AGRONEGÓCIO
Tarifaço de Trump vira traque e agronegócio garante superávit de R$ 33,4 bi em agosto
O tarifaço de Donald Trump, que se temia ser uma bomba atômica contra o comércio exterior brasileiro, terminou o mês de agosto como um simples traque. Apesar da tensão com os Estados Unidos, a balança comercial manteve saldo positivo e o agronegócio mostrou mais uma vez sua força. O superávit foi de R$ 33,4 bilhões, acima do esperado pelo mercado.
As exportações somaram R$ 162,7 bilhões, contra importações de R$ 129,2 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto, o superávit chega a R$ 233,3 bilhões. As vendas externas avançaram 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações cresceram 6,9%.
O agronegócio puxou o desempenho com R$ 36,3 bilhões em exportações no mês, alta de 8,3% na comparação anual. Produtos da indústria extrativa, como minério de ferro, também se destacaram, somando R$ 39,6 bilhões, crescimento de 11,3%. Já a indústria de transformação ficou praticamente estável, com queda de 0,9%, totalizando R$ 85,9 bilhões.
Nas importações, o setor de transformação liderou com R$ 116,6 bilhões, queda de 3,8%. A indústria extrativa subiu 26,5%, chegando a R$ 9,6 bilhões, enquanto o agronegócio registrou R$ 2,4 bilhões em compras externas, praticamente estável.
O resultado confirma a resiliência do campo. Mesmo com custos elevados e incertezas externas, o agronegócio garantiu novo impulso à balança comercial, reforçando seu papel estratégico para a economia brasileira. ainda há alguns setores (como o de pescados, por exemplo) que precisam de solução, mas no geral o Brasil vai bem, obrigado.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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