AGRONEGÓCIO
Sistema CNA/Senar e Sebrae anunciam “Juntos pelo Agro” para apoiar o setor
Carlos Melles e João Martins
Brasília (31/03/2022) – O Sistema CNA/Senar e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) assinaram, na quarta (30), o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) “Juntos pelo Agro” para a realização de ações em apoio ao agronegócio brasileiro.
O objetivo do Acordo é fomentar o desenvolvimento de empreendedores e de micro e pequenas empresas e a melhoria do ambiente de negócios do setor e da imagem do agronegócio brasileiro junto à sociedade através da realização de articulações conjuntas.
A cerimônia contou com a presença do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins; do presidente do Sebrae, Carlos Melles; do vice-presidente da CNA e integrante do Conselho Deliberativo Nacional (CDN) do Sebrae, José Zeferino Pedrozo; do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara; e do diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick.
“O Sistema CNA/Senar e o Sebrae têm as suas peculiaridades e são imbatíveis em determinados procedimentos e ações. Vamos trabalhar juntos e fazer o que cada um tem competência para fazer pelo bem dos pequenos produtores e empresários”, afirmou João Martins.

O presidente do Sebrae apontou a metodologia de treinamento empreendedor do Sebrae como um dos principais benefícios para os produtores. Segundo ele, a entidade colocará quatro mil agentes de desenvolvimento, publicidade empreendedora, educação empresarial e crédito assistido à disposição dos produtores participantes.
“Nós sabemos produzir bem e temos tecnologia, mas precisamos avançar da porteira para fora. Ser empreendedor, saber comercializar, saber industrializar e agregar valor. Esse é o nosso principal desafio”, disse Carlos Melles.
Daniel Carrara ressaltou que os planos de trabalho iniciais priorizarão ações de gestão, empreendedorismo, agroindústria e inovação, por meio dos programas Negócio Certo Rural, Empretec Rural, Produtos Artesanais e ALI (Agente Local de Inovação).
“Hoje damos mais um passo nesse grande projeto que terá muitos anos de duração, cada uma na sua área de atuação e com recursos próprios, para que nós consigamos efetivar essa parceria e fazer a diferença no setor rural”, declarou o diretor-geral do Senar.

O diretor técnico do Sebrae disse que a ideia foi juntar o que as entidades já fazem com excelência e trabalhar “em rede”, com organização e planejamento, para beneficiar os produtores de todo o Brasil.
Conforme Bruno Quick, foram definidos cinco eixos de atuação – mercado, qualificação gerencial e técnica, alimentos diferenciados, cadeias produtivas e informação e inteligência. Ao todo, 10 setores serão atendidos: agroindústria, apicultura, bovinocultura de leite e de corte, cacau, café, fruticultura, mandioca, piscicultura e ovinocaprinocultura.
A cerimônia contou, ainda, com a participação dos vice-presidentes da CNA José Mario Schreiner, Muni Lourenço, Mário Borba e Júlio Rocha, além dos presidentes da Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco (Faepe), Pio Guerra; da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF), Fernando Ribeiro; e de superintendentes regionais do Senar.

Assessoria de Comunicação CNA
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AGRONEGÓCIO
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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