AGRONEGÓCIO
Senar Goiás apresenta caso de sucesso de produtoras rurais que inspiram ao conciliar maternidade com o trabalho no campo

Antes mesmo de o sol nascer, a produtora rural Flávia Rosa já está de pé. É ela que acorda dois dos três filhos – João Gabriel, de 11 anos, e Vitória, de 14 anos, faz café, prepara tudo para a escola e os acompanha até o carro do transporte escolar, que busca os alunos na porteira. De lá, segue para o curral, na propriedade, em Pontalina, onde o marido Alecsandro da Silva ordenha as vacas.
“Eu vou colocando ração para as vacas, enquanto ele faz ordenha. Depois, ajudo na limpeza do curral e transporto o que vai virar esterco no carrinho de ferro. Nisso, o meu terceiro filho, o caçula, de dois anos, João Miguel, já acordou e eu tenho que preparar o café dele e conciliar com o restante do trabalho. Tem sempre uma cerca para ajudar meu marido a arrumar, uma cana para cortar e, assim, a gente vai fazendo trabalho pesado, sem parar com a rotina da casa”, conta.
Flávia Rosa tem uma rotina comum a muitas pequenas produtoras rurais, que precisam ajudar o marido, sem deixar de lado o cuidado com os filhos. O trabalho pesado e a rotina puxada nunca foram obstáculos para a maternidade. “Eu amo criança. Eu amo meus filhos e ser mãe. Sem meus filhos, a vida seria vazia”, afirma.
A produtora e o marido fazem questão de ensinar aos filhos os valores da terra, preparando-os para que eles possam ser sucessores familiares, mas com estudo e preparo para que tenham condições de vida melhores. “Hoje, o povo quer só cidade, poucos querem ficar na fazenda. Eu gosto que eles aprendam não só a vida da cidade, mas também a da fazenda. Os afazeres daqui. Porque se a gente não ensinar, eles não vão aprender. Eu gosto que eles tenham essa experiência”, destaca.
Se manter em uma propriedade rural, por meio da venda de leite, não é fácil, especialmente quando se tem três filhos. O casal já passou alguns apertos, tanto que era preciso que Alecsandro trabalhasse em outras fazendas para complementar a renda. Isso mudou com a chegada da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Goiás. A técnica de Campo, Mirianny Urzêda, começou o trabalho na propriedade há dois anos.

“Na época, a família utilizava a inscrição estadual do pai da Flávia, eles não possuíam inscrição, entregavam sua produção no tanque do vizinho e produziam uma média de 30 litros de leite por dia. Os primeiros passos da assistência foram em realizar a correção de solo, adubação e confecção dos piquetes rotacionados. Logo saltamos para 80 litros por dia. Após isso, começamos um trabalho intenso na produção de volumoso, tanto para as águas com a manutenção dos piquetes, quanto para as secas com a adubação e correção da área de cana-de-açúcar”, relembra Mirianny.
Na sequência, o foco passou a ser o melhoramento genético. Para isso, o trabalho foi voltado para a posse da própria inscrição estadual e de conta bancária, a fim de conseguir financiamentos para aquisição de novos animais com genética adequada.
“Com isso, conseguimos atingir 170 litros de produção por dia, possuímos inscrição estadual, tanque de expansão, estamos em processo final de construção e implantação de ordenha mecanizada. Os avanços são enormes. A família enche qualquer técnico de orgulho. A presença da Flávia nesse ciclo evolutivo foi de suma importância para alcançar esses números. Hoje, temos uma propriedade pequena, com 2,2 hectares, com média de 16 animais adultos, em lactação e seca, com produção média de 13 litros por animal por dia”, comemora.
A produtora rural Flávia Rosa considera a assistência do Senar Goiás como uma bênção para a família, que melhorou renda, qualidade de vida e condições de dar um futuro melhor para os filhos. “Nós conseguimos ter mais qualidade de vida para os meninos. Temos condição de levá-los para passear na cidade e mais tempo para diversão. Tudo isso o Senar nos ajudou muito. Antes nós não tínhamos essas oportunidades. Ficávamos só focados naquela tarefa ali do leite e o que dava era só isso. Não tínhamos perspectivas e ânimo para mais nada. Agora temos vontade de crescer. E eu não tenho medo de trabalho”, reforça.
Para a família, o sucesso das mudanças sugeridas pelo Senar Goiás foi graças, principalmente, ao empenho da produtora. “Ela é o esteio da família, o braço do dia a dia. Ela que apruma cedo e organiza as crianças para ir para a escola e já pega junto comigo no curral. Enfim, ajuda em tudo. Qualquer tarefa que um homem faz, ela também é capaz”, confirma Alecsandro.
Para os filhos, a dedicação da mãe é digna de inspiração e de retribuição, sentimento compartilhado pelo Senar Goiás a todas as mães produtoras rurais, principalmente as acompanhadas pela ATeG. “Ela é uma mãezona para mim e para os meninos, uma grande esposa para o meu pai. Ajuda em casa, em tudo, amo muito. É maravilhosa”, destaca a filha Vitória. “Ela ensina muita coisa aqui na fazenda. Eu aprendo demais com ela, que é uma mãe incrível”, agradece João Gabriel.
Cuidado

Em Barro Alto, ela é conhecida como uma ‘mãezona de todo mundo’. Comunicativa, disposta e com boa vontade em ajudar, Eliene Ferreira da Silva sempre está recebendo um pedido, dando um conselho e com forte atuação no Sindicato Rural da região. Por lá, ela tenta oferecer meios para que, principalmente, os pequenos produtores tenham acesso a informação, qualificação e assistência técnica.
“Eu gosto de gente. De cuidar, e as pessoas têm muita liberdade comigo. E é meio como uma mãe faz mesmo. Me desdobro para ajudar com o que posso, mesmo tendo uma rotina de mãe, produtora rural, aliada ao trabalho na transportadora e no armazém de grãos”, descreve.
A maternidade e a necessidade de se reinventar aconteceram cedo na vida de Eliene. Aos 17 anos, foi mãe e para a lida, junto com o marido, no trabalho pesado mesmo, cultivando soja e milho. “Eu aprendi a pilotar máquinas. Se precisar arar a terra, eu aro, transporto insumos com o trator. Tudo isso desde a época que meu filho era pequeno”, conta.
Quando o filho fez cinco anos, a mãe tomou uma decisão difícil. Mandou o menino para Goiânia para estudar. “A distância doía muito, mas eu queria que ele tivesse as oportunidades que eu não tive. Mas logo em seguida, vimos que a distância não estava fazendo bem para ele e nem para mim. Ele voltou e foi dando indícios que a vocação era com a terra e queria seguir os meus passos e do pai. Assim o criamos, em meio ao nosso trabalho. Na lavoura e no trator. Desde muito cedo, ele aprendeu todas as tarefas e se tornou o nosso braço direito. Por isso acho importante incluir os filhos no nosso dia a dia, com pequenas tarefas para que ele se sinta importante com suas contribuições desde cedo”, enfatiza.
O filho dela, Sebastião Guimarães Júnior, hoje está com 28 anos e avalia que a forma com que foi criado fez toda a diferença para a vida dele. “Sabemos que a rotina é muito pesada para as mães. Ficou bem no passado o tempo que a maioria tinha o privilégio de se dedicar só à maternidade. Minha mãe é um exemplo de que com mil e uma funções não me privou do convívio com ela. Claro que nesse contexto tive uma rotina adaptada à dela. Nem sempre era o que eu gostava, mas hoje percebo que o jeito que ela conduziu as coisas fez toda a diferença e para melhor, em todas as áreas da minha vida, principalmente a profissional”, destaca.
Eliene tenta com a história de vida influenciar outras mães, principalmente pequenas produtoras ou esposas de pequenos produtores, que abandonam os seus sonhos com a chegada de um ou mais filhos. “No Sindicato, trazemos os cursos do Senar Goiás. Procuramos saber as áreas que melhor vão atender essas mulheres, seja no artesanato, na culinária, na área de máquinas agrícolas, na gestão das propriedades, entre outras ações. Sei que não é uma tarefa fácil. Tem limitações financeiras. Mas o que eu digo é o seguinte: se a dificuldade bate na porta, olhe para seu filho ou filha. Para dar o melhor para eles nunca nos faltará força. Não tem barreira que seja capaz de impedir uma mãe de levar o melhor para sua família”, inspira a presidente do Sindicato Rural de Barro Alto.
Comunicação Sistema Faeg/Senar
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
-
POLÍTICA MT3 dias atrásJustiça determina que Presidente promova a imediata recondução de vereadora ao cargo
-
MATO GROSSO6 dias atrásDa montagem das chapas ao embate eleitoral: o que já está em jogo nestas eleições de 2026
-
Sinop6 dias atrásSinop apresenta atrativos turísticos a visitantes nacionais e internacionais e reforça potencial do setor
-
POLÍTICA MT6 dias atrásMato Grosso sanciona lei que proíbe uso de inteligência artificial para criação de “deep nudes”
-
POLÍTICA MT3 dias atrásALMT dá posse a suplentes e reforça representatividade em sessão marcada por discursos de acolhimento e simbolismo histórico
-
POLÍTICA MT3 dias atrásEntrega de trator fortalece agricultura familiar na Gleba Monjolo, em Chapada dos Guimarães
-
MATO GROSSO3 dias atrás‘Não é política, é violência’, diz Gisela ao cobrar que pedido de cassação de vereador entre em pauta
-
POLÍTICA MT2 dias atrásMato Grosso proíbe visitas íntimas a condenados por feminicídio, estupro e pedofilia
