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Seminário aponta que energias renováveis são alternativas viáveis para o campo

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Ao longo dos últimos anos, o Sistema FAEP/SENAR-PR vem promovendo um intenso trabalho para a multiplicação das energias renováveis no campo, priorizando a sustentabilidade e a redução dos custos de produção. Atividades como piscicultura, avicultura, suinocultura e pecuária leiteira dependem da energia elétrica, uma das maiores despesas para o pecuarista. Neste cenário, os problemas de escassez na matriz energética brasileira e os sucessivos aumentos na tarifa impactam diretamente o setor.

Durante o 1º Seminário de Energias Renováveis, realizado no dia 27 de abril pelo Sistema FAEP/SENAR-PR no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) de Assis Chateaubriand, na região Oeste do Paraná, o tema “O presente e o futuro da segurança energética no campo” esteve em pauta. O encontro, resultado de uma parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), contou com palestras técnicas e uma visita à Usina Fotovoltaica Nelson Paludo, instalada dentro do CTA. O evento teve a participação de 96 produtores rurais.

“Temos que despertar a consciência de que o produtor rural precisa tomar em suas mãos a solução deste problema nas propriedades, garantindo segurança energética por meio das energias renováveis em seu próprio quintal. Justamente ao lado da nossa usina fotovoltaica, queremos mostrar aos produtores as vantagens desses investimentos, especialmente agora que o subsídio da Tarifa Rural Noturna está chegando ao fim e o custo da energia está subindo, comprometendo os negócios”, disse Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, em mensagem transmitida pelo presidente do Sindicato Rural de Assis Chateaubriand e vice-presidente da FAEP, Valdemar da Silva Melato.

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Cases de sucesso

Durante o encontro, os participantes puderam conhecer exemplos práticos de produtores que já fazem uso das energias renováveis em suas propriedades. O vice-presidente do Sindicato Rural de Toledo e presidente da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná (Aviopar), Edenilson Copini, relatou sua experiência com geração de energia solar fotovoltaica. Em sua propriedade, estão instalados 192 painéis solares com potência de 325W, que geram, em média, 8,5 mil kW por mês. A estrutura é resultado do investimento de R$ 300 mil, com recursos realocados da avicultura e suinocultura. Em 2021, sua economia com energia elétrica chegou a R$ 55 mil.

Seminário teve a participação de 96 produtores rurais

Outro exemplo vem do produtor Ademilson Lourenço, que trabalha com avicultura de corte e piscicultura. Ele investiu R$ 190 mil, no início deste ano, na instalação de 120 painéis com potência de 335W. Com capacidade de geração de energia de 61,2 mil kWh por ano, a projeção é que o payback (tempo de retorno do investimento) seja de 8,5 anos.

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Já o presidente da Comissão Técnica (CT) de Meio Ambiente da FAEP e do Sindicato Rural de São Miguel de Iguaçu, José Carlos Colombari, falou sobre o modelo de geração de energia elétrica em biodigestores. Na Granja São Pedro, propriedade que abriga grãos, suinocultura, avicultura e pecuária de corte, mensalmente, a geração média de energia elétrica é de 30 MWh, o que gera uma economia de até R$ 25 mil na conta de luz no final do mês. Segundo Colombari, os primeiros investimentos, realizados em 2006, foram motivados pela preocupação em realizar a destinação correta dos dejetos dos suínos. Os biofertilizantes produzidos no processo também são utilizados na propriedade.

Rodrigo Braun, da Copel

Valdemar Melato, presidente do sindicato

Ivan Decker Rupp, gerente-regional do IDR

Jéssica D’angelo, do Sistema FAEP/SENAR-PR

Eliana Reis, coordenadora de projetos do IDR

Luciano Lima, do Banco do Brasil

Incentivo ao produtor

O presidente do Sindicato Rural de Assis Chateaubriand destacou o papel do Sistema FAEP/SENAR-PR em levar conhecimento aos produtores sobre energias renováveis, mencionando as viagens técnicas internacionais promovidas em 2017 para conhecer projetos de geração de energia fotovoltaica e biogás na Europa.

“É um trabalho com origem em uma preocupação de todos nós e que hoje vem se tornando realidade. Temos parcerias para trazer essas alternativas para os produtores rurais paranaenses, eliminando os riscos de falta de energia e reduzindo dos custos de produção”, afirmou Melato.

O gerente geral da agência do Banco do Brasil de Assis Chateaubriand, Luciano Dionísio de Lima, destacou o incentivo ao uso de energias renováveis no agronegócio pela instituição e elencou linhas de financiamento disponíveis para usinas geradoras de energia renovável e demais itens necessários para instalação. Ainda, conceitos, orientações técnicas e procedimentos para acesso à rede da Copel em geração distribuída foram apresentados pelo engenheiro eletricista da empresa Rodrigo Braun dos Santos.

Renova Paraná

O Programa Paraná Energia Rural Renovável (Renova Paraná), lançado pelo governo estadual, é mais uma ação que incentiva o campo paranaense a adotar energias renováveis, principalmente biomassa e solar. O Renova Paraná é resultado direto da atuação do Sistema FAEP/SENAR-PR, que, na última década, intensificou o trabalho de mobilização para atrair investimentos neste setor.

O programa está sob coordenação geral da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e coordenação técnica do IDR-Paraná. O incentivo é garantido por meio do Banco do Agricultor Paranaense (BAP), criado em 2021, que funciona como um programa de crédito exclusivo com juros subsidiados pelo governo do Paraná.

O aporte estadual para o Renova Paraná é de R$ 72,8 milhões para ampliar a produção, oferta e distribuição de energia elétrica, a competitividade dos produtos agrícolas, além de expandir as cadeias produtivas.

De acordo com o gerente regional do IDR-Paraná de Toledo, Ivan Decker Raupp, dos 1,8 mil produtores cadastrados no programa até o momento, cerca de 45% são da região Oeste. “O intuito é trazer competitividade e sustentabilidade para o campo”, apontou.

O foco principal do programa é atender aos produtores beneficiados pela Tarifa Rural Noturna, que termina em 31 de dezembro de 2022. Segundo o IDR-Paraná, de 25% a 35% estão na região de Toledo, principalmente em função da produção de proteínas animais. A subvenção de juros é destinada a projetos de energia solar de até R$ 500 mil, e de biomassa, no valor de até R$ 1,5 milhão. Quem aderir ao Renova Paraná até o último dia deste ano terá equalização da taxa de juros de forma integral. Para ser contemplado, o projeto também deve ser feito junto a uma empresa cadastrada no programa. Os produtores interessados em aderir ao programa podem acessar o site idrparana.pr.gov.br ou ir ao escritório regional da entidade.

“Qualquer pessoa física ou jurídica, independentemente do porte da propriedade, que tenha projetos que utilizem fontes renováveis de geração de energia pode ser beneficiada”, observou a coordenadora de projetos do IDR-Paraná, Eliana Aparecida dos Reis.

Visita técnica

No fim do seminário, os participantes tiveram a oportunidade de visitar a Usina Fotovoltaica Nelson Paludo, instalada no CTA de Assis Chateaubriand desde abril de 2021. A estrutura ocupa uma área de 500 metros quadrados e possui 304 painéis solares com capacidade de 135 kWp, o que corresponde à geração de 160 mil kWh por ano. O espaço marca um incentivo às energias renováveis pelo Sistema FAEP/SENAR-PR. Com a usina, a entidade também passou a ser autossuficiente na energia elétrica consumida em suas 20 unidades.

Fonte: CNA Brasil
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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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