral e sexual exige uma mudança cultural profunda. Essa foi a mensagem central da entrevista desta terça-feira (11), às 18 horas, no Diálogos com a Sociedade edição Várzea Grande, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que discutiu casos registrados nas praças de pedágio da BR-163 e apresentou ações para proteger trabalhadoras.O debate contou com a presença da promotora de Justiça Regilaine Magali Bernardi Crepaldi, da Corregedoria Geral do MPMT, e representantes da concessionária Nova Rota do Oeste, Amanda Paranhos Rodrigues da Silva, coordenadora de Conformidade e Compliance, e Bárbara Nathane Mendes Garcia David, gerente de Eficiência Operacional.A promotora destacou que a violência contra a mulher ainda é uma realidade preocupante. “Infelizmente a ocorrência desses crimes é muito grande e há uma subnotificação porque as mulheres têm medo, vergonha e constrangimento. É preciso reforçar que assédio e importunação sexual não são normais, são crimes. A conscientização é fundamental para a mudança de cultura, porque ainda impera o machismo na nossa sociedade.”Ela alertou ainda para os impactos desse tipo de violência. “A vítima adoece física e psicologicamente, desenvolve doenças, depressão, medo de ir ao trabalho. A empresa também sofre prejuízos econômicos e ações trabalhistas. Quanto mais falarmos sobre isso, melhor para as mulheres.”Amanda Paranhos explicou que a concessionária Nova Rota do Oeste lançou uma campanha para enfrentar o problema. “Quando abrimos espaço para ouvir as operadoras, percebemos que todas tinham histórias para contar. Não era algo pontual, era recorrente. Precisávamos dar uma resposta firme.”Entre as medidas estão protocolos claros, reposicionamento de câmeras, treinamento das lideranças e suporte psicológico às vítimas. “Hoje, a maior conquista é a mudança de comportamento das nossas operadoras. Elas se sentem mais à vontade para reportar condutas que antes normalizavam.”Bárbara Nathane ressaltou a reação positiva das equipes. “As mulheres se sentiram acolhidas e protegidas. Até motoristas passaram a demonstrar empatia, dizendo que não imaginavam as dificuldades enfrentadas. Isso mostra que a conscientização funciona.”A promotora Regilaine reforçou ainda o papel do MPMT. “O assédio moral e sexual no trabalho é uma violação de direitos humanos. Informação é poder: quando a mulher sabe que é vítima, ela denuncia. O Ministério Público está de portas abertas para acolher vítimas e atuar preventivamente.”
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
MP participa da inauguração de oficina de costura em penitenciária
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta quinta-feira (23), da inauguração da oficina de costura escola da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A nova estrutura vai ofertar 120 vagas de trabalho, com jornada de oito horas diárias, contribuindo para a reintegração social das reeducandas e para a redução de custos do Estado. Ao todo, foram instaladas 91 máquinas de costura, adquiridas pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP).
Atualmente, 20 reeducandas já foram certificadas pelo Senai e atuarão como multiplicadoras, auxiliando na capacitação das demais internas. O espaço conta com área de produção, estoque de matéria-prima e de peças prontas, além de refeitório e área de descanso. A produção da oficina será destinada, principalmente, à confecção de uniformes escolares da rede estadual, o que permitirá economia aos cofres públicos.
A procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente destacou que o Ministério Público atua de forma permanente no fortalecimento de projetos voltados à ressocialização no sistema prisional. “A oficina de costura representa uma oportunidade concreta de qualificação profissional e de reinserção social. Além do trabalho e da renda, iniciativas como essa fortalecem a autoestima dessas mulheres e contribuem para um recomeço digno.”
A procuradora também ressaltou a importância de práticas humanizadas, alinhadas a experiências exitosas, como as desenvolvidas na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), em especial nas unidades femininas, que estimulam responsabilidade, autonomia e a reconstrução de vínculos familiares.
A diretora da Penitenciária Feminina, Keily Adriana Arruda Marques, afirmou que a participação no projeto é voluntária e teve grande adesão. “As reeducandas recebem capacitação prática e certificação profissional, o que amplia as chances de retorno digno à sociedade. Já temos uma lista de mulheres interessadas em participar das próximas etapas.”
O presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, informou que a oficina atenderá demandas de órgãos públicos, com produção inicial estimada em 110 mil peças de uniformes escolares, podendo ser ampliada gradativamente.
Já o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou que o investimento reforça a política de ressocialização adotada pelo Estado. “Esse investimento representa um caminho eficaz para a ressocialização, ao garantir trabalho, dignidade e qualificação profissional. As reeducandas saem mais preparadas para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.”
Fonte: Ministério Público MT – MT
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