ECONOMIA
Brasil e Noruega reforçam cooperação econômica e industrial
Brasil e Noruega realizaram na segunda-feira (10/11) a V Reunião da Comissão Conjunta para Cooperação Econômico-Comercial, Industrial e Técnica entre os dois países. Presidido pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o encontro contou com a presença da secretária de Estado norueguesa Ragnhild Sjoner Syrstad, do Ministério do Comércio, Indústria e Pescas da Noruega (NFD), e, pelo Brasil, de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério de Minas e Energia (MME).
A reunião debateu o aprofundamento da cooperação econômica, industrial e energética entre os dois países.
As delegações discutiram a ampliação dos fluxos de comércio, a atração de investimentos produtivos e intensivos em tecnologia e o fortalecimento da cooperação econômica em áreas de interesse mútuo. Também trataram da troca de informações sobre instrumentos de facilitação de comércio, desenvolvimento industrial sustentável, transição energética e melhoria do ambiente de negócios.
Márcio Elias ressaltou que o Brasil estrutura sua estratégia de crescimento a partir da integração de três políticas públicas complementares: Nova Indústria Brasil (NIB), Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e Plano de Transição Ecológica (PTE), que orientam os esforços de neoindustrialização sustentável e promoção de investimentos verdes.
“O diálogo ocorre em um momento de transformações globais e reafirma o compromisso do Brasil com uma relação bilateral moderna, sustentável e baseada em resultados concretos. A Comissão Conjunta é um instrumento estratégico para discutir novos mecanismos de cooperação econômica e industrial, especialmente nas áreas de comércio exterior, investimentos e desenvolvimento industrial sustentável”, afirmou o secretário-executivo.
Durante o encontro, o secretário-executivo do MDIC propôs à delegação norueguesa a realização de novos eventos e missões empresariais conjuntas, com o objetivo de fortalecer o diálogo setorial e identificar oportunidades concretas de negócios e investimentos entre os dois países.
Panorama econômico da Noruega e desafios globais
A secretária de Estado do Ministério do Comércio, Indústria e Pescas da Noruega, Ragnhild Sjoner Syrstad, destacou o compromisso do governo norueguês em estimular a inovação e a qualificação da força de trabalho, de modo a acompanhar as transformações tecnológicas e fortalecer a resiliência econômica.
Segundo a secretária, a Noruega mantém política fiscal rigorosa e foco na transição para uma matriz energética limpa e acessível, priorizando investimentos em energia hidrelétrica e inovação tecnológica.
“Temos trabalhado para garantir energia de baixo custo e fortalecer a competitividade industrial, promovendo um ambiente fiscal equilibrado e sustentável”, afirmou.
Ragnhild também manifestou interesse em realizar eventos conjuntos entre Brasil e Noruega nos próximos anos.
Relações econômicas e investimentos
Brasil e Noruega mantêm relações diplomáticas desde 1905 e contam com três mecanismos institucionais de diálogo: as Consultas Políticas Bilaterais, o Comitê Conjunto em Ciência e Tecnologia e a própria Comissão Conjunta de Cooperação Econômico-Comercial, Industrial e Técnica.
Em 2024, a corrente de comércio entre os países superou US$ 2,3 bilhões, com crescimento de 15% e superávit brasileiro. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão alumina, soja e óleos combustíveis, enquanto as importações concentram-se em fertilizantes, pescado e equipamentos industriais.
A Noruega figura como o 16º maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque estimado em US$ 17 bilhões, distribuídos nos setores de energia, fertilizantes, alumínio e logística. Mais de 230 empresas norueguesas operam no país, incluindo Norsk Hydro, Yara Fertilizantes e Equinor, que projeta investir US$ 26 bilhões até 2030, em parceria com o Ministério de Minas e Energia e agências brasileiras de fomento à transição energética.
Integração e oportunidades
O Acordo de Livre Comércio Mercosul–EFTA, assinado em setembro de 2025, reforça a integração econômica entre Brasil e Noruega e prevê acesso preferencial a cerca de 99% das exportações brasileiras. O tratado abre novas oportunidades para os setores agroalimentar, industrial e de serviços, fortalecendo o ambiente de negócios e a segurança jurídica para empresas de ambos os países.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
ECONOMIA
Move Brasil: com R$ 21,2 bi, BNDES abre operação para renovar frota de caminhões e ônibus
A partir desta sexta-feira, 29, interessados em comprar caminhões, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários pelo programa Move Brasil já poderão procurar instituições financeiras credenciadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para solicitar financiamento dentro da nova linha de crédito do Governo do Brasil voltada à renovação da frota nacional de veículos pesados.
O BNDES abre nesta sexta-feira o protocolo para recebimento das operações do Move Brasil – Caminhões e Ônibus, programa de até R$ 21,2 bilhões que será operacionalizado por meio do BNDES. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa vai financiar veículos fabricados no Brasil e busca modernizar o transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros, com foco na redução de custos logísticos, aumento da segurança nas estradas e renovação da frota nacional.
Do total autorizado, R$ 14,5 bilhões são recursos da União, via Tesouro Nacional, e até R$ 6,7 bilhões correspondem a recursos do BNDES. A iniciativa prevê ainda reserva de R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, além de R$ 2 bilhões para transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associados a cooperativas, reforçando o atendimento a transportadores autônomos e ao transporte urbano de passageiros.
“Essa nova fase do Move Brasil incorpora ônibus e implementos rodoviários, além de caminhões, incentivando a renovação de frota, a sustentabilidade e os investimentos. É fruto do acerto das recentes medidas definidas pelo presidente Lula”, diz Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC. “É um programa extremamente exitoso, com muitos efeitos positivos não só para o beneficiário final, mas ao longo de toda a cadeia automotiva, aumentando a produção da indústria, as vendas nas concessionárias e, com isso, fortalecendo também os empregos nesse setor”.
“O programa vai modernizar a frota brasileira, reduzir o custo logístico, melhorar o transporte de cargas e passageiros, aumentar a segurança nas estradas e estimular a indústria nacional. Estamos combinando eficiência econômica, sustentabilidade e inclusão produtiva, com atenção especial aos transportadores autônomos e cooperados”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Este eixo do Move Brasil é voltado a transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros. A compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos será permitida apenas para transportadores autônomos e cooperados.
Para veículos novos, o programa exige fabricação nacional, credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8, conforme os limites de emissão da Resolução Conama nº 490/2018. No caso de caminhões e caminhões-tratores seminovos, os veículos devem ter fabricação a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar critérios de rastreabilidade fiscal.
As condições de financiamento variam conforme o perfil do beneficiário. Para transportadores autônomos, o prazo total poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo poderá chegar a 60 meses, com até 6 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de passageiros, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até 6 meses de carência. As taxas de juros podem alcançar patamares competitivos em relação às taxas praticadas no mercado, próximo a 13% ao ano. O programa prevê limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo, admite a utilização de fundos garantidores, conforme disponibilidade, regras específicas de cada fundo e política do agente financeiro.
Além dos veículos e implementos, poderão ser financiados itens associados à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores, desde que contratados em conjunto com o financiamento. Esses itens adicionais são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões.
O Move Brasil – Caminhões e Ônibus foi estruturado para enfrentar um dos principais desafios da logística nacional: a elevada idade média da frota de veículos pesados. Ao estimular a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, eficientes e seguros — inclusive por meio de condições diferenciadas para operações associadas à desmontagem e reciclagem —, o programa contribui para reduzir consumo de combustível, emissões de poluentes, custos de manutenção e riscos de acidentes, além de elevar a produtividade do transporte de cargas e a qualidade do transporte de passageiros.
A iniciativa também tem impacto direto sobre a indústria automotiva pesada, fabricantes de implementos, cadeia de autopeças, concessionárias e serviços especializados de manutenção.
Demanda aquecida
O lançamento do Move Brasil – Caminhões e Ônibus ocorre após a forte demanda registrada pelo Mover, programa do governo do Brasil criado para financiar a aquisição de caminhões novos e seminovos e estimular a modernização do transporte rodoviário de cargas. O novo programa ampliou o rol de itens financiáveis, passando a contemplar não apenas caminhões, mas também ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários voltados à modernização e eficiência do setor de transporte e logística.
Entre 30 de dezembro de 2025 e 18 de maio de 2026, o programa registrou consumo superior a R$ 9,7 bilhões, com 8.444 operações, 5.135 clientes atendidos e mais de 15,6 mil caminhões financiados. Desse total, as operações com frotistas responderam por R$ 9,4 bilhões, em 7.764 operações para 4.510 clientes. Já a modalidade voltada a transportadores autônomos registrou R$ 337 milhões, com 680 operações para 625 clientes.
O desempenho confirma a demanda do setor por crédito para renovação da frota e reforça o papel do BNDES na oferta de instrumentos capazes de combinar estímulo à produção industrial, redução de custos logísticos, modernização da infraestrutura de transporte, segurança viária e ganhos ambientais.
Como acessar
Os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES. O Banco não realiza operações diretamente com os clientes finais nessa modalidade. Caberá ao agente financeiro analisar o crédito, negociar as condições finais da operação e encaminhar o pedido ao BNDES, conforme as regras do programa.
O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, e a data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026. O programa poderá ser suspenso ou encerrado antes dessas datas em caso de esgotamento da dotação orçamentária disponível.
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QUADRO RESUMO
• O que começa em 29 de maio?
A abertura oficial das operações do programa nos bancos parceiros do BNDES.
• Quem pode acessar?
Transportadores autônomos, cooperativas, empresários individuais e empresas de transporte de cargas e passageiros.
• O que pode ser financiado?
Caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
• Qual o prazo para pedir?
Os pedidos podem ser protocolados até 28 de agosto de 2026, podendo haver encerramento antecipado em caso de esgotamento dos recursos.
• Como acessar?
O interessado deve procurar o gerente de seu banco e fazer a solicitação. A instituição fará a análise do crédito e encaminhará a operação. Importante: tem que ser um banco credenciado ao BNDES.
Conheça aqui a rede de bancos credenciados ao BNDES
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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