AGRONEGÓCIO

SENAR/SC atendeu cerca de 65 mil produtores rurais em 2021


O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), atendeu, no período de janeiro a dezembro de 2021, quase 65 mil produtores rurais em treinamentos e programas voltados à elevação da produtividade e da qualidade de vida das famílias rurais catarinenses.

O presidente do Sistema FAESC/SENAR, José Zeferino Pedrozo, destacou que, ao todo, foram promovidas 4.042 turmas com carga horária de 282.736 horas, beneficiando 64.643 participantes.

Em 2021, o Senar/SC avançou na gestão das propriedades rurais com o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Proporcionar aumento da produção, evolução na produtividade e no nível de gestão e incremento da renda líquida em propriedades rurais de Santa Catarina são os objetivos do programa.

A ATeG atendeu 234 grupos de produtores que reuniam 6.876 estabelecimentos rurais, em 2021, organizados em nove cadeias produtivas: bovinocultura de leite (97 grupos e 2.823 propriedades rurais), bovinocultura de corte (90 grupos e 2.689 propriedades), ovinocultura de corte (16 grupos e 488 propriedades), apicultura (9 grupos e 269 propriedades), fruticultura (8 grupos e 234 propriedades), piscicultura (6 grupos e 173 propriedades), olericultura (4 grupos e 123 propriedades), agroindústria artesanal (3 grupos e 47 propriedades) e maricultura (1 grupo e 30 propriedades atendidas).

O superintendente do SENAR/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, realçou que apenas 20 municípios catarinenses não foram atendidos. As ações do programa ATeG foram realizadas em 275 municípios do Estado, representando 93% do território catarinense.

O projeto de ovinocultura de corte reuniu esforços e recursos do Senar/SC e do Sebrae/SC, o que permitiu atender 483 propriedades rurais em 79 municípios.

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Senar e Sebrae também foram parceiros no melhoramento da bovinocultura de corte dos criadores que participaram da ATeG. No período de 2017 a 2020, por meio desse programa, foram submetidos à inseminação artificial por tempo fixo (IATF) 106.241 animais. Em 2021, mais 23.500 animais foram inseminados.

Essa mesma parceria permitiu a certificação de propriedades rurais participantes da ATeG como livres de brucelose e de tuberculose. Em 2021 foram realizados 22.430 exames para a certificação de 448 propriedades rurais participantes do programa.

A ATeG oferece mensalmente aos produtores rurais visitas técnicas e gerenciais, assessoramento mantido no período de dois anos. Cada técnico atende o produtor com foco na transmissão de conhecimentos relacionados à gestão da empresa rural e técnicas de manejo voltadas às atividades de cada propriedade rural.

“A intenção é melhorar o desenvolvimento das propriedades catarinenses. Todas as cadeias produtivas são assistidas, desde genética, manejo adequado, melhoria da alimentação e também das instalações das propriedades. O programa representa um avanço na capacitação dos produtores rurais, preparando-os para a condução das atividades pecuárias com uma visão empresarial e o emprego de avançadas técnicas de gestão e controle”, salienta o presidente do Sistema FAESC/SENAR-SC, José Zeferino Pedrozo.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL

Formação Profissional Rural (FPR) configura-se como um processo educativo, sistematizado, que se integra aos diferentes níveis e modalidades da educação para desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para a vida produtiva e social dos trabalhadores e produtores rurais. Atua nas áreas de agricultura, pecuária, silvicultura, aquicultura, extrativismo, agroindústria, atividade de apoio agrosilvipastoril e atividades relativas à prestação de serviços. No conjunto geral, a FPR teve 34.494 participantes, organizados em 2.871 turmas que receberam 67.600 horas de capacitação.

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       Entre os destaques da FPR, em 2021, situaram-se os cursos de técnico em agronegócio e técnico em fruticultura, organizados em 21 turmas que reuniram 740 alunos e receberam, durante o ano, 9.043 horas de capacitação.

No desenvolvimento do programa CADEC – Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração – foram organizadas 6 turmas que reuniram 54 participantes, os quais receberam 184 horas de capacitação.

Outro programa exitoso foi o Mulheres em Campo, que reuniu 419 participantes em 43 turmas.

Duas turmas do Pescador Profissional (Nível 1) tiveram 45 participantes e 168 horas de treinamento.

PROMOÇÃO SOCIAL

As atividades de Promoção Social (PS) possibilitam aos trabalhadores, produtores rurais e suas famílias o acesso a conhecimentos, desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais e mudanças de atitudes que favorecem melhor qualidade de vida e participação em comunidade. Entre as áreas de ação estão: saúde, alimentação e nutrição, artesanato, organização comunitária, cultura, esporte e lazer, educação e apoio às comunidades rurais. Em 2021 um público de 9.556 pessoas (816 turmas) participou de 18.780 horas de atividades.

Entre as ações de destaque implementadas em 2021 destacou-se o Agro Fraterno, destinado a atender famílias rurais vulnerabilizadas pela pandemia do novo coronavírus. O Sistema FAESC/SENAR, com o apoio de outras instituições do agronegócio, distribuiu 10 mil cestas básicas para 5.943 famílias de 23 municípios catarinenses. O desembolso foi da ordem de R$ 1,153 milhão.

Informações sobre os programas e treinamentos podem ser obtidas pelo telefone (48) 3331-9700 ou no site www.senar.com.br.

Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

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A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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